Counter

sábado, 25 de abril de 2015

STOMP


Endossando seu profissionalismo artístico às custas de muito barulho


Ruído, ritmo, cadência, harmonia, barulho – muito barulho. Essa é a tônica da performance do grupo de percussão STOMP – que se apresenta dentro de um formato de show inusitado no qual, qualquer coisa que esteja ao alcance das mãos e dos pés de seus performadores, se torna fonte e efeito sonoro.

Diante de um cenário que remete a um ferro velho – cuja composição artística se enquadra no sonho de consumo para ambientação de qualquer loft nova-iorquino - os oito percussionistas da trupe desta temporada no Brasil que acumulam uma sorte de outros talentos, desempenham suas habilidades coreográficas, malabaristas, comunicativas e criativas, através de uma série de esquetes impregnados de autêntico bom humor.  Seis homens e duas mulheres – cada um deles dotados de forte caráter e estilo próprio, denunciados pelos seus desempenhos comportamentais e figurino - instrumentam latas, latinhas e latões, caixas e bastões, bolas e câmaras de ar, sacos plásticos, de papel e jornais, bancadas e pias de aço inox, tambores plásticos, sifões corrugados e isqueiros, carrinhos de supermercado, areia, água e até o próprio ar, para que deles sejam tirados os mais incríveis efeitos de som e acústica. Bater palmas, estalar dedos e sapatear são outros recursos que os componentes do grupo lançam mão para apresentação de diversos outros números e para interagirem com a plateia - cuja participação acaba transformando a sala de espetáculo numa enorme caixa acústica. De volta ao monumental cenário, trata-se nada mais, nada menos de uma gigantesca bateria verticalizada, onde utensílios plásticos e metálicos pousados em plataformas e pendurados na estrutura daquela instalação, são todos partes de uma insólita estação musical. Toda aquela ação presente no palco é precisamente acompanhada pela projeção de multicoloridos focos de luz, cujo projeto e operação são tão ritmados quanto as mais variadas partituras sonoras e respectivas coreografias processadas pelos artistas.


Hipnotizado pela experiência sensorial pela qual se entrega durante o literal espetáculo, no Teatro Bradesco Rio, no dia 23 de abril de 2015, o Circuito Geral não pode dissociar o estado da arte das performances do STOMP com o transe apoteótico provocado pelas baterias carnavalescas e com as origens embrionárias das batidas apresentadas no palco, não tão distantes, daquelas uma vez personalizadas por Cyro Monteiro – ao ritmar suas canções acompanhado por uma caixinha de fósforos – e por Miriam Batucada, cuja o nome se deve ao fato de cantar seus sucessos batucando em objetos e mesas ou simplesmente com as mãos. Diante de tudo isso, nos permitimos inferir que o grupo não poderia ter sido melhor batizado, mas com a nomenclatura da língua inglesa que define, onomatopeicamente, o ato de projetar os pés de forma violenta contra o chão ou qualquer outra superfície, causando um estrondoso STOMP – endossando seu profissionalismo artístico às custas de muito barulho.

https://www.facebook.com/curtocircuitocultural

Nenhum comentário:

Postar um comentário