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domingo, 31 de maio de 2015

Como a Gente Gosta


Excesso de informações pode ser responsável por uma eventual dispersão da atenção da plateia

Irmão mais novo usurpa o poder de irmão mais velho, cria a filha dele juntamente com a sua; filha do irmão mais velho se apaixona por filho do melhor amigo de seu pai – dá-se início ao espetáculo “Como a Gente Gosta”, baseado no texto de William Shakespeare, “As You Like It”, sob a direção de Vinícius Coimbra. A partir de então, o turbilhão de papéis shakespearianos toma o palco do Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, composto por duque, nobres, cortesão, criados, bobo da corte, vigário, pastores, camponesas, e caçadores.

“Como a Gente Gosta” restitui aos palcos, Pedro Paulo Rangel e Camilla Amado, após mais de quarenta anos sem trabalharem juntos no teatro e conta, em seu elenco, com outros nomes da dramaturgia - Priscila Steinmann, Gabriel Falcão, Patrícia Pinho, João Lucas Romero, Alexandre Contini, Xando Graça e Jitman Vibranovski.  A livre tradução de Coimbra e Gabriel Falcão e as letras das músicas contemporâneas inseridas, por diversas vezes, podem ser tomadas pelos espectadores como improvisos dos personagens, com vistas a potencializar o humor da dramédia. O projeto cenográfico e o figurino de Coimbra valorizam a simplicidade como fonte do processo cognitivo do “saber ver teatro”, contudo – o primeiro, através de uma sequência de esbeltos troncos alusivos a uma floresta, competem visualmente com o expressivo número de personagens em cena; o segundo, a partir de vestes contemporâneas, cujas camisetas estampam a identidade dos personagens, que não se bastam como instrumento de suporte à leitura dos papéis pelo espectador ao longo das inúmeras sequências de cenas. A complexa linguagem do texto aliada ao excesso de informações pode ser responsável por uma eventual dispersão da atenção da plateia, estendendo-se ao desenho de luz de Paulo César de Medeiros, que não poupa a visão do público das inúmeras e incompreensíveis alternâncias cromáticas - em muitos momentos, de intensidade extremamente ofuscante a partir de um fundo infinito que toma toda a parte posterior da cena.

Espetáculo consumado, o Circuito Geral respeita, mas leva consigo suas impressões quanto à produção de “Como a Gente Gosta”, bem no estilo “como eles gostam” e as frases integrantes do texto original da obra – "O mundo é um palco, e homens e mulheres, não mais que meros atores. Entram e saem de cena e durante a sua vida não fazem mais do que desempenhar alguns papéis."


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