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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Consertam-se Imóveis


Psicopatia do sofrimento em grupo

“Psicopatia do sofrimento em grupo” – dessa forma o Circuito Geral define “Consertam-se Imóveis”, peça sob direção de Cynthia Reis, contemplando o cotidiano de uma família na qual todos são patologicamente perturbados e retratando a total falência das relações interpessoais, a partir de indivíduos conectados a uma única obsessão - poupar da verdade, uma mulher que com base na observação do comportamento dos personagens em cena, possivelmente, teria sido a responsável pelo desenvolvimento da mitomania no seio daquele núcleo familiar.
O desenrolar da história tende para um drama com foco no campo de visão de seus personagens em torno de uma mesa de refeições, orbitada por outros elementos cenográficos cuja localização é precisamente definida e delimitada por marcações no palco, executadas in loco quando da entrada do público na plateia, numa alusão à estaticidade de cada um dos personagens, imobilizados dentro dos limites de seus próprios territórios.
Na atual temporada, com apresentação na sala multiuso do Teatro Sesc – Copacabana, os recursos da iluminação cênica são bem explorados e criativos diante das limitações do espaço, contudo, se mostra, muitas vezes, em descompasso com as marcações de palco. Percebem-se falhas - ou resquícios intencionais por parte da direção - nas operações de contrarregras, tão notórias quanto o passar de semanas, após as quais ainda se pode visualizar objeto de cena já ocorrida e que, em dado momento, já se encontra fora do contexto. Com especial destaque, “Psicopatia do sofrimento em grupo” oferece uma original trilha sonora executada, ao vivo, pelo violoncelista Frederico Puppi, dramatizando as cenas num clima de horror suspense. Quanto à configuração física do teatro, contemplando palco e plateia, a modalidade escolhida para a disposição dos assentos não foi das mais felizes, devido à pouca declividade da plateia, prejudicando, em muito, a visibilidade dos espectadores ocupantes das filas de cadeiras que não aquelas imediatamente junto ao palco, por sua vez, ao “res do chão”. Sob a ótica do espectador, o Circuito Geral se permite sugerir uma sintonia fina com relação aos pontos observados, que podem receber atenção especial da direção, se não nesta, em futuras temporadas.
Apesar dos esforços empenhados na produção de “Consertam-se Imóveis”, a começar pelo texto de autoria de Keli Freitas, a temática sobre a falta de perspectiva diante da vida e a intimidação diante da morte, longe de ser perturbadora e instigante dificilmente conduz o espectador à reflexão após o término da apresentação, fazendo com que leve consigo um vazio como produto final daquilo que assistiu – o que pode ser considerado intencional e louvável por parte da produção, como aquela carga emocional que faz valer um espetáculo.

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