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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Flores de Plástico



O vazio interior de uma mulher como berço do caos acalantado pelo lirismo.

A ópera multimídia – “Flores de Plástico” contou com  a presença do Circuito Geral em sua noite de estréia, na Sala Baden Powell no Rio de Janeiro, na quinta-feira, dia 22 de janeiro de 2015. Trata-se de um monodrama de autoria do compositor brasileiro João Macdowell, cuja montagem é assinada pela mezzo-soprano Clarice Prietto, que também interpreta a personagem Penélope.
“Flores de Plástico” retrata o vazio interior de uma mulher como berço do caos acalantado pelo lirismo. O projeto cenográfico, concebido por Sheyla de Castilho, é dotado de assepsia quase minimalista, mas incômoda, incorporando, nos extremos, a elegância de um piano de cauda e respectiva banqueta contrastando com um panejamento encobrindo a base dos instrumentos eletrônicos e como assento, uma desnuda e simplória cadeira plástica na cor branca. Mais próximo ao piano, duas peças de mobiliário remetem a uma pequena penteadeira e um puff díspares e, próximo ao teclado, um enorme pendente alusivo a um lustre, executado com material reciclado, assinado pela artista plástica Marina Vergara.
O instrumental fica sob a responsabilidade da pianista Maria Luisa Lundberg e do tecladista e sonoplasta DJ Leo Bruno – um complexo e rico mix de orquestração que, juntamente a videocenografia de Cila Macdowel, abstrata, desconecta e frenética dão liga e diretriz ao canto de Penélope, imerso no erudito com significante veia experimental e dissonante dramaticidade, expondo, de forma perturbadora, o seu psicológico e a sua personalidade, sem lógica óbvia, mas com nitidez ímpar.
A segura e confiante direção cênica de Bayard Tonelli trabalha o nipônico gestual de Clarice de forma a chegarem aos olhos dos espectadores de forma delicada, mas incisiva com forte presença de palco durante toda a trajetória de Penélope, desde a sua infância até a sua maturidade.
“Flores de Plástico” transformar o teatro, os espectadores e a história contada no palco em uma única instalação artística e nos faz entender o que Penélope, foi incapaz de compreender – que não há sentido na vida sem sentir, seja dor ou amor. 
O espetáculo é voltado para uma platéia seleta, que saiba apreciar a arte através da concepção dos seus criadores e que consiga encontrar qualidades, mesmo naquilo que não seja objeto de seu prazer pessoal.
A Sala Baden Powell estará aberta para mais uma apresentação da ópera no dia 29 de janeiro de 2015, às 20:00.

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