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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

CG Costa do Descobrimento Part 06





Colher de Pau – Arraial D’Ajuda BA


Reconhecido pela excelência da culinária de Porto Seguro – BA, há vinte e três anos na Passarela do Descobrimento no centro da Cidade, referência extensiva às suas recentes unidades em Taperapuã - na Orla Norte, e em Coroa Vermelha – Santa Cruz de Cabrália, o grupo Colher de Pau inaugura mais uma casa em dois de novembro de 2014, no mais charmoso eixo comercial e gastronômico da Costa do Descobrimento – a Rua do Mucugê, no Arraial D’Ajuda.
O Colher de Pau leva consigo seu cardápio e preços padronizados em todas as unidades, atendendo aos mais variados paladares de seus clientes nativos, executivos, empresários e turistas. O Circuito Geral, presente no restaurante no dia 21 de dezembro de 2014, constatou um show de capacidade e eficiência na manipulação das iguarias e primoroso design de seus pratos, sob o comando do jovem chef Jackson Ribeiro e de sua equipe de ajudantes. A casa também oferece um requintado serviço de barman por Wellington – tudo sob a coordenação de Pablo e Domingos.
Objetivando a implantação da casa a partir de uma temática diferenciada, agregando valores eco sustentáveis ao complexo comercial de Arraial D’Ajuda, a gerente de marketing da empresa Olímpia Pacheco, juntamente com o artista plástico Titi Ladwing, desenvolveu um projeto luminotécnico contemplando o uso de lâmpadas de baixo consumo de energia e luminárias fabricadas com material reciclado – estruturadas com aros de bicicleta refugados e trançadas com fibra de garrafas pet, resultando nos mais variados tipos de plafons, pendentes, arandelas e pétalas para iluminação externa. Agregado a essa concepção, os guarda-corpos do terraço descoberto recebem uma trama iluminada como fechamento, executados a partir do mesmo material.
Coroando a edificação, por sua vez ambientada interna e externamente em harmonia com a aconchegante identidade visual do Arraial D’Ajuda, a trama de fibra de garrafas pets assume o formato de um dos mais típicos instrumentos da culinária brasileira – a colher de pau – não só anunciando aos seus clientes o nome da casa, mas dando-lhes boas vindas à típica culinária da Costa do Descobrimento.
Segundo o Arquiteto Urbanista e Mestre em Conforto Ambiental pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Mauro Senna, a edificação, após a sua reforma, agregou valores positivos ao conjunto arquitetônico do entorno e resgata a linguagem da arquitetura local, muitas vezes cosmopolizada pela introdução de exemplos de arquitetura cuja linguagem é estranha ao local.
Da mesma forma, a identidade visual, a partir de seus elementos rústicos e neutralidade cromática, se integra na proposta embrionária da Rua do Mucugê, berço de uma diversa e aconchegante paleta de cores urbana, responsável pelo charme do eixo comercial, seja durante o dia ou à noite.
Em harmonia com os cintilantes pontos, cordões de luz e luminárias coloridas presentes na Rua do Mucugê, o restaurante Colher de Pau se integra à paisagem noturna com sua tênue iluminação ambiente cuja temperatura de cor morna, inspira o acolhimento e uma transparência ao seu interior à visão dos simplesmente passantes ou dos clientes efetivos que procuram desfrutar da atmosfera mística e romântica promovida pelo Arraial D’Ajuda.
Quanto ao conforto ambiental, a edificação conta com salas de refeições cobertas abertas, varandas e terraços descobertos que são beneficiados pelas brisas marítimas diurnas e terrestres noturnas, promovendo considerável conforto térmico natural aos seus clientes. Em função da permeabilidade aos ventos promovida pela própria arquitetura, a ventilação urbana, considerando o seu entorno imediato, também é beneficiada, princípio este levado até mesmo ao letreiro da casa – a monumental colher de pau - que, apesar de suas dimensões, não gera qualquer barreira ou resistência aos ventos devido à trama a partir do material que é confeccionado, em perfeita sintonia com a paisagem urbana e natural na qual a edificação encontra-se inserida.
Segundo Senna, muito poderia ser discorrido a respeito da descaracterização desse charmoso eixo comercial do Arraial D’Ajuda com a introdução de exemplos de arquitetura estranha à cultura local, a utilização de letreiros em formatos de banner – atuando quase como outdoors impermeáveis à ventilação urbana, de iluminação agressiva a partir de fontes de luz com temperatura de cor extremamente fria - seja do interior dos estabelecimentos, espaços abertos ou, até mesmo de seus letreiros, e de fontes poluidoras de som - que transcendem a necessidade da sonorização ambiente, tão benvinda aos que trocam uma prosa durante a degustação das iguarias oferecidas pelos mais variados espaços gastronômicos da Rua do Mucugê.
No entanto, essas são questões a serem avaliadas e normatizadas oficialmente pelos órgãos públicos competentes e que não fazem parte do depoimento específico sobre a edificação do restaurante Colher de Pau no contesto urbano da Rua do Mucugê ou, até mesmo, da “Broadway”, sob a ótica de um arquiteto urbanista carioca, amante da Costa do Descobrimento e frequentador da região há mais de vinte anos. A despeito do enfoque técnico de seu testemunho, a sua visão do conjunto arquitetônico do restaurante Colher de Pau, incluindo o seu polêmico letreiro, devido às suas proporções monumentais, não passa de mera avaliação pessoal, tão subjetiva quanto opiniões veiculadas nas redes sociais, democraticamente à disposição de todos.
De acordo com o grupo Colher de Pau, muitas das subjetivas e depreciativas opiniões pessoais veiculadas pelas redes sociais acerca da sua nova unidade no Arraial D’Ajuda poderiam ter sido reconsideradas em tempo, caso esse reduzido número de pessoas tivessem procurado conhecer o processo de implantação do projeto de ambientação da casa, desenvolvido segundo critérios de educação e preservação ambiental e concebido por profissionais qualificados e consagrados.
A preocupação da diretoria do grupo Colher de Pau e de seus colaboradores com o desenvolvimento de um projeto no qual a qualidade e da responsabilidade ambiental fosse um binômio presente a ser transmitido aos seus usuários, é expressa nos seguintes quantitativos de resíduos reciclados, retirados do lixo:
(a)    para a confecção das luminárias: 67 rodas e 335 aros de bicicletas;
(b)    para a confecção das luminárias, do revestimento das sacadas e do letreiro: 9.000 garrafas pets.
Ademais, a iluminação projetada contemplando lâmpadas econômicas, visa à racionalização do consumo energético e se encontra em plena sintonia com a redução do aquecimento global.
O grupo Colher de Pau reconhece o apoio dado por seus clientes e parceiros que comparecem à sua unidade Arraial D’Ajuda, ao externarem suas opiniões favoráveis a todo trabalho realizado e registra o seu empenho em agregar benefícios à Costa do Descobrimento como um todo, garantindo trabalhar em cumprimento com as determinações dos órgãos oficiais competentes e não em função de opiniões pessoais.

O Circuito Geral, ciente de que a monumental obra de arte deverá ser removida na primeira semana de janeiro de 2015 por força dos órgãos oficiais, recomenda a todos que compareçam ao Colher de Pau – Arraial D’Ajuda para que possam tirar suas próprias conclusões a respeito do polêmico letreiro. 


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

CG - Costa do Descobrimento part 05


“Diversité” – Porto Seguro - BA

“Diversité”, em sua terceira edição na cidade de Porto Seguro – BA trata-se de um espetáculo produzido pela Academia Olímpia sob a direção do não menos que o 23 vezes campeão baiano de Karatê, Carlos Vieira.
O Circuito Geral esteve presente na segunda dentre as duas únicas apresentações ocorridas no Centro Cultural da Cidade, nos dias 19 e 20 de dezembro de 2014, e teve o prazer de constatar uma das mais incríveis produções para o porte e vocação cultural da cidade de Porto Seguro.
A proposta do espetáculo tem como objeto as modalidades esportivas desenvolvidas na Academia Olímpia – karatê, dança do ventre, ballet clássico e contemporâneo. O corpo performático do espetáculo é composto por alunos da instituição, de todas as faixas etárias, além de estrelas especialmente convidadas, consagradas do corpo de bailarinos da Escola Bolshoi – Roberta Kassebi e Deoli Rodrigues, e da dupla de percussionistas japoneses, trazidos do Japão para o evento, que presenteou a plateia com uma extasiante apresentação de taiko – uma emoção a cada batida dos tambores.
A produção do espetáculo primou pelos detalhes e zelo para com o público - o material de divulgação, as boas vindas ao espetáculo ao som de um saxofonista, a programação visual de orientação na plateia e o suporte permanente prestado por seus assistentes. Os recursos cênicos extrapolam, em muito, a de muitas produções em grandes centros urbanos no que tange ao cenário, iluminação, som, figurino, visagismo e demais operações.
A plateia era lotada por apreciadores das artes, por figuras públicas e por empresários, muitos deles, responsáveis pelo sucesso do espetáculo devido ao patrocínio e apoio que deram, não somente à realização do “Diversité”, mas uma contribuição sem igual à disseminação da cultura, disciplina, cidadania, inclusão e formação de toda uma promissora nova geração de atletas e artistas – um evento que se torna obrigatório no calendário da cultura de Porto Seguro.
A diversidade artística desenhada ao longo de toda a apresentação eclode, com o derradeiro número apresentado pelo ousado campeão brasileiro de Karatê e mentor do espetáculo – demostrando o quanto a disciplina e profissionalismo são fundamentais para que um sonho se torne realidade e finque raízes – em sua apresentação solo, tecnicamente inovadora, quando luta com a sua própria sombra.  Metaforizando, através deste número, Vieira nos põe frente a frente com nossos próprios inimigos – nós mesmos.
Reunidos no palco, ao final do espetáculo, o corpo performático e equipe, sob os aplausos incessáveis da plateia, “Diversité” se consagra numa experiência sensorial, com a aspersão de fragrância aromatizadora produzida por uma das mais consagradas casas do ramo de Porto Seguro, como parte essencial dos apoiadores patrocinadores desse grandioso espetáculo.


CG - Costa do Descobrimento part 04





O Livreiro - Porto Seguro - BA

O Circuito Geral compareceu ao sarau em “O Livreiro” nesta sexta-feira, dia 19 de dezembro de 2014.
Antes de qualquer coisa, “O Livreiro” é uma livraria sebo que se desdobra num café e numa estalagem. Com isso, a casa assume uma dinâmica cultural em meio a restaurantes, hotéis e pousadas numa das mais charmosas ruas de Porto Seguro – a Marechal Deodoro, vulgo Rua do Mangue.
A descontração do espaço transpõe suas portas e ocupa a caixa de rua imediatamente à frente da sua charmosa fachada. A noite foi comandada pela potente voz e violão de Felipe Sampaio - cantor de Vitória da Conquista – Bahia, que interpretou músicas de grandes nomes da MPB, tais como Peninha, Zé Ramalho, Cazuza, Caetano Veloso e Chico César. Entre poemas recitados e introduções às músicas, os frequentadores da casa aplaudiam e aguardavam pelas novas manifestações daquele sarau em quase moto-contínuo, com a constante adesão de artistas ao grupo ou em apresentação solo, como no caso da cantora Rosana Peixoto com sua participação para lá de especial.

Rosana personifica a tão marcante cultura negra em nosso país, apresentando produções de sua autoria nas quais introduz Orixás e entidades da Umbanda e do Candomblé e a emoção existente no coração de cada negro retratada pelo Banzo – segundo a artista, palavra que não é traduzida em qualquer outra língua, mas, em português, saudade - por uma cultura africana a qual se faz presente somente pela ascendência desse povo, aqui tão enraizado e miscigenado em solo brasileiro. Rosana, após sua apresentação solo, conta com a participação de Hebert Labart na percussão, num espetáculo sem comparativo.

A pedido dos espectadores, Felipe Sampaio retoma o palco e dá início a um medley a partir de músicas de Jair Rodrigues, Roberto Carlos, Jorge Ben Jor e Lenine, encantando a platéia que, naquele momento, curtia o que seria somente o início da noite e que definiu a audiência na qual esteve presente o Circuito Geral, tamanho o acesso de novos espectadores à simpática e aconchegante casa de cultura.
Ao som da vigorosa interpretação de Sampaio de “Orora Anarfabeta” de Mestre Gordurinha, o Circuito Geral completa sua cobertura, certo de que o sarau de “O Livreiro” é um programa imperdível para a população nativa e de turistas que procuram por manifestações culturais e artísticas de qualidade em Porto Seguro.


domingo, 14 de dezembro de 2014

CG - Costa do Descobrimento part 03



Squadra Club – Mundaí – Porto Seguro Ba

O Circuito Geral esteve presente na última sexta-feira, dia 12 de dezembro de 2014, em uma das mais diferenciadas casas noturnas de Porto Seguro, localizada na Praia de Mundaí – o Squadra Club.
Trata-se de um clube aberto ao seleto público nativo e turista da região, cujo universo é composto por jovens e adultos antenados em estilo, qualidade musical e adeptos a uma arquitetura e ambientação diferenciadas - ou seja, formadores de opinião em potencial à procura de qualidade de entretenimento e de serviço.
O espaço é composto por um generoso e aprazível foyer, uma antessala de acesso à pista com equipados com toaletes criteriosamente projetados, um extenso bar com capacidade suficiente para atendimentos sem atropelos, uma cabine para DJ que conta com equipamentos de som e de iluminação de última geração, um palco para apresentações ao vivo e uma ampla pista de dança – conjunto esse com capacidade para acomodar, confortavelmente, 450 pessoas.
A casa abriu as portas com Deep House comandado pelo DJ residente Renato S, que deu as boas vindas e aqueceu o público que lotou gradativamente a pista. Renato preparou os frequentadores da casa para demais as atrações – em primeiro lugar, o grupo de Forró Pé de Serra - "Maria Mais Eu", que assumiu o comando da noite e que fez dos casais mais descontraídos, o centro das atenções com seus ousados arrasta-pés, ao som do melhor da música nordestina – para todos.
Preenchendo o intervalo entre as atrações da noite, Renato S retoma eficientemente a pista com seu set, mantendo o aquecimento anteriormente conquistado, até às 2:00 da madrugada, anunciando a grande atração da noite - André Lima & Rafael, com o seu sertanejo universitário que explode a pista do Squadra Club com extrema competência e sintonia com os frequentadores da casa até altas horas da madrugada.
O Circuito Geral contou com a simpática companhia da ilustre Alice Zanoni - coordenadora de eventos do Clube, que apresentou o complexo que também se presta, de forma exemplar, como um centro de convenções para, pelo menos 300 pessoas, e espaço para eventos particulares, oferecendo conforto, requinte e qualidade.
O Squadra Club já se tornou referência nas noites de Porto Seguro – local onde nativos e turistas exigentes encontram seu point seguro de lazer e entretenimento.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

CG Costa do Descobrimento 2014 - Part. 02


Praça do Relógio - Porto Seguro - BA

Um dos mais badalados points de eventos públicos de Porto Seguro, a Praça do Relógio foi visitada pelo Circuito Geral na noite de domingo - 7 de dezembro de 2014, onde foi realizada uma sequência de eventos musicais dançantes, a começar pela intérprete Maria Maia que aqueceu os casais ao som da MPB, das 20:00 às 21:00.
Maia - voz e teclado bastam para acalantar os corações apaixonados e levar seus ouvintes ao deleite, qualquer que seja o cenário projetado para a sua apresentação.
Dando seguimento ao trabalho de Maia, o DJ Levi agita os pares através dos passos da Lambada ao ritmo do melhor do Zouk, entretendo os pés de valsa, espectadores e demais frequentadores da Praça, num contágio coletivo por ritmos eletrizantes, do qual, ninguém escapa.
Dj Levi comanda a performance dos desconhecidos da noite, porém, mais que familiarizados com ginga e a pegada baiana, mantendo a pista lotada, do início ao fim de seu set.


domingo, 7 de dezembro de 2014

CG Costa do Descobrimento 2014 - Part. 01


Ilha dos Aquários - Arraial D'Ajuda - Porto Seguro BA

Patrimônio da cultura e lazer da Costa do Descobrimento, localizada na foz do Rio Buranhém, entre Porto Seguro e Arraial D’Ajuda, a Ilha dos Aquários abre o seu portal, abrilhantando todas as noites das sextas-feiras, a partir das 20:00.
O complexo proporciona uma visão do ecossistema e da biodiversidade da região - através de seu paisagismo natural, adaptado para receber seus visitantes e da arquitetura cujos estilos vão desde a colonial até a contemporânea, repletas de elementos característicos da cultura local. 
O Circuito Geral compareceu à Ilha na noite de 5 de dezembro de 2014 e constatou a qualidade dos serviços e o potencial de satisfação e de atendimento à demanda por diversão e lazer por parte dos visitantes, sob a responsabilidade do seu produtor cultural, Manu Santiago.
O portal de acesso à Ilha dos Aquários se dá através do transporte de seus visitantes, a partir de Porto Seguro, cruzando o Rio Buranhém, por meio de uma escuna, de onde é possível desfrutar a beleza da paisagem e a brisa noturnas. As boas vindas à terra firme são dadas a partir de um pórtico temático e de um caminho ao longo do qual os visitantes podem comtemplar diversos recantos compostos pela flora nativa e exótica, artisticamente iluminados. Em seguida, uma sequência de piscinas e aquários expõe uma diversidade de animais marinhos, dentre tubarões, arraias, moreias e meros.
Em sequência, o complexo oferece total suporte aos visitantes que buscam simplesmente um momento gastronômico, como também aos que caem na pista sem saber se existirá um amanhã - a sede e a fome são combatidos pela creperia, pelo shushi bar, e pelas tendas que oferecem um fast-food tipicamente regional, como a tapioca recheada e as iguarias que só a baiana tem.  
Finalmente, chega-se aos espaços musicais e dançantes, dentre os quais, o recanto do forró, ao som da banda "Cacimba Barrenta", embalava, incansavelmente, os casais chegados a um arrasta-pé.
Aos adeptos da vibe promovida pelo estilo “bate-estaca”, a boate – cuja operação de som é de responsabilidade do DJ residente Kuca – encontrava-se sob a competente regência do DJ Paulo Becker, levando a pista a um verdadeiro transe musical.
No palco principal, apresentaram-se as estrelas da noite e da madrugada, dentre elas, a "CIA de Dança da Ilha dos Aquários", promovendo um aquecimento a partir de suas coreografias. Madrugada à dentro, a banda "Cidade Elétrica" promove uma apresentação de quase quatro horas de duração, sem intervalo - um eletrizante show que desenha a pista do palco principal, como num inesperado flashmob ao som da música baiana.
Caminho inverso, ao cais de embarque da escuna, de volta a Porto Seguro, o semblante de satisfação da totalidade dos visitantes da "Ilha dos Aquários" endossa o potencial do point familiar e de todos os descolados que, certamente, retornarão aos 70 mil metros quadrados dessa área de puro lazer e de valorização e preservação da natureza para uma nova jornada de entretenimento.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Clementina, Cadê Você?



Presenteia a platéia com canções contagiantes, levando-a a interagir, mesmo sem ser convidada

“Clementina, cadê você?”, em homenagem aos 50 anos de Clementina de Jesus da Silva, é concebido com total liberdade poética, em se tratando de um espetáculo – em toda a concepção da palavra - envolvendo o nome de uma celebridade.
Não se trata de uma biografia, não assume qualquer compromisso com a fiel narrativa de uma história contemplando o início, o meio e o fim da vida da artista, mas uma montagem cujo único compromisso é com o entretenimento do espectador, seus admiradores e dos apreciadores do samba.
Ana Carbatti, no papel de Clementina, faz jus à escolha de sua voz e talento para interpretar esse ícone do samba de raiz sua beleza, charme e simpatia são bônus extras, uma vez que a imagem de Clementina junto ao público não tem qualquer relação com a jovialidade da intérprete.
O texto foca três fases da vida de Clementina: o encontro com o grande o grande amor da sua vida - Albino Pé Grande; sua descoberta e transformação em Clementina de Jesus - por Hermínio Bello de Carvalho; por fim, sua viuvez.
A direção é tecnicamente perfeita, retratando um grupo de amigos, ao mesmo tempo e cada um por si, diversos personagens em ritmo randômico, numa atmosfera clean promovida pelo escultórico e engenhoso cenário e pelo figurino adequadamente concebido.

“Clementina, cadê você?” presenteia a platéia com canções contagiantes, levando-a a interagir, mesmo sem ser convidada, mas recebida, de braços abertos, por Clementina, como se na sala de estar de sua casa – uma vida real que se tornou uma fábula.

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Dezo Mota - Acústico


Dezo Mota, surgiu no palco interpretando Lanterna dos Afogados, sob uma iluminação dramática que definiu a atmosfera de quase toda a apresentação

“Dezo Mota – Acústico”, levado ao palco do Solar de Botafogo em 25 de novembro de 2014, é uma declaração de amor aos seus amigos e fãs.
O show foi aberto por Marcio MM Meireles com seu violão, interpretando versões solo de músicas já conhecidas pelo público e sugerindo o que estaria por acontecer no palco durante o espetáculo. Deu seguimento ao show, convidando ao palco seu parceiro, Pitter Rocha, com quem travou um diálogo de cordas e com quem, assim permaneceu no palco, durante todo o espetáculo.
A estrela do show, Dezo Mota, surgiu no palco interpretando Lanterna dos Afogados, sob uma iluminação dramática que definiu a atmosfera de quase toda a apresentação, que permeou os olhares da platéia as expressões de seu rosto, movimentos de braço e parte de seu torso dando seguimento ao seu show acústico apresentando suaves interpretações de sucessos já consagrados de Caetano Veloso, Cazuza, Luis Gonzaga, Raul Seixas e Roberto Carlos, além de músicas inéditas de Zuza Zapata, Marcio MM Meireles e Val Donato.
Em seu acústico, o anfitrião abriu espaço uma palinha de Oscar Fabião – segundo Mota, uma promessa artística que fez parte do elenco do espetáculo “Pop Kamikaze”, dirigido por Marcos Nauer em 2012 – que juntamente com Carlos Leça comandaram a apresentação coletiva de “Pro dia Nascer Feliz”.
Com promessas de participação da atriz Vanessa Gerbelli, o show de Denzo Mota retorna ao Solar de Botafogo para mais uma e única apresentação, em 9 de dezembro de 2014.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Boa Sorte



“Boa Sorte”, cuja moral sugere que a vida só é bela para quem as possuem - e para quem acredita em sorte.

A partir de um roteiro baseado no conto “Frontal com Fanta” de Jorge e Pedro Furtado, o filme “Boa Sorte”, de Carolina Jabor, apresenta um trecho da vida de João e Judite que se conhecem e se apaixonam numa clínica de reabilitação para usuários de drogas.
A história é recheada de clichês ultrapassados, dentre os quais, o principal gira em torno da soropositividade e respectivo desfecho, gerador do título do filme. A história também apresenta linhagens que lançam seus descendentes rumo à dependência pelas drogas e à degradação psicossocial – o que não deve ser tomado como via de regra.
Deborah Secco, como Judite, demonstra, mais uma vez, a sua capacidade de interpretar personagens problemáticos e sem qualquer perspectiva de vida, mesmo que, para isso, tenha que se despir, temporariamente, de sua beleza física. João Pedro Zappa, na pele de João, lida confortavelmente com seu personagem, emprestando-lhe seu carisma através de seu sorriso e olhar de menor abandonado, desempenhando, com muita naturalidade, o papel de menino sem amigos e invisível aos seus pais. Fernanda Montenegro, no papel de Célia – tia de Judite – transforma a película como se numa nova temporada de um seriado, tamanho a força que injeta na personagem.
O aparentemente despretensioso diálogo entre Deborah e Fernanda, durante o qual a veterana expressa, mais uma vez, toda a sua carga de sentimentos através de seu inigualável olhar, transforma-se num verdadeiro espetáculo à parte, como também a arte presente no diário de Judite, através dos textos, desenhos trabalhados manual e digitalmente, atenuando a carga dramática da história e expressando, de forma lúdica e subliminar, o amor entre Judite e João – dois pontos que merecem menção no trabalho da cineasta.
Carolina Jabor, não ousa e nem surpreende, mas dirige, técnica e corretamente “Boa Sorte”, cuja moral sugere que a vida só é bela para quem as possuem - e para quem acredita em sorte.


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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Homens, Mulheres & Filhos


O protagonista de “Homens, Mulheres & Filhos” é a tecnologia. 

Jason Reitman presenteia, mais uma vez, os amantes da sétima arte com a atual e jovial película “Homens, Mulheres & Filhos”, cujo roteiro, de fácil assimilação, não requer subterfúgios ou entrelinhas, mas simplesmente a assimilação, pelos espectadores do que é apresentado – nada mais.
A gama de seus personagens imerso em seus universos de problemas pessoais são travestidos de infomaníacos, induzindo os espectadores a crer que grande parte dos conflitos é decorrente da tecnologia informatizada. Dessa forma, o filme se faz tendencioso, mas não camufla os demais assuntos abordados - solidão em tempo de WhatsApp, matrimônio auxiliado por Ashley Madison, insatisfação supostamente resolvidas pelos grupos das redes sociais, fuga da VR (lê-se Vida Real) no GdtRPG game e o auxílio ao cuidado materno através da tecnologia, beirando a psicopatia. O protagonista de “Homens, Mulheres & Filhos” é a tecnologia, personagem esse ainda não tão explorado nos filmes que são qualificados como drama.

Reitman, consegue imprimir a sua assinatura com frescor juvenil e abre as portas para que muitos outros comecem a invadir essa seara tecnológica que, querendo ou não, faz parte de cada segundo da vida de grande parte dos indivíduos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Pé na Porta



“Pé na Porta” e deixar sair a criança que existe em cada um.

“Pé na Porta - Comedy Show”, sob a direção geral de Fernando Caruso, é composto por esquetes humorísticos desenhados no palco pela veia quase infantil de Bruna Campelo e pelo punho amadurecido de Léo Castro, promovendo uma química equilibrada muito palatável para o público adulto.
Lamentavelmente, alguns esquetes pecam pela sua longa duração e se tornam uma morosa busca pelas pegadas cômicas, mas que não desqualifica os esforços da dupla que consegue a proeza de tirar gargalhadas da platéia a partir dos textos ingênuos e, ao mesmo tempo, criativos, estampados, por exemplo, no modus comunicandi do óbito de um “tio” a um grupo de crianças de um pré-escolar e na evolução de um diretor frente a sua escola de samba na Avenida em precisa sincronia corporal e vocal a junto à sonorização por parte de Castro.
A recompensa se dá ao final do espetáculo - portanto, aqui vai uma dica do Circuito Geral aos espectadores que venham a ler esta resenha antes de assistirem à comédia: não abandonem a platéia antes do término da apresentação, pois é chegada a hora de pôr o “Pé na Porta” e deixar sair a criança que existe em cada um.

Sem dúvida, trata-se de um programa cuja diversão é garantida e privilegia os espectadores pela oportunidade de testemunhar a eclosão de dois carismáticos, talentosos e promissores comediantes que, muito em breve, estarão dentre os mais badalados nas mídias.

Acabou o Pó


“Acabou o Pó” é humano, divertido e promove reflexão 

Nena e Kelly são as protagonistas de “Acabou o Pó” – um brilhante espetáculo sob a impecável direção de Vilma Melo a partir de mais um texto sacado por Daniel Porto, cuja produção é caracterizada pela revelação da comicidade inserida no cotidiano no povo brasileiro, levado à sério pelos personagens delimitados pelos temas abordados.

Em “Acabou o Pó”, Porto não define, com precisão, estratos sociais e localidades, poupando as personagens de qualquer tipo de segregação, dando-lhes total liberdade para que desenhem o encontro cotidiano de duas mulheres amigas, vizinhas, comadres, num total desabafo de suas vidas íntimas familiares, abrangendo temas, tais como: relacionamento, solidão, angústia, bullyng, maternidade e finanças - tratados de forma tão natural que chega aos espectadores como um retrato de pessoas que cuidam de suas casas, de seus filhos, que lhes servem cafezinho, que lhes fazem os pés e as mãos nos salões de beleza e que sobrevivem para não submergirem.

“Acabou o Pó” é humano, divertido e promove uma reflexão paralela sobre os personagens reais que fazem parte das nossas vidas, de uma forma ou de outra. Nena e Kelly são espantosamente reais e talvez, por esse fato, também se preocupem com a vida alheia, afinal, nada como a miséria do próximo para amenizar a sua própria. Ranços de egoísmo à parte, o “bate-mata” entre as duas amigas parece uma partida de ping pong bem disputada, tamanha a sinergia entre as personagens em função da excelente estruturação do texto que define em suas entrelinhas, dentre outros aspectos sociológicos, algo mais do que comédia, mas a caracterização de uma gente que não se importa com os meios para poder sobreviver, na sua visão, com o mínimo de dignidade – detalhe esse denunciado pela participação do marido de Nena, através de sua narrativa.
  
O Circuito Geral não considera a exposição dessas sutilezas como uma quebra de sigilo que desmistifica as surpresas ou encanto dos espetáculos, mas uma forma de aguçar a percepção dos espectadores que, por ventura, tenham acesso às resenhas sob a ótica do espectador, anteriormente à sua presença aos espetáculos, enriquecendo a sua assimilação do que de bom eles têm para lhes oferecer. No caso específico do binômio obra e direção de “Acabou o Pó”, a visão do espectador agradece ao não apelo à caricatura e ao travestismo, em se tratando de homens incorporando almas femininas. “Acabou o Pó” nos apresenta uma história contada por mulheres através de forte veia masculina, impedindo que se perca em meio a floreios e sonhos com finais felizes. Finaliza com a desconstrução das personagens, ao final do espetáculo, quando os talentosos profissionais da arte de fazer rir, a partir  de uma realidade nua e crua, Alexandre Lino e Leo Campos expõem ao público seus bigodes e músculos despidos de Kelly e Nena, mesmo presentes durante todo o espetáculo, mas habilmente ocultos, somente por suas capacidades na arte de representar.

Trata-se de um espetáculo com menos de uma hora de duração, que deixa os espectadores com aquele gostinho de “quero mais” – mas, infelizmente, “Acabou o Pó”. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Tim Maia - O FIlme





O filme vale por sua trilha sonora pulsante, pela irreverência e fúria 

Baseado no livro “Vale Tudo”, de autoria de Nelson Motta, “Tim Maia” – o filme” é raso e sem nenhuma ousadia, mas somente uma biografia superficial que tenta não se comprometer com os fatos e com alguns personagens coadjuvantes, cuja identificação de muitos, só é possível ser feita durante a leitura dos créditos finais, excetuando-se as interações de Fábio Fabiano (Fábio Stella) - amigo de Tim Maia e narrador da história, Carlos Imperial e Roberto Carlos. Este, por sua vez, é representado de forma surpreendentemente caricata, beirando à comicidade - muito provavelmente, um subterfúgio para atenuar a forma como abandonou o grupo The Sputniks - no qual fazia parceria com o então Tião Maia, Arlênio Lívio, Edson Trindade e Wellington Oliveira - que não corresponde ao papel de um amigo de fé, muito menos de uma irmão camarada.

Todas as fases da vida de Tim Maia foram muito bem representadas por seus interpretes – Tim criança, pelo filho de Babu Santana; Tim Jovem, por Robson Nunes; e Tim adulto, por Babu Santana – um verdadeiro trio de estrelas.


O filme vale por sua trilha sonora pulsante, pela irreverência, fúria e a falta do que dizer do eterno síndico em meio a seu próprio caos.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Garota Exemplar



Não se trata de um filme óbvio 

“Garota Exemplar”, por David Fincher, confirma nas telas dos cinemas o que o diretor sabe fazer de melhor - esfregar na cara do espectador todo cinismo e perversidade que há em cada um de nós. Baseado no livro Gone Girl, seu autor, Gillian Flynn, também assina o roteiro da película.
A história conta com a brilhante atuação de Bem Affleck como o marido de uma mulher desaparecida, interpretada por Rosamund Pike – sob a ótica do Circuito Geral, futura candidata ao Oscar de melhor atriz.  
“Garota Exemplar” deve ser encarado como um filme em três, tamanha às surpreendentes reviravoltas presentes em seu roteiro, não dando chance ao espectador de ter a menor idéia sobre o término do suspense. Nem mesmo a competente trilha sonora por Trent Reznor - do grupo Nine Inch Nails - deixa transparecer o que estaria por vir. Consequentemente, não se trata de um filme óbvio, como já era esperado pelos sucessos anteriores de Fincher.
O longa faz jus ao seu tempo de projeção de cerca de duas horas e quarenta minutos, apesar de uma introdução e de um desfecho, ambos um tanto quanto arrastados, mas não menos instigantes do que o conteúdo da trama, caso conte com a atenção e compreensão do espectador quanto a sua riqueza diante da trama, que leva a todos à reflexão sobre a escolha de seus parceiros.


domingo, 9 de novembro de 2014

Manuscritos de Leonardo - Vertigem das Listas


Laboratório de movimentos, cujo resultado é destroçado por verborragia 

“Manuscritos de Leonardo”, criação e direção de Regina Miranda, transporta para o palco um laboratório de movimentos, dança, luz, música e composição de elementos - cujo resultado final é destroçado por uma verborragia totalmente dispensável, compreendida, mesmo por aqueles que se esforçaram muito para conectar as palavras às demais ocorrências em cena - numa tentativa de transcender algo que já era bom, em busca da arte pela arte, por pura vaidade pessoal. O volume do som da trilha musical, muito bem definida, por sinal, compete, em desigualdade de condições, com a projeção das vozes das bailarinas-atrizes ao declamarem o texto, tornando-os, em muitos momentos, incompreensíveis ou, até mesmo, inaudíveis dando uma conotação de que, de fato, são dispensáveis. É visível que Regina Miranda tem como meta apresentar algo inovador e que se diferencie dos espetáculos consagrados pelo Momix, por Deborah Colker e pelo Grupo Corpo, que se inovam a cada apresentação pela coreografia e ousadia, incorporando aos movimentos corporais ao som da música, o que fazem, brilhantemente, sem a necessidade de um texto.
O intervalo proposto pela produção do espetáculo se faz com a necessária retirada dos espectadores da platéia, com a escusa da troca do cenário visando à principal atração, nome do espetáculo, “Vertigem das Listas”. Em se tratando das apresentações no Teatro do Jockey do Rio de Janeiro, expõe o público a um constrangedor mini sarau poético apresentado por dois declamadores de textos de suas autorias e outros de poetas já consagrados, ocorrendo no diminuto “foyer”, onde os espectadores competem, em meio a cotoveladas e pés pisoteados, por um território que é invadido por pessoas que circulam em direção aos dois sanitários voltados para o recinto - verdadeiras fontes sonoras de fluxo de descargas das bacias sanitárias - por funcionários carregando baldes e vassouras para a sala de espetáculo e por crianças, inexplicavelmente presentes em se tratando de espetáculo com faixa etária recomendada para 16 anos – uma total falta de respeito, que só abriu as portas para evasões de alguns poucos pois, ao que parecia, muitos se tratavam de amigos ou familiares com os aplausos e gritos de “bravo” ensaiados desde a saída de seus lares.
“Vertigem das Listas” é outro show de dança, som, luz e movimento que sofre derrocada pela declamação de outro texto, igualmente desconectado – mesmo sendo, impiedosamente, uma adaptação da obra de Umberto Eco. Sofre da mesma forma que a apresentação anterior, com o duelo entre o som na caixa e as vozes das atrizes-bailarinas. Uma eventual solicitação por um breve resumo do texto e sua conexão ao que é apresentado no palco seria, no mínimo, um atentado à capacidade de compreensão e uma ameaça de constrangimento pessoal. Em meio a uma bela apresentação que envolve movimento, luz, música, composição cênica – ou seja, um trabalho que explora os sentidos ao extremo - melhor seria que as atrizes entrassem no palco mudas e saíssem caladas. Talvez seja a saída para uma tentativa de tornar o espetáculo menos enfadonho e mais palatável – uma verdadeira diversão, e não uma apresentação ideal para um eventual ensaio fotográfico.

Apesar de tudo, na ocasião das apresentações realizadas no Teatro do Jockey do Rio de Janeiro, os tropeços de “Vertigem das Listas” conectam-se com o trecho do poema de autoria de Alice Ruiz, declamado quando do constrangedor mini sarau no foyer do teatro durante o intervalo - “Saia do sério deixe os critérios, siga todos os sentidos, faça fazer sentido, pois a cada mil lágrimas sai um milagre”.

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domingo, 2 de novembro de 2014

Forrobodó – Um Choro na Cidade Nova


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Terça Insana - Adiós Amigos


Uma lacuna irreparável nos corações dos apreciadores do humor filosófico

“Terça Insana” se despede do público com sua temporada intitulada “Adiós Amigos”, dando seguimento às apresentações dos retalhos sociais costurados com afinadíssimo humor -  deixando órfãos vagando como zumbis em busca de cérebro que produza humor brasileiro dentro do padrão criado pela diretora e atriz Grace Gianoukas, que vem iluminando as temporadas do espetáculo, desde a sua primeira apresentação em 2001, na cidade de São Paulo. Desde então, “Terça Insana” arrebata fãs por onde passa, impingindo uma nova cara ao humor brasileiro - um humor, ácido, lisérgico, inteligente, criativo, original e constantemente renovado, tornando as apresentações repletas de atualidades.
Além da apresentação  de “Adiós Amigos” no dia 1º de novembro de 2014 no Teatro Bradesco na cidade do Rio de Janeiro, a trupe fará mais uma imperdível apresentação no dia 2 de novembro, no mesmo local, às 21h:00min. As duas últimas apresentações que finalizarão a turnê de 2014 ocorrerão em Joaçaba e em Lages - SC nos dias 8 e 9 de novembro, respectivamente.
A apresentação carioca do dia 1º de novembro contou com os brilhantes humoristas-atores-cantores Mila Ribeiro, Nilton Rodrigues, Thiago Du Guetto e  Luís Miranda, juntamente com a mentora dessa grande orgia humorística, Grace Gianoukas que encantaram a platéia com esquetes clássicos que edificaram a marca “Terça Insana” e com esquetes inéditos, que só comprovam o fôlego desse projeto -  a irmã bastarda de uma figura pública importantíssima nos País - Wilma; a Santa que todos nós sabemos que existe, mas não tem um dia para ela - Santa Paciência; os representante da nova classe C - Tiago Du Guetto, Dandara e a recenseadora Mundial; a pseudo cantora – Nana; a preguiça que mais parece esperar a morte chegar para ir de carona e a sensacional e geneticamente modificada, Madame Sheila, que dispensa apresentações.
Um palco clean e uma platéia cúmplice dos apresentadores humoristas compõem o cenário dos treze anos de “Terça Insana”, cuja turnê derradeira, “Adiós Amigos”, não deve ser encarada como o fim de um projeto que ousou levar à sério o humor em tempo de cólera. Como registro final, só nos falta uma sequência de DVDs em continuidade aos dois primeiros lançados, para que o termino prematuro desse projeto, em seu formato atual, não deixe uma lacuna irreparável nos corações dos apreciadores do humor filosófico.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O Incansável Dom Quixote

Vai além dos moinhos de vento e nos leva para uma realidade menos dura, mas não menos real


O espetáculo “O Incansável Dom Quixote”, por Maskin Oliveira, pode ser considerado uma versão pop do texto original de Miguel de Cervantes - O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha.
Brilhantemente dirigido por Reynaldo Dutra, o ator de seu próprio monólogo, Maskim é um surpreendente, encantador e carismático contador de histórias, que nos comove e nos faz rir, transportando toda a platéia, através de um portal delimitado por uma corda,  para a aldeia espanhola da Mancha, convidando-a a participar da loucura e esquizofrenia do protagonista que se deixa levar por sua imaginação e passa a viver num mundo ilusório em busca de um mundo melhor.
Apesar de sua atuação solo, a mágica atuação de Maskin leva o espectador à falsa percepção de um palco cheio de atores e animais coadjuvantes, diante do convincente gestual, das ricas figuras de linguagem e da precisa operação do desenho de luz assinado por Pedro Struchiner, que o leva para ora para Mancha como Dom Quixote, ora de volta ao palco como o contador de histórias - uma nítida impressão, durante os sessenta minutos do espetáculo, que todos os personagens se encontram dentro da linha ilusória delimitada por Maskin, até mesmo, o amor imaginário de Dom Quixote por Dulcinéia, tudo tão convincentemente interpretado por um único homem. Uma menção especial ao versátil figurino de Leonam Thurler, responsável por ser o único elemento concreto que remete a plateia à época em que se passa a história.
Maskin, tão incansável quanto intitulado é o seu protagonista, e com todo o seu vigor e talento, coloca o espectador no bolso e cria uma simbiose entre a fábula e a realidade provocando os mais diversificados sentimentos e reações por parte de cada um dos espectadores.

“O Incansável Dom Quixote” vai além dos moinhos de ventos e nos leva para uma realidade menos dura, mas não menos real.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A Mulher Sem Pecado - O FIlme



Estréia dia 04 de novembro no SESC Rio Casa da Gávea às 21H

Sinopse
Olegário vive preso a uma cadeira de rodas, ele é marido de Lídia, por quem demonstra um ciúme patológico. Na tentativa de controlar os passos da mulher, usa o motorista Umberto e a empregada Inézia como espiões. Mas os testes de Olegário acabam tendo um efeito contrário.

Direção e Roteiro: Jorge Farjalla

Garanta o seu convite em nossa página https://ello.co/circuitogeral

(sujeito à lotação)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Silêncio!




“Silêncio!” grita ao final do espetáculo

“Silêncio!” se passa na casa de uma tradicional família judaica onde um jantar, preparado por uma das filhas, visa à comemoração do aniversário da mãe, que coincide com um Shabat.
O auge do drama eclode quando o tema “as prostitutas judias polacas no Rio de Janeiro” vem à tona e impacta a todos, a partir do comportamento reacionário e preconceituoso da matriarca da família interpretado por Suzana Faini, cujo talento, marca de sua trajetória como atriz televisiva e teatral, dispensa elogios.  As interpretações não menos vigorosas do elenco de primeira linha, complementado por Alexandre Mofati, Gabriela Estevão, Jitman Vibranovsky, Karen Coelho, Verônica Reis e Vicente Coelho, comprovam a qualidade atemporal e provocativa do texto de Renata Mizrahi, dirigido eficientemente pela autora e por Priscila Vidca.  O espetáculo instiga o espectador, naturalmente, sobre as razões pelas quais a grande maioria dos encontros informais em família ou em datas definidas nos diversos calendários religiosos e pagãos, acabam, paradoxalmente, em desentendimento.
“Silêncio!” tem muito a dizer através dos diálogos, expressões faciais e gestuais dos personagens. A configuração do teatro em arena - no caso específico das duas temporadas estreadas no Rio de Janeiro; atualmente no Teatro Tom Jobim no Jardim Botânico até 26/10/2014 – permite a percepção dos semblantes entre os espectadores que participam silenciosamente do encontro familiar, diante do impacto que o texto lhes provoca, como se a história fosse suas. Essa sutil interatividade, intencional ou não, só foi possível pelas propriedades refletoras do piso, como elemento marcante do cenário assinado por Nello Marrese e pela iluminação de Renato Machado, projetada de forma difusa e seletivamente dramática quando necessária, revelando, a todos, durante o espetáculo, a presença de uma platéia em torno do palco. Finalmente, a ambientação não teria sido mais convincente e capaz de transportar todos para atmosfera familiar judaica com tanta eficiência, não fosse o mais que adequado figurino de Bruno Perlatto.
“Silêncio!” também pode ser traduzido nas rodas familiares como a negativa à abordagem de determinados temas tidos como tabus ou segredos de família, através do “Vamos mudar de assunto”. A introdução das judias polacas como tema da obra, mira num alvo e acerta noutro, não tão menos importante - a hipocrisia de uma sociedade constituída, não inerente à totalidade de seus indivíduos, mas a grupos que se consideram os defensores das tradições e respeito incondicional à família, mesmo que esse núcleo seja um nêmesis de suas convicções.
“Silêncio!” grita ao final do espetáculo, demonstra que nada tem apenas um lado e nos força a conhecer o outro.


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Estufa


Um trabalho imperdível, denso e repleto de sutilezas

“A Estufa”, espetáculo cujo texto de autoria de Harold Pinter é datado de 1958, encontra-se em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim sob a talentosa e brilhante, para não defini-la como indescritível, direção de Ary Coslov e encenado por um grande elenco criteriosamente escalado, composto por Mário Borges, Isio Ghelman, Paula Burlamaquy, Pedro Neschling, Marcelo Aquino e Thiago Justino – aqui relacionados segundo a ordem de entrada em cena.
A história, levada ao palco, pela primeira vez, em 1982, é repleta de simbolismos e se passa numa instituição que supostamente abriga pessoas perturbadas mentalmente ou prisioneiros políticos, representados por personagens de comportamento bizarro e onde a burocracia é levada ao extremo. Tudo isso inserido numa atmosfera cheia de mistério, violência e sexo, constantes no cotidiano de todos que ali trabalham e habitam. Porém, em plena noite de Natal, dois acontecimentos norteiam o desenrolar da história, quando um dos internos é encontrado morto e uma interna dá à luz a uma criança.
Coslov trata todos os itens técnicos e cada cena desse grande espetáculo com extrema minúcia, como se o comportamento de cada personagem contasse uma história à parte - uma profunda imersão naquilo que se define como arte teatral. Os atores comungam de talento, potência vocal, expressão facial e gestual impressionantes, tal e quais personagens de quadrinhos clássicos do início do século XX, surpreendendo e cativando a platéia com seus diálogos, muitas vezes, sem nexo e revestidos por sutil comicidade. O drama do espetáculo, vez em quando é quebrado por uma deliciosa trilha sonora selecionada por Coslov, tão estranha dentro do contexto quanto absurda a história é. Os elementos que compõem o cenário, também assinado pelo diretor, e os adereços cenográficos de Elísio Filho são selecionados e tratados criteriosa e escultoricamente, dispostos diante de um fundo infinito negro, e valorizados por Aurélio de Simoni que surpreende a todos com o seu riquíssimo desenho de luz cênica – destaque para as pilhas de processos junto à mesa de trabalho do personagem de Mário Borges e para o surreal relógio permanentemente iluminado como se fosse uma luz cheia e cujos ponteiros, de tempos em tempos, corrigem a hora certa sob o comando do pantomímico personagem de Marcelo Aquino. Coslov também ousa no jogo de luz e sombra, redimensionando a boca de cena, redefinindo as diversas formas do palco e transformando, até mesmo, sombra em cenário, com rara maestria. O figurino de Bizza Viana é preciso para cada um dos personagens e define suas personalidades – destaque para o par de sapatos usados pela personagem de Paula Burlamaquy, cuja cor vibra em igual intensidade da cor de seu batom.

“A Estufa” é um trabalho imperdível, denso e repleto de sutilezas a serem descobertas pelo espectador atento, antenado e consumista da arte que se apresenta em palco, graças a uma direção, um elenco e uma equipe técnica por detrás dos bastidores que promovem oitenta minutos de rara qualidade de lazer, durante os quais a história de Pinter toma rumos distintos, até desaguar num final intrigante, e cuja assimilação de cada detalhe se torna uma experiência pessoal e intransferível.