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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Fim de Semana em Paris


Embarca os espectadores numa viagem inquietante, conformista, realista, extenuante e nostálgica

Que casal não ficaria deslumbrado com a possibilidade de celebrar seus trinta anos de união, na Cidade Luz?

O filme “Fim de Semana em Paris” apresenta um rol de motivos para que uma comemoração dessa natureza acabe em fiasco – a maturidade sem a menor perspectiva de progressão na vida; a rotina do casamento devastada pela falta de admiração pelo companheiro; os filhos que, após crescerem, deixamde ser uma graça divina e não conseguem se sustentar sem a suposta obrigatória ajuda de seus abençoados progenitores; a deterioração do desejo manifestada por um ou por ambos os cônjuges; a falência financeira; e para finalizar, a busca por um culpado pelas suas próprias carências.

Através desse cenário, “Fim de Semana em Paris” embarca os espectadores numa viagem inquietante, conformista, realista, extenuante e nostálgica, no sentido negativo deste último. Apesar de sua temática, o filme, sob a direção do veterano Roger Michell, se sustenta pela sua convincente retratação da incapacidade de um casal se manter unido, não pela total falta de amor, mas lamentável e não raramente, por pura acomodação e inércia.

Jim Broadbent e Lindsay Duncan dão vida aos personagens Nick e Meg, de forma natural e sem maneirismos, despojados de qualquer intenção de criarem empatia junto ao espectador, mas sim fazê-lo refletir sobre as diversas bases que sustentam um relacionamento onde a mediocridade é uma linha tênue entre a felicidade e o final feliz.

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