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terça-feira, 17 de março de 2015

Piaf! O Show


Grandes momentos capazes de tirar o fôlego de todos os presentes.

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi palco, nos dias 14 e 15 de março de 2015, da meteórica temporada de “Piaf! O Show” – espetáculo escrito a partir de roteiro de Gil Marsala, dirigido por Remy Dell’Ajuto, produzido por Poladian e estrelado por Anne Carrere, uma jovem e polivalente artista que revive os sucessos de umas das maiores divas da música francesa, descoberta em 1935, pelo então gerente do cabaret Le Gerny’s, situado na avenida Champs Élysées, em Paris – Édith Piaf.

Longe de ser um musical que discorre sobre a vida íntima e pessoal da protagonista, “Piaf! O Show” transporta toda a plateia do suntuoso Theatro Municipal do Rio de Janeiro através da trajetória de sua produção artística, cronologicamente ilustrada a partir de fotografias históricas e de localidades que coincidem com os momentos dos seus sucessos – recurso concebido por meio de sutis projeções no fundo de cena, cujo brilho fora cuidadosamente dosado e atenuado de modo a não competir com os elementos principais do espetáculo, por sua vez, dividido em dois atos.

O primeiro conduz os espectadores, lentamente, a uma imersão, quase hipnótica, na produção artística de Piaf, a partir de quando passou a cantar nas ruas do bairro de Montmartre, em 1930.

No segundo, entoando os sucessos da diva, já consagrada internacionalmente, Anne Carrere consegue a façanha de levar toda a plateia a um inesperado e surpreendente delírio emotivo. Sua doce e faceira presença de palco cativa a totalidade dos espectadores, mesmo aqueles localizados no nível mais alto da galeria do teatro, atingindo os sentimentos arraigados em cada um dos presentes com sua potente voz e vigorosa interpretação das músicas da inesquecível protagonista.

O cenário concebido, devida e intencionalmente simples, reserva, num extremo, junto a um banco de praça, um epicentro instrumental, contemplado pelo piano - por Arnaud Fuste, pelo contrabaixo – por Nicolas Luchi, pela percussão e bateria – de Laurent Sarrien, e por aquele que caracteriza a atmosfera romântica francesa, o acordeão – por Guy Giuliano, que percorre todas as estâncias do palco, contribuindo para com a composição, quase pictórica, das cenas concebidas por Dell’Ajuto. No outro extremo, um poste de luz junto a um conjunto de peças de mobiliário que remete a um café – local onde se passa algumas das mais encantadoras cenas, concebidas de forma tal que toca profundamente no coração do público. O desenho de luz acentua a dramaticidade presente na maioria das composições de Piaf, ao mesmo temo que lança fachos de luz dançantes que rodopiam por todo o palco como num salão de baile. O figurino não poderia ser mais francês, completando a ambientação necessária para a transposição da percepção dos espectadores para além da sala de espetáculo - diretamente para o mundo de Piaf.

Incapaz de ocultar suas emoções quanto à receptividade do público carioca, Anne Carrere enxuga lágrimas de seu rosto, esboça expressões de êxtase através de seu jovial e incontido sorriso e acena para o público em sinal de profundo agradecimento pela audiência e pelos genuínos e emotivos aplausos ao final de cada número musical, dentre “La Vie en Rose”, “Jézebel”, “Milord', “Hymme à l'amour” e “Non, Je Ne Regrette Rien”. A alegria estampada no semblante de Carrere, mostra, nitidamente, a sua satisfação e alegria em prestar a sua homenagem à pardalzinho, com seu esplendoroso trabalho.

Encerrando esta resenha, o Circuito Geral – sob a ótica do observador se dá o direito de preparar o grande público para o que lhe espera, tendo em vista, o primeiro ato ser um galopante aquecimento para o segundo, e que neste, estão reservados os grandes momentos capazes de tirar o fôlego de todos os presentes.

“Piaf! O Show” continua com a sua turnê, definida para o mês de março, da seguinte forma: dia 17 – no Bourbon Country, em Porto Alegre; dia 19 – no Teatro Positivo, em Curitiba; e nos dias 20, 21 e 22 – no Teatro Bradesco, em São Paulo. Devido ao sucesso de bilheteria no Rio de Janeiro, a Poladian Produções anuncia o retorno do espetáculo à Cidade Maravilhosa, em maio de 2015.

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