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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Quem Você Pensa Que Sou




Narrativa faz com que o espectador se perca em um labirinto de emoções, palavras e incertezas

O rompimento de um casamento de longa data seguido pelo abandono de uma mulher de meia idade pelo seu jovem namorado frustram os anseios pelo recomeço de sua vida amorosa – status emocional de uma professora de literatura que, no momento de sua vida abordado pelo longa “Quem Você Pensa Que Sou”, analisa o romance clássico de intriga sexual ‘Ligações Perigosas’ de Choderlos de Laclos junto aos seus alunos. Trata-se de uma história contada com recursos de flashback, fartamente, durante sessão de psicoterapia da docente, durante a qual discorre sobre as dificuldades em aceitar a visão de si mesma, através da qual acredita não mais ser desejada pelos homens.


O sexto longa do diretor francês Safy Nebbou, que também assina o roteiro, se baseia em um romance de Camille Laurens ‘Who You Think I Am’, cuja narrativa faz com que o espectador se perca em um labirinto de emoções, palavras e incertezas. A protagonista, dotada de surpreendentes nuances emocionais, é um prato cheio para o potencial interpretativo de Juliette Binoche, que se entrega à personagem com braçadas longas e precisas num mar de amoralidade, com requintes de elegância na articulação de vingança, com potencial ardiloso para o estímulo de tentações e com surpreendente candura enquanto dedicada à criminalidade virtual. Dessa forma, Binoche dá forma a Clara e a conduz de forma tal que a permite transitar, sobriamente, sob profundo êxtase existencial estimulado pelo desejo por homens mais novos.

A impiedosa forma de relato sobre a proliferação das mídias sociais no mundo moderno faz com que o longa pareça destinado a enraizar o desejo, aparentemente universal, do compartilhamento daquilo que se supõe ser e ter, envolvendo indivíduos incrédulos de seus valores quando não mascarados por uma conexão wi-fi. Portanto, a história se abstém da apresentação de um herói ou de uma vítima, mesmo sob a ameaça de um mecanismo rancoroso, mas se permite chafurdar em uma patologia virtual contemporânea em crescimento exponencial, maquiada por um falso visagismo apelidado de fuga, dotado de forte capacidade de ilusão contra a ameaça da realidade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Casacor Rio 2019



Lia Lamego – Espaço de Fragrâncias
Alexandre Lobo & Fábio Cardoso – Loft Premium
Mariana Magalhães Costa – Loja da Casa
Sergio Novaes – Livraria
Jacira Pinheiro – Casa DOA



domingo, 8 de setembro de 2019

Maurício Manieri - Classics



Genuína viagem no tempo, com versões de grandes sucessos nacionais e internacionais dos anos 1970 até a atualidade


Noite de sexta-feira, 6 de setembro de 2019, sobe ao palco do Teatro VillageMall, no Rio de Janeiro, Maurício Manieri –  cantor, compositor, pianista clássico, arranjador e produtor musical São Bernardense de ascendência italiana, cuja formação musical clássica o permitiu enveredar, com muita segurança, pelo POP, MPB e soul, ao longo de sua carreira. A partir dos anos 1990, o trabalho de Manieri passa a ser revelado a um público que, juntamente com gerações que o sucede, faz parte de um fã-clube que acolhe o artista sob manifestações dignas de um pop star.

Simpatia, carisma, reciprocidade frente às manifestações de carinho recebidas e generosidade para com a extensão e qualidade técnica do show do compositor de sucessos consagrados – tais como: ‘Bem Querer’, ‘Te Quero Tanto’ e ‘Se Quer Saber’, dentre outros – são qualidades que  imprime em seu ‘Classics’, cuja turnê promove genuína viagem no tempo, com versões de grandes sucessos nacionais e internacionais dos anos 1970 até a atualidade.

Descortinando o palco do Teatro Vilagemall, Manieri abre o espetáculo com ‘O Melhor Vai Começar’ (Guilherme Arantes), seguindo com a música que dá título à turnê -  ‘Classics’ (Adrian Gurvitz), provocando intensas manifestações de descontrole emocional por parte dos fãs, a cada número. Tais reações são potencializadas quando do convite do artista para que suas fãs compartilhem de uma dança, em pleno palco, ao som das consagradas ‘Mandy’ (Barry Manilow), All Out Of Love (Air Supply), ‘Cruisin’ (Smokey Robinson) e outras mais, que levam a plateia ao delírio, numa atmosfera de bailinho de garagem, típico dos anos 1980.

Manieri, que tem em seu currículo a interpretação de várias músicas de trilhas sonoras de novelas e de longas metragens, tais como: ‘Pop Star’ (Xuxa) e ‘Eldorado’ (Disney), de forma extremamente elegante, convida a sua backing vocal Patricia Fernandez para fazer, com ele, um dueto, dando uma trégua ao saudosismo – marca da turnê ‘Classics’ – dando um toque de contemporaneidade ao show, com a emocionante interpretação de ‘Shallow’ (Bradley Cooper e Lady Gaga).

Proximamente ao término do espetáculo, Manieri é surpreendido com um bolo de aniversário, levado pelo seu filho Marco, de nove anos de idade, em comemoração antecipada aos seus 49 anos, repleta de clima familiar, agraciado pela presença de amigos na plateia, tais como: Marcos Pasquim, Babi Xavier e Fábio Villa Verde que, juntamente com seus fãs, entoam um genuíno ‘Parabéns pra Você’, seguindo, em coro dançante ao som de ‘The Best’ (Tina Turner), conduzida pelo incansável artista pop.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

IT - Capítulo 2



Os traumas geracionais e o inesquecível horror presentes na obra formata o longa com marcas perturbadoras, violentas ao extremo, hemorragicamente cruéis e desconfortável conteúdo psicológico


Vinte e sete anos após sinistros acontecimentos, ocorridos na cidade fictícia de Derry, que levam sete crianças a fundarem o “Clube dos Perdedores”, o misterioso local se torna, mais uma vez, o cenário dos membros da confraria, composta pelos, já adultos, Mike (Isaiah Mustafa), Bill (James McAvoy), Beverly (Jessica Chastain) e Ben (Jay Ryan), Richie (Bill Hader), Eddie (James Ransone) e Stanley (Andy Bean). No passado, ainda adolescentes, além de lidar com o preconceito e com a opressão que toma conta da pequena cidade, se viram face a face com um ser demoníaco comedor de crianças e que assumia, quase sempre, a forma de um Clown denominado Pennywise (Bill Skarsgård) – fatos que os marcaram com profundas cicatrizes físicas e psicológicas.

A partir dessa fórmula, o cineasta argentino Andy Muschietti assina a direção da adaptação homônima para o cinema do segundo capítulo do romance de Stephen King – “It”, lançando mão da carga exagerada dos exageros, relativamente aos protagonistas, da mesma forma que o fez com o primeiro capítulo “IT – A Coisa”, lançado em 2017 – longos em sua duração e intensos na sua dose de terror.

Os traumas geracionais e o inesquecível horror presentes na obra formata o longa com marcas perturbadoras, violentas ao extremo, hemorragicamente cruéis e desconfortável conteúdo psicológico. Ao abordar temas sobre as lembranças e traumas da infância IT explora a fragilidade da inocência humana representada pela imagem de um Clown. A familiarização com a obra original de Stephen King concede, vagamente, ao espectador, uma percepção onde o roteiro de Gary Dauberman pretende chegar mas, lamentavelmente, não permite que a produção deslumbre, o suficiente, em se tratando de um sequência final de um filme que, apesar de valer a pena assistir, mas que não induz a plateia flutuar em meio à complexidade de Pennywise.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Ouro Branco




“...pela sugestão do início e do fim de um pesadelo aterrorizador, do qual não se acorda; pela indução da plateia ao questionamento sobre o quanto se trata de um projeto de vida no purgatório ou de uma vida que se queima no inferno; ...”

Sem adentrar nas questões legais e administrativas das repartições públicas, mas dissecando o dia após dia vivenciado pelos seus recursos humanos, da mesma forma que seus planos de vida e suas expectativas relativas ao reconhecimento de seus superiores frente à dedicação dos servidores ao ofício, o espetáculo “Ouro Branco”, sucintamente, revela a desimportância de alguns daqueles serviços para o público, seja ele municipal, estadual ou federal.


Os elementos contidos na dramaturgia de André Ladeia são inerentes a um código de ética peculiar aos protagonistas, que discursam as suas amarguras em um pequeno e claustrofóbico escritório de uma repartição pública. Seus semblantes cadavéricos estampam renúncias e frustrações – frutos da busca pela estabilidade de emprego, da ambição por planos de carreira, e da resignação frente às limitações impostas por uma opção de vida. Uma trilha cuja prosperidade, muitas vezes, é combalida pela injustiça e pela burocracia que se impõem por meio de regras, capazes de ofuscar caminhos que possam conduzir a metas profissionais, muitas vezes, iluminados em favor de uma minoria privilegiada por preferências ou por indicações políticas. 

O dissabor dos servidores ganha horizonte sob a direção de André Gonçalves, que satisfaz as indagações do espectador relativamente a ética e a deveres morais que deveriam, supostamente, ser parte integrante das engrenagens públicas. Num primeiro momento, o espetáculo desenvolve o poder hierárquico, no qual o homem é explorado por um sistema que parece ter origem desde os tempos da escravidão, cujo grau de realidade, levada ao palco, se deve ao elenco composto por Charles Paraventi, Eduardo Gentil, Hilton Castro, Ícaro Galvão e Juliana Azevedo. Cada um, assumindo a carga de responsabilidade que lhe cabe enquanto personagens, potencializando as percepções interpessoais junto à plateia vitimada, na vida real, pelo sistema dramatizado no palco.
Uma quádrupla aliança transforma o palco em um portal através do qual o espectador é transportado da vida real para uma realidade nua e crua – projeto cenográfico, desenho de luz, figurino e visagismo assinados, respectivamente, por Marcos Flaksman, Aurélio de Simoni, Bidi Bujnowski e Nathalia Cavalcanti. Uma coligação responsável pela materialização do interior do local reconhecido pelo nome de repartição; pela sugestão do início e do fim de um pesadelo aterrorizador, do qual não se acorda; pela indução da plateia ao questionamento sobre o quanto se trata de um projeto de vida no purgatório ou de uma vida que se queima no inferno; pelo desfile de indumentária de gosto e qualidade duvidosa, marcada pelo desalinho evidenciado pelo suor extraído dos funcionários; pelo desconforto térmico e pela luminosidade em desacordo com a acuidade visual laborativa necessária ao ser humano; pela metamorfose de seres vivos em seres em decomposição, ainda em vida.

A definição organizacional é envolvida pela trilha sonora de Paula Raia e Fellipe Mesquita, responsável por detonar os conflitos e divergências de opiniões e por potencializar a credibilidade, ao longo dos expedientes, aos quais são submetidos cada um dos personagens. A estrutura visível sustentada pelo elenco, durante o espetáculo, conta com o alicerce definido pela direção de movimento de Bel Machado, fortalecendo o espectador para administrar o despreparo, o desestímulo e a insatisfação, que dentro do contexto de Machado, não compreende o interesse por uma gestão democrática.

O Estado Democrático de Direito, presente nas entrelinhas de “Ouro Branco”, não atua em acordo com os preceitos constitucionais, quando a finalidade do serviço público é deturpada e passa a contar com atos fraudulentos e corruptos, prejudicando a sociedade e manchando a imagem do país no âmbito nacional e internacional.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Casacor Rio 2019




Casacor Rio 2019

RG Arquitetura Rodrigo Barbosa – Pier 21
Isabelle Cassani – Lavabo Público
Leila Bittencourt – Loft Coral
Maurício Nóbrega – Varanda DECA
Duda Porto – Nau

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Casacor Rio 2019



Casacor Rio 2019

Cristiana e Mariana Mascarenhas – Sala de Bilhar

Bianca da Hora – Sala Shanti
Paola Ribeiro – Salão do Cais
Miguel Capanema – Estar  em Pausa
Victor Niskier – Leituratech
Tripper Arquitetura – Marcelo Moura e Marina Dipré | Banheiro Elemento
Mário Costa Santos – Wineliving