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sábado, 31 de janeiro de 2015

A Fila Anda


Nem toda a realidade é baseada em sonhos. 


Sonhos são voláteis, insaciáveis e, quanto mais sonhamos, mais desejamos sonhar. Ivete, a anti-heroína de “A Fila Anda”, interpretada por Mariana Marciano, coloca essa tese abaixo e prova que nem toda a realidade é baseada em sonhos. Marciano, também autora do texto e diretora do espetáculo, lança, involuntariamente, uma dúvida para a plateia sobre quem seria a personagem na vida real: ela mesma ou alguém que ela conhece muito bem. A não obviedade da resposta repousa no fato de que a história pode ser sobre qualquer pessoa que sonha com uma vida encantada, que deseja ter um amor de novela e que se alimenta de livros de auto ajuda – os quais, em sua maioria, ajuda na prosperidade da conta bancária de quem os escreve, às custas da falta de auto estima de quem os compra.
“A Fila Anda” diverte e mostra a busca do amor através de uma lente de aumento. Marciano é dona de mil caretas, gaiatos trejeitos e uma capacidade constrangedora de interação com o público - mesmo que o indivíduo eleito pela atriz esteja dentre os mais arredios e invisíveis espectadores que compõem a plateia. No aconchego de uma das salas de espetáculo do Teatro Midrash, no bairro do Leblon, o cenário define, de forma nada sutil, a personalidade de Ivete, em meio a uma mudança de casa, enquanto empacota os livros que sempre foram os seus companheiros. Portanto, são pilhas e caixas de livros que compõem a alma da personagem, além de objetos pessoais - um trabalho de ambientação que exigiu a notável sensibilidade do descolado Tom Pires. O figurino de Filomena Mancuzo, mesmo que em alguns momentos remeta a um vestuário quase circense, faz com que o espectador ria, de fato, da modelo Marciano naquelas vestimentas como se uma palhaça (no sentido cômico do nome) estivesse ali para contar fatos de sua vida sem graça, mas o suficiente arrancar sinceros risos e aplausos da plateia e a para garantir a lotação da sala de espetáculos.
Mas como diria Dalai Lama, segundo Ivete - “A Fila Anda” até que a bilheteria encerre as vendas dos ingressos para a sua última apresentação, no dia 2 de fevereiro de 2015.


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