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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Nem Freud Explica


Uma vez intrigante e indefinido, colocando a condução de espectador em cheque

Insólita como as obras de Eugène Ionesco, a comédia da Cia Máscaras de Teatro de Curitiba – “Nem Freud Explica” – desenha o espetáculo como um jogo no qual personagens e espectadores podem ser a causa do problema ou, até mesmo, a linha pela busca do tratamento psicanalítico de um jovem paciente.
O texto de João Luiz Fiani, que além de diretor do espetáculo, interpreta o psicanalista Benjamin, exerce um atraente magnetismo sobre a platéia, com a dose certa de humor, fomentado pela instigante interpretação de Marino Jr, no papel de Frederico que, tomado por seu transtorno e de posse de uma habilidade de intervenção no psicológico alheio, consegue manipular os papéis e a condição entre analista e analisado.
O objetivo e seleto cenário de Leopoldo Baldessar - composto pelas essenciais peças de mobiliário de uma sala de psicanálise, o desenho de luz de Renato Jachinoski – que habilmente se alterna entre a funcionalidade e a dramaticidade, juntamente com a sonoplastia de grande efeito pontual de Marco Novack interagem com os personagens, num crescendo ao longo do espetáculo, fazendo com que o aparentemente óbvio se transforme em sutil originalidade.
“Nem Freud Explica”, contrariando algumas linhas da psicanálise, nos deixa uma pergunta pertinente: “Você já pensou em morrer de rir?” 
Mas o espetáculo vai muito além desse gancho, uma vez intrigante e indefinido, colocando a condução de espectador em cheque ao transferir o entendimento final da obra para o mais lúdico da comédia: nós mesmos.

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