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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Closer - Perto Demais


Carga de realismo e da pluralidade de sentimentos capazes de fazer com que um estranho qualquer, esteja simplesmente assistindo ao espetáculo ao seu lado, ou indo para casa, no seu carro

De longe, aparentemente, todos são normais - até que a proximidade retrate a sua essência, a ponto de se questionar a existência dessa tal normalidade. 

Daniel é um jornalista encarregado da seção de obituários e domina a técnica de redigi-los de tal forma a dar o devido valor a quem já morreu – a despeito do fato de que, nem sempre, as pessoas sejam boas, os amantes sejam amados, os pares formem um casal.

Anna é uma fotógrafa que registra closes de desconhecidos, com rostos que estampam seus sentimentos, aproximando fantasiosamente a fotógrafa criadora do seu modelo criatura - cuja existência depende de sua expressão diante das lentes para um close.

Larry é um dermatologista que lida com o envoltório de seres humanos cuja superficialidade se reflete com a maneira com que se aproxima deles em busca de satisfação sexual, através de chats de encontros – instrumento do qual se utiliza, de forma antagônica, para manter contato à distância.

Jane é uma stripper cujo corpo é o seu templo - e talvez a única fonte de certeza de quem ela é, quando despida de qualquer sentimento amoroso.

O amor em “Closer – Perto Demais” – espetáculo adaptado e dirigido emblematicamente por Andrea Avancini, é um grande jogo de lentes, flashes e de fundo infinito, como num ensaio fotográfico, através do qual, a cada clique, se passam dias, semanas e anos. Tal sutileza não teria sido tão bem retratada não fosse o competente projeto de luz de Ricardo Fujii, o que poria a perder a compreensão do texto original de Patrick Maber que, de tão complexo e frívolo, beira à genialidade. Contudo, o crédito à iluminação não se desconecta da concepção cenográfica de Jairo de Sender que viabiliza a diversidade espacial definida ao longo do texto através de um fundo infinito, base do trabalho de Fujii, e da versatilidade de peças de mobiliário que segue a linha do “menos ser mais”. O figurino de Jô Resende cumpre eficientemente seu papel, caracterizando os personagens de acordo com seu estilo e perfil profissional.

Os estranhos anteriormente descritos são interpretados de forma robusta e tecnicamente sensuais por Rafael Sardão, Paula Moreno, Luciano Szafir e Karen Mota, respectivamente. 

“Closer – Perto Demais” é surpreendente ao deslumbrar o espectador com uma história que teria tudo para ser romântica, mas que, de fato, o faz pela exposição da carga de realismo e da pluralidade de sentimentos capazes de fazer com que um estranho qualquer, esteja simplesmente assistindo ao espetáculo ao seu lado, ou indo para casa, no seu carro.

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