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terça-feira, 21 de abril de 2015

Mas Por Quê??! A Historia de Elvis


É brilhante e emocionante

“Morte - mas por quê?; Bichinhos também morrem - mas por quê?; Morreram e foram para o céu - mas por quê?” - são perguntas inocentes com direito a respostas infantilóides, tais como: “Papai do Céu chamou”; “Virou uma estrelinha”; “Transformou-se num anjinho”.

Na contramão de tudo isso, entra em cartaz, no Teatro NetRio, “Mas Por Quê??! A Historia de Elvis” -  um espetáculo substancial para crianças, jovens e maiores de idade. O conto interage com os espectadores, promovendo uma percepção menos esquizofrênica dos adultos que costumam assumir que, para se proteger, se faz necessário mentir, apelando para o sobrenatural para explicar o natural da vida.

A partir de uma direção impecável, Renato Linhares abusa da irreversibilidade anti-maniqueísta, com maturidade ímpar, em se tratando de uma obra classificada como infantil. O respeito apregoado às mais diversas faixas etárias de espectadores é um diferencial no texto de Rafael Gomes e Vinicius Calderoni, que de tão bem concebido, pode ser classificado como o núcleo de uma das mais belas montagens do gênero. O mágico cenário idealizado por Bia Junqueira encobre toda a boca de cena que se transforma, ludicamente, ao longo do espetáculo, em formas de sabedoria e conhecimento de causa. A iluminação de Luiz Paulo Neném oscila entre o espectro que vai da neutralidade até a apoteose - encantadora, em especial, quando dos momentos musicais. No mesmo ritmo em que formas e cores pululam no palco, a trilha sonora é outra sacada da produção composta por Felipe Lima e Mariana Serrão, que lança mão dos sucessos de Elvis Presley para embasar a moral de cada interação entre a pequena Cecília - personagem interpretada por Letícia Colin, que não entende o motivo de seu passarinho ter morrido – e seus quatro mais recentes conhecidos: Gilda - interpretada de forma suave e reveladora por

Júlia Gorman; Sebastião - bicho de pelúcia dotado de muito swing, incorporado por Pedro Lima; Max - pirata desempenhado por Marcel Octávio, tão pueril e ativo quanto tivesse o personagem pulado das páginas de um conto infanto-juvenil; e Lili - amiga imaginária de Cecília que se torna real na pele da divertida e carismática Simone Mazzer, que com sua interpretação, lança um desejo nostálgico nos adultos de voltar a ser criança para tê-la como uma amiga imaginária. Injusto seria despejar todo o mérito do musical em Mazzer, uma vez que, apesar das incríveis apresentações individuais de cada um dos personagens, o vocal em conjunto, acompanhado pelo instrumental de primeira, presenteia a plateia adulta e prepara a infanto-juvenil com o que de melhor um espetáculo daquela especificidade pode oferecer.


“Mas Por Quê??! A Historia de Elvis” é brilhante e emocionante, deixando metade dos olhos do Circuito Geral debulhados em lágrimas e nos trazendo à baila uma frase de Shel Silverstein, que traduz o que acontece no Theatro Net Rio, aos sábados e domingos, até o dia 10 de maio de 2015, às 16:30 - “Não existem finais felizes, pois o fim é sempre a parte mais triste”. A partir dessa máxima, o Circuito Geral demanda da produção um “Feliz Meio e um Começo mais legal ainda” - que se repitam as apresentações de “Mas Por Quê??! A Historia de Elvis”, por muitas e muitas temporadas.

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