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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Eu e Ela

A vida não é isso tudo

“Eu e Ela” - espetáculo cujo texto é assinado por Guilherme Fiúza, estreante na dramaturgia teatral - é coestrelado por uma personagem um tanto quanto asquerosa: uma Barata que, por sua vez, é antagonizada por Bárbara - uma mulher solitária, sem amigos, mãe de uma filha ausente, esposa de um marido infiel e que leva uma vida profissional medíocre – interpretada, com muito humor, por Claudia Mauro.

A direção de Ernesto Piccolo dinamiza o timing do espetáculo, apesar do despretensioso, mas enigmático texto de Fiúza, que provoca risos na platéia e que passa a impressão de que existe algo mais nas entrelinhas naquilo que se passa no palco - constatação essa que pode não eclodir no decorrer do espetáculo mas talvez, na santa paz de seus lares, quando encurralados e reféns do onívoro inseto ao vivo e à cores ou figuradamente, expondo a falta de coragem de encarar a vida como ela é.

O sintético cenário desenha um apartamento idealizado por Clívia Coehn e que toma proporções claustrofóbicas e fundamentais para a exposição de uma histérica e desequilibrada psique e que também é o local onde, juntamente com “ela”, Bárbara toma as rédeas de sua vida. A iluminação de Tiago e Fernanda Mantovani se faz presente com qualidade e profissionalismo, definindo a dualidade simultânea presente da comédia e do drama, nas cenas de descontrole e de angústia, que retratam uma trajetória que passa pela depreciação humana em direção a uma “queda de ficha”.

“Eu e Ela” manipula qualitativamente o humor como ele deve ser - leve, reflexivo e com conteúdo, endossando o que é profetizado pela pensadora - a Barata, interpretada requintadamente, através de técnicas circenses, por Stella Brajterman: “a vida não é isso tudo”.


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