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domingo, 26 de maio de 2019

Teatro Prudential – Sala Adolpho Bloch



A produtora Aventura Entretenimento lança, em 2019, mais um ousado projeto, patrocinado pela maior seguradora independente no ramo de vida, desde 1998, a Prudential do Brasil

Consagrada a administração do Teatro Riachuelo como marco de excelência em seu portfólio, a produtora Aventura Entretenimento lança, em 2019, mais um ousado projeto, patrocinado pela maior seguradora independente no ramo de vida, desde 1998, a Prudential do Brasil.

À frente da Aventura Entretenimento, os sócios Aniela Jordan e Luiz Calainho, ao perceberem o potencial do empreendimento concebido, partem em busca de um investidor para o “naming rights” e resgatam o funcionamento de um edifício datado da década de 1960, tombado pelo patrimônio histórico, localizado na Rua do Russel, no bairro da Glória, de frente para a praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. O até então conhecido como Edifício Manchete – arquitetura assinada por Oscar Niemeyer, paisagismo por Roberto Burle Max e berço das sedes das extintas TV Manchete e Editora Bloch - em 2010, já havia passado por um processo de retrofit, incluindo a restauração do teatro Adolpho Bloch, módulo integrante do edifício.

Aportes financeiros por parte da Aventura e da Prudencial somados ao incentivo da lei Rouanet permitem, a partir de 23 de maio de 2019, a reabertura da sala de espetáculos batizada como Teatro Prudential – Sala Adolpho Bloch, com a estreia de 'Pi : Panorâmica Insana', concebido e dirigido por Bia Lessa. O projeto, além de oferecer à população do Rio de Janeiro e seus visitantes um polo cultural, tendo como âncora um teatro para mais de 300 espectadores, com um palco de 140m2 – equipado para receber uma variedade de apresentações, entre shows, espetáculos teatrais e musicais e apresentações de dança voltados para o público adulto e infantil, além de realização de palestras, com total segurança e conforto – contempla um amplo camarim, cinco salas de ensaio, um foyeur de convivência e um espaço bistrô explorado pelo Café Botta, como mais um ponto gastronômico carioca para almoço e jantar.

Em 21 de maio de 2019, Jordan e Calainho apresentam o projeto à imprensa, no palco da sala Adolpho Bloch, acompanhados pela vice-presidente de marketing & digital da Prudential do Brasil e atual gestora do Teatro – Aura Rabelo, que declara que os interesses da seguradora fazem parte do plano estratégico de construção de awareness no Brasil. Em seguida, o elenco de 'Pi : Panorâmica Insana' – estrelado por Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo – debate com a imprensa sobre a atualidade da dramaturgia assinada por Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant'anna, com citações de Franz Kafka e Paul Auster, a despeito dos quatro anos do processo de sua concepção. No palco, a realidade nua e crua expõe a dualidade entre o ruim e o belo, ao mesmo tempo que leva ao público a visão poética construída por Lessa e pelos protagonistas.  A noite é encerrada com a apresentação de uma seleção de quadros de renomados musicais nacionais e internacionais, assistido por celebridades do mundo artístico televisivo e teatral, consolidando a necessária ação em compasso com a reflexão, como a materialização de planos e metas, tal e qual concebidos a partir da parceria entre a Aventura Entretenimento e a Prudential do Brasil.


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Aladdin - eleva a atual produção Disney



Transportando o clássico mundo da fantasia para uma atualidade que eleva a atual produção Disney a um patamar de excelência

A produção live-action do 31° longa de clássicos da Disney – "Aladdin" – promete divertir, encantar, resgatar e atrair um público de um espectro etário que, certamente, se entregará às maravilhas das mil e uma noites, repletas de aventura, fantasia e números musicais coreografados, com fidelidade surpreendente à versão animada de 1992.

O enredo se desenrola no sultanato de Agrabah, no Oriente Médio, e conta a história de amor entre um ladrão que vive de pequenos furtos, mas dotado de um bom coração – Aladdin (Mena Massoud) e da Princesa Jasmine (Naomi Scott) que, apesar do luxo que a vida lhe proporciona como filha do sultão, vive em busca de realizações que vão muito além das muralhas do palácio.

Ambicioso e desleal ao seu sultão, o perverso feiticeiro e grão-vizir Jafar (Marwan Kenzari) alista Aladdin para que acesse a Caverna das Maravilhas, visando ao resgate de uma lâmpada mágica – moradia milenar de um gênio (Will Smith) capaz de conceder três desejos a quem o evoca, esfregando o artefato com a mão. Frustrando os planos de Jafar, Aladdin acaba libertando o gênio da lâmpada e usa o primeiro de seus três desejos para se tornar um príncipe, a fim de cortejar a princesa Jasmine (Naomi Scott) – a quem conhece, fortuitamente, no mercado público de Agrabah, acreditando ser, simplesmente, a serva da filha do sultão – que, para seu desgosto e por força de lei, só poderia desposar com a realeza. Em meio a encontros, desencontros, atos de boa fé e conspirações, o roteiro se desenvolve repleto de fatos capazes de serem identificados com a realidade atual e prestar lições sobre questões sociais, políticas e econômicas e no que tange a tradições, poder, emancipação feminina e ética.

A escolha mais que certeira de Guy Ritchie para a direção da versão “Aladdin” 2019, infunde considerável energia e efervescência em todos os números musicais da história – tal e qual o fizeram Ron Clements e John Musker ao dirigirem a versão clássica animada – desta vez, remetendo o espectador a um espetáculo bollywoodiano, concebido a partir de conceitos de superprodução.

A versão “Aladdin” de Ritchie supera as expectativas, desde o lançamento dos trailers e teasers que velam, ao espectador, qualquer possibilidade de spoiler, garantindo-lhe o fator surpresa e fazendo valer cada centavo investido na compra do ingresso. A atualização dos personagens, tornando-os humanos, informados e politicamente ativos é potencializada pela surpreendente incorporação de Will Smith, contemplando arrogância, charme e emotividade – princípios ativos que definem a marca registrada do diretor – que não mede esforços para prover a produção de recursos técnicos de primeira linha, tais como a excepcional computação gráfica aplicadas aos seres animados não humanos, à concepção cenográfica aliada à dinâmica das cenas nas ruas de Agrabah, ao vizagismo e ao figurino policromático – contemplando riqueza em diversidade têxtil, passamanaria e pedraria.

A contagiante trilha sonora deve ser observada como uma questão à parte – uma vez que se torna impossível eliminar seu efeito obsessor, horas à fio após a saída da sala de projeção – incrementada pela adição de músicas inéditas, dentre as quais, "Speechless" – composta por Benj Pasek e Justin Paul, soa como um hino de capacitação feminina, transportando o clássico mundo da fantasia para uma atualidade que eleva a atual produção Disney a um patamar de excelência, poeticamente alcançado em promissor sobrevoo pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, à bordo de um tapete mágico.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Tolkien - um filme elaborado



Um filme elaborado com esmero mas, até certo ponto, estereotipado

Ao fornecer detalhes sobre a vida do autor dos livros de fantasias que inclui ‘O Hobbit’ e O Senhor dos Anéis’, o longa “Tolkien” não explora as motivações e nem as influências do processo de criação de J.R.R. Tolkien, enquanto processo conceptivo de seus personagens.

A partir de uma cronologia tatibitate, o espectador assiste à ofensiva do Somme – travada em 1916, considerada uma das maiores batalhas da Primeira Guerra Mundial – durante a qual, o soldado John Ronald Reuel Tolkien (Nicholas Hoult), acometido pela doença das trincheiras, se entrega à busca por um amigo de colégio que se encontra desaparecido, diante de um cenário tomado por imagens infernais. Aproveitando-se da riqueza estética que o tema lhe proporciona, em meio a silhuetas formadas por rastros de fumaça e explosões, a direção de Dome Karukoski sugere a fonte de inspiração para a criação do dragão Smaug, enquanto as alucinações de Tolkien assumem o ponto de partida, permitindo que a filmografia transcorra de maneira suave, sem muitas surpresas e, aparentemente, desfocado dos outros três livros que servem de alicerce para impulsionar a cinebiografia formada por: “A Sociedade do Anel”, “As Duas Torres” e “O Retorno do Rei” – limitando-se a uma breve menção ao primeiro volume intitulado “O Hobbit”.


Para o deleite do espectador casual e daqueles que se entregaram à trilogia cinematográfica dirigida por Peter Jackson, Karukosk exalta a juventude trágica do protagonista – seu lar adotivo, sua escola preparatória, seus barulhentos e arrogantes amigos de classe e seus momentos na universidade. Apesar do fato de que o resultado de tudo isso seja mais que satisfatório para quem apenas encara cinema como diversão e, até mesmo, uma obsessão, as fagulhas imaginativas do homenageado protagonista, tão importantes para a compreensão de suas obras e também sobre a sua vida, parecem seleta e cautelosamente colocadas à parte, fazendo de “Tolkien” um filme elaborado com esmero mas, até certo ponto, estereotipado, por não explorar e não satisfazer o espectador com uma visão mais aprofundada do intelecto daquele responsável pela criação de um universo idiomático que intriga uma legião de fãs, por todo o planeta.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O Sol Também é Uma Estrela



Finaliza de forma madura, mas deságua de maneira genérica em um lugar comum

Os pensamentos do astrônomo Carl Sagan servem de cupido para o mais novo longa direcionado a adolescentes, sob direção da americana Ry Russo-Young – “O Sol Também é Uma Estrela”, baseado no livro homônimo de Nicola Yoon.  

Num extremo, Natasha (Yara Shahidi) - uma jovem jamaicana que comunga com as teorias de Sagan, cética com relação a tudo que não possa ser demonstrável e confirmado cientificamente, legitimando o amor como pura invenção da mente de quem insiste ou precise acreditar no seu propósito na vida prática - está prestes a ser deportada de Nova Iorque para sua terra natal. Noutro, Daniel Bae (Charles Melton) – um aspirante a poeta, imigrante da Coreia do Sul que, por insistência dos pais, se prepara para uma entrevista para concorrer a uma vaga na universidade de medicina. As histórias dos dois adolescentes se cruzam quando Daniel se depara com a frase estampada na jaqueta de Natasha – ‘Deus Ex Machina’ e, por acreditar no seu significado – uma pessoa que surge, inesperadamente, para resolver um problema, aparentemente insolúvel – ele a persegue até conquistar a sua atenção.

A jovial direção de Ry Russo-Young se faz, provocantemente, intrusiva, de mãos dadas com a fotografia de Autumn Durald Arkapaw, que emana uma esperança implacável no contexto da história, mesmo com as suas reversões descompromissadas com a realidade. A tendência filosófica do roteiro de Tracy Oliver brinca, ao unir a sensatez de Carl Sagan com os poemas de Emily Dickinson e flerta com a intolerância da atual política migratória dos Estados Unidos.  “O Sol Também é Uma Estrela” finaliza de forma madura, mas desagua de maneira genérica em um lugar comum, não deixando claro se, de fato, o conhecimento determina o destino.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Kardec



Uma obra de arte sombria e misteriosa que eleva a cinebiografia ao patamar qualitativo das obras internacionais

Ao se insubordinar contra a fiscalização das instituições de ensino pela igreja católica, a imposição sacerdotal para que os professores recitassem o catecismo e zelassem pela moral cristã nas salas de aula – em total desrespeito à laicidade do sistema de ensino e do Estado – o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail – influente educador, autor e tradutor francês – lança mão do seu direito à aposentadoria de seu ofício acadêmico e, sob o pseudônimo de Allan Kardec, se notabiliza como codificador e divulgador do Espiritismo, também denominado de Doutrina Espírita.

Longe de qualquer subestimação intencional quanto ao talento de Leonardo Medeiros, frente ao desafio de se transformar a cada papel, ou de qualquer conotação mediúnica, o ator incorpora Rivail, humana e confortavelmente, fazendo com que o longa “Kardec” cumpra a sua meta de propagar a história baseada no livro de autoria do jornalista, escritor, roteirista e diretor brasileiro Marcel Souto Maior. Cabe a ressalva que o reconhecimento do predicado quanto à excelência interpretativa dos personagens deve ser estendida à totalidade do elenco que, juntamente com a direção de arte, fotografia, efeitos visuais, trilha sonora, figurino, penteado e maquiagem, recriam uma Paris da segunda metade do século XIX – uma obra de arte sombria e misteriosa que eleva a cinebiografia ao patamar qualitativo das obras internacionais, fruto da mais que perfeita direção do roteirista e diretor brasileiro, Wagner de Assis.

Ao facultar ao espectador o entendimento do gênesis da doutrina que explica a vida após a morte, segundo o Kardecismo, Assis expõe as engrenagens do espiritismo, numa época em que adultos e crianças ainda não são qualificados como moradores de rua, mas reconhecidos como adultos e crianças que mendigam por um prato de sopa rala e pão seco, tanto e quando, piedosamente ofertados pela burguesia francesa. O catolicismo, como conforto e consolo social para os menos abastados e modelo difundido como moralmente correto – apregoador do “... tudo o que o homem semear, isso também ceifará” – entra em colisão com a possibilidade de término da hegemonia daquela religião na Europa, com a chegada do espiritismo – defensor da aceitação das condições às quais os indivíduos estão sujeitos, como penalidade decorrente a atos cometidos em vidas anteriores.

Mesmo visivelmente racional, o longa não consegue consagrar a evolução espírita fora de uma obra de ficção, onde mesas flutuam e giram no ar, a despeito do credo do espectador, passível de ser contestado por qualquer pessoa com um mínimo de senso crítico – da mesma forma que acontece com a própria parapsicologia, com a ufologia e, até mesmo, com a teologia



terça-feira, 14 de maio de 2019

Hellboy



Anticlímax e história desinteressante

A partir da missão que visa acabar com as ambições genocidas da maléfica feiticeira Nimue, dá-se início à reinicialização do filme “Hellboy” – um ser de aspecto satânico, filho de um demônio com uma feiticeira. A ação se desenvolve estabelecendo uma linha tênue entre a repulsa e a falta de inventividade, presente na essência do caçador de monstros que, ao confrontar suas próprias origens e a sua existência como “meio homem-meio diabo”, luta para salvar o mundo das garras da Rainha de Sangue – Vivian Nimue, esquartejada pelo Rei Arthur. Os pedaços de seu corpo foram trancados em caixões, separadamente, visando impedi-la de passar pela terra com sua gangue apocalíptica.

Se por um lado, o diretor britânico Neil Marshall se aprofunda na amplitude de Hellboy, para a felicidade dos fãs dos quadrinhos, acaba por contrariar os não familiarizados com o universo dos gigantes, composto por: bruxas, lutadores de luta livre, lobisomens leopardos, rituais ocultistas nazistas, Rasputin, Leni Riefenstahl, Sasha Lane – como uma psíquica que vomita Aparições, um homem-javali, a escrivaninha de Winston Churchill, Merlim, místicas sociedades secretas e óbvio, Baba Yaga – azáfama repleta de agressões visuais gratuitas sob riffs de guitarras, trilha sonora anticlímax e história desinteressante.

Ironicamente, o alívio é alcançado pelos acordes de “Kickstart My Heart” – da banda Mötley Crüe, prenunciando o fim que, para os menos aficionados por Anung Un Rama, chega tarde demais.


O Censor



Progressiva sobreposição de realidade

Um conto que exala sensualidade se enquadra, significativamente, em meio a uma atualidade política, bizarramente, marcada pelo retrocesso.

Na atual temporada, o drama, fracionado a partir de duas coordenadas, se manifesta, precipuamente, num lugar incomum – numa das sala de projeção do Grupo Estação, em Botafogo, Rio de Janeiro – onde as provocações concebidas pelo dramaturgo e diretor escocês – Anthony Neilson, evidenciam a sua capacidade valer-se do sexo e da violência, como instrumentos através dos quais, mesmo que um tanto quanto vulgar, consegue chocar e confrontar o espectador, de modo inquietante.

Visceralmente enigmático, os fragmentos do quebra-cabeça proposto pela criação geral – compartilhada por Alexandre Varella, Cavi Borges e Patrícia Niedermeier – são montados no escritório localizado em um porão, no qual um censor conduz o seu ofício passando a tesoura em filmes pornôs.

Ao receber a visita de uma desconcertante diretora de cinema que se sente vitimada por ter um de seus filmes barrados pela caneta do profissional, a cineasta tenta convencê-lo de que o seu longa – que contempla nada além de atos sexuais explícitos – de fato, trata-se de uma história sutil de aprofundamento de um relacionamento humano. O lascivo desempenhado pelos personagens, convincentemente incorporados por Varella, Niedermeier e Emilze Junqueira, surpreendem ao sensualizarem as cenas sem qualquer atitude ou exposição corporal explícita, estimulando, consequentemente, a imaginação do espectador.

Se por um lado, a despretensão da sala de espetáculos possa sugerir, para os olhares externos, um árduo desafio para definir qualidade da produção, por outro, para Borges, trata-se de uma questão de oportunidade de pôr à prova, o seu jogo de cintura associado a uma direção criativa. Dentre os recursos tecnológicos cênicos, se destaca a iluminação de Luiz Paulo Nenen, como auxiliar no processo de sedução desempenhado, sobrepondo-se aos medos e fobias expostos pelos protagonistas, tornando forte e crível os seus enfrentamentos diante das questões sexuais abordadas. Os enlouquecedores vídeos de Cavi, Christian Caselli, Terêncio Porto e Hsu Chien estimulam opiniões sobre o papel do sexo e da intimidade física, beirando o primitivo a ponto de levar à quebra de tabus.


A progressiva sobreposição de realidade e de fantasia no espetáculo “O Censor” comunica-se, furtivamente, com o contraditório, ao se auto-intitular uma peça-filme, apenas por contemplar um telão onde são projetadas cenas desconexas e a apresentação acontecer em uma sala de cinema. A limitação do foco sob tal perspectiva, conduz a compreensão a uma estranha Mary Poppins, capaz de eliminar o problema sem permitir que seus agraciados avancem além dos limites permitidos à aproximação de terceiros. Portanto, a tática aparentemente usada por cineastas, com vistas ao ar de intelectualidade para as suas superfícies profanas, somente vela o olhar para algo que possa existir além da imagem – tal e qual clama a cineasta ao seu censor.