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quarta-feira, 11 de março de 2015

Cássia Eller - O Musical



Como bem a descreve, sua companheira Maria Eugênia: “Um cometa que passou em nossas vidas”.

Ao entrar na sala de espetáculo do Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, o público é recebido e impactado pelas grandiosas proporções dadas à descortinada boca de cena, promovidas pelo pano de fundo do cenário - timidamente iluminado e habilidosamente executado com requintes de uma instalação artística, a partir de material que não peca pelo seu inusitado despojamento e cujo efeito visual remete a superfícies rochosas - concebido por Nello Marrese e Natália Lana. Em sua base, repousam os instrumentos de uma banda, em total conformidade com as expectativas de todos, como se capazes de pressupor o que, dali, iria rolar. Contemplando o minimalismo conceitual nas boas vindas dadas ao público, “Cássia Eller – O Musical” traduz e preserva a essência tímida e simples da protagonista, mas se agiganta, de forma surpreendente ao longo do espetáculo, comovendo toda a plateia.

O musical idealizado e sob a direção de produção de Gustavo Nunes, com base no dinâmico texto de Patrícia Andrade, é turbilhonado no palco, sob a habilidosa direção de João Fonseca e Vinícius Arneiro. Não bastasse seu competente trabalho junto a Tacy de Campos, a dupla de diretores desmembra, mágica e ludicamente, os demais impecáveis e versáteis seis atores - Eline Porto, Emerson Espíndola, Evelyn Castro, Jana Figarella, Jandir Ferrari e Thainá Gallo - em vinte personagens. A capacidade de interpretação e a dinâmica de palco de cada um, juntamente com o prático e adequado figurino assinado por Marília Carneiro e Lydia Quintaes, lhes permitem metamorfoses, quase instantâneas, além das tarefas adicionais de posicionamento e remoção dos elementos complementares de cenografia do palco. O recurso é sutilmente viabilizado pelo coordenado jogo de luzes que transforma os atores em meras silhuetas circulantes, em contraste com a luz difusa promovida pela translucidez do pano de fundo do versátil cenário. Tal operação demonstra, mais uma vez, a personalizada e constante renovação do desenho de luz de Maneco Quinderé, em atendimento às demandas da produção, através de efeitos luminotécnicos e cromáticos que verticalizam cenas, que definem a temporalidade da história e que permitem transpor os limites do palco para o centro da plateia – numa alusão à grandiosidade de um Rock in Rio - fontes de luz são estrategicamente posicionadas onde fachos são potencializados pela permanente atmosfera esfumaçada durante todo o espetáculo. Pincelando artisticamente as faces e corpos da trupe, o visagismo de Beto Carramanchos garante a identidade física dos papéis, enquanto que, Márcia Rubin dirige seus movimentos com especial semelhança aos personagens na vida real.

O subtítulo do espetáculo é respaldado pelas explosivas e irretocáveis direção e codireção musical de Lan Lan e Fernando Nunes, respectivamente, que, em função da experiência profissional que tiveram junto à protagonista, imprimem, com total segurança, a marca da renovação nas interpretações das trinta e quatro músicas contempladas pelo roteiro musical, sem que, com isso, percam a autenticidade do espírito dos artistas que, através desses sucessos, se expressaram no passado - em especial, Cássia Eller.

Seguindo a linha do despojamento e da simplicidade inerentes à protagonista, a competente banda se expõe, empaticamente, no fundo do palco e aos olhares de todos da plateia, como verdadeiros parceiros de todo o elenco, enquanto equipe de espetáculo, composta pelo pianista Felipe Caneca, pelo baixista Pedro Coelho, por Diogo Viola no violão elétrico, pelo baterista Maurício Braga e pelo violinista Fernando Caneca.

“Cássia Eller – O Musical” é uma obra intensa, alegre, saciante e repleta de emoções, que discorre, sem polêmicas e, essencialmente, sobre a efêmera trajetória da vida artística e afetiva de Cássia, mas não menos eterna, por aqueles que, de forma ou de outra, tiveram suas vidas tocadas pela sua voz - como bem a descreve, sua companheira Maria Eugênia: “Um cometa que passou em nossas vidas”.


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