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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Dzi Croquettes em Bandália


Uma ode à resistência e de que dias melhores podem nunca chegar

A história política e cultural de um país resumida em um espetáculo alucinante e debochado – dessa forma o Circuito Geral assimila o espetacular “Dzi Croquettes em Bandália”.
A partir de um humor inteligente e constrangedora irreverência, Dzi Coquettes usa a masculinidade para falar da fragilidade do ser humano a partir de atores e bailarinos que instigam, incitam, excitam e divertem, fazendo com que o espectador sinta nos nervos os efeitos nocivos promovidos por censuras ditatoriais atemporais.
Dzi Croquettes exala testosterona e encara qualquer tipo de preconceito ou preceito, como numa luta pela proibição ao ato de se proibir. A concepção, texto e direção do espetáculo por Ciro Barcelos são decisivas para o seu sucesso. O criterioso, preciso e despojado projeto cenográfico assinado por Pedro Valério, atende de forma funcional as marcações de cena e ao estratégico posto de Demetrio Gil – que além de incorporar um dos personagens, é diretor musical e responsável, juntamente com Flaviola, pela eletrizante trilha sonora. Claudio Tovar, através de seu figurino, orna os artistas surpreendentemente, com roupas e adereços - em sua maioria, dotados de extrema feminilidade – sem roubar-lhes a força de sua masculinidade. Colorindo a boca de cena, sob os efeitos de uma atmosfera esfumaçada, quase que permanente, o desenho de luz, de Aurélio de Simoni - sujo e friamente, compõe de forma seca e deslumbrante todas as impurezas que um ser humano é capaz de despejar nos oprimidos, acompanhando e abrilhantando a “pièce de résistance” do espetáculo – a coreografia assinada por Ciro Barcelos, Lennie Dale e convidados.

Os minutos finais de “Dzi Croquettes em Bandália” são tomados pelo resumo de todas as expressões artísticas presentes no espetáculo, quando derramada sobre a plateia a emocionante declamação de “Borboletas também Sangram”, de Bayard Tonelli, por ele mesmo, incorporando uma bizarra e encantada personagem -  uma ode à resistência e de que dias melhores podem nunca chegar, mas o fim do espetáculo, infelizmente, sim.

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