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domingo, 8 de março de 2015

Sexo, Drogas & Rock 'N' Roll



Um grande jogo de espelhos, onde o espectador pode ou não se ver refletido.

O conceito do politicamente correto é posto em cheque, de forma elegante, inteligente e regado à ironia peculiar de seu porta-voz, Bruno Mazzeo.
Exercendo com extrema habilidade a sua capacidade de diálogo, tanto com a plateia quanto com personagens virtuais, Mazzeo dá vida a seis personagens, levando o público à reflexão quanto ao grau de culpa que cabe à geração X  ao nos fazer engolir sua prole - geração Y, que por falta de conhecimento e respeito ao próximo, não tem a menor idéia de como lidar com a sua herdeira – a ditadora geração Z – todas presentes no palco, de forma direta ou indireta.
Geração que gera gente folgada, como o menos favorecido que se acha no direito de ameaçar a sociedade - nesse caso, a plateia, que se omite em ajudá-lo com alguns trocados, justificados pela máxima: “em vez de pedir, poderia estar matando”.
Geração que gera gente inútil, como o Rock Star que só pensa no próximo se este tiver um beck para lhe oferecer.
Geração que gera gente sem limites, como o jovem sem a menor noção da essência da palavra respeito.
Geração que gera gente egoísta, como o empresário que só valoriza as pessoas se lhe possam retornar algum lucro.
Geração que gera gente arrogante, como o morador da Barra da Tijuca que se sente péssimo quando não consegue ostentar.
Geração que gera gente cínica, como o artista em crise com a arte.
Finalmente, geração que não gerou gentileza – resumo esse que representa a compreensão do Circuito Geral das entrelinhas transmitida pelo espetáculo, não só pelo incrível e instigante texto de Eric Bogosian, sob a dinâmica direção de Victor Garcia Peralta, potencializando a capacidade de domínio do palco e do público por Mazzeo - tudo ao mesmo tempo agora. Fazem parte desse empenho: o vídeo de abertura e os sequenciais do espetáculo, por Rico e Renato Vilarouca,  contemplando linguagem e requintes como as de um programa televisivo transportado para o palco; o cenário minimalista e cromaticamente bem definido por Dina Salem Levy, promovendo o devido destaque ao foco do show; o desenho de luz, por Daniela Sanchez que acompanha e define os esquetes; e finalmente, a trilha sonora, por Plínio Profeta, que endossa o título dado ao espetáculo.
“Sexo, Drogas & Rock ‘N’ Roll” é um grande jogo de espelhos, onde o espectador pode ou não se ver refletido através das gargalhadas de concordância e risos soltos alheios ao texto, para cada tiro dado ao que consideram politicamente correto para si, mas não tão corretamente para com o próximo.

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