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sábado, 16 de maio de 2015

Eu Te Amo


Prima pelo diálogo ágil, inteligente e, acima de tudo, mostrando que o amor não precisa ser piegas

Paulo foi abandonado por Bárbara – assim dá-se início ao espetáculo “Eu Te Amo”, uma adaptação do texto de Arnaldo Jabor.

A história se passa no apartamento de Paulo - um cineasta falido, recém separado - ambientado de forma muito simples: uma cadeira estilo diretor, um frigobar, uma pilha de livros e uma cama estilizada, caracterizando a falta de estabilidade emocional, econômica e de perspectiva de vida do personagem. Como pano de fundo, uma sequência de coxias direcionando os olhares da platéia para uma tentativa de fundo infinito - não fossem por indesejáveis irregularidades provocadas pelas costuras do tecido, realçadas de forma infeliz pela incidência da iluminação – conjunto esse onde são projetadas ora cenas de paisagem do Rio de Janeiro, ora os rostos das personagens femininas da história, ao mesmo tempo em que são sonorizados seus scripts específicos – um toque construtivo visando a uma sintonia fina por parte da direção.

Abrindo o espetáculo, o desabafo em off da bela Bárbara, interpretada por Ana Markun, transmite todas as suas neuras, revoltas e principalmente desamor de forma visceral e sincera, na intenção de apagar Paulo definitivamente de sua vida – intenção essa que atinge de forma pungente o personagem, interpretado, artisticamente amadurecido, por Marone. A partir de então, a essencial e intransferível sensualidade toma conta do palco, sem assumir qualquer traço erótico, apesar da exposição do torso desnudo de Marone durante boa parte do espetáculo e dos flashes de nudez parcial de Maria/Mônica, incorporada provocante e elegantemente por Juliana Martins. A sintonia entre os dois atores é um espetáculo à parte, tamanha a dignidade e profissionalismo com que conduzem as cenas nas quais se envolvem comercial, sexual e emocionalmente, passando longe de qualquer conotação erótico pornográfica, mas transmitindo à platéia a evolução de uma relação na qual, o sexo é fundamental, mas não essencial.

A direção de Rosane Svartman e Lírio Ferreira transforma os dois atores em um só personagem, de forma emblemática quase surrealista, tudo embebido de culpa, tristeza, solidão, falta de amor, desilusão e todos os outros males do coração, possíveis e imagináveis.

“Eu Te Amo” prima pelo diálogo ágil, inteligente e, acima de tudo, mostrando que o amor não precisa ser piegas – basta pagar para ver.

Resenha publicada no dia 15 de janeiro de 2015-05-08

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