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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Isto Não é Uma Guerra


Um bunker repleto de nada, prestes a ser detonado por aqueles que estão do lado de fora

Seguindo os moldes de uma graphic novel, a peça “Isto Não é Uma Guerra”, idealizada pelo grupo teatral “Os PataPHísicos” e dirigida por Raphael Vianna, contempla a estaticidade das cenas de diálogos, o dinamismo sugerido pelas cenas de confronto corporal, a fragmentação sequencial dos episódios e a violência, sempre presente nas HQs.

Estrelado por Edson Santiago, Henrique Juliano, Henrique Trés e Raphael Janeiro - que também assina o texto – e da participação em “voz off” de Marcos Caruso, o roteiro é estruturado a partir de uma verborragia, muitas vezes incompreensível, mesmo para os mais atentos ao display luminoso que indica o tempo que cada personagem vai ao encontro ou se desencontra de suas próprias ideologias. Estas, por sua vez, são os focos principais do Movimento Anti-Belicista de Reclusão - que deveria ter como base a não violência – mas que, por divergências ideológicas e diante das dificuldades na aquisição de insumos básicos para a subsistência dos quatro manifestantes, se transforma num sequencial de ameaças de disparos à queima roupa e de tortura em nome, acima de tudo, do poder. O conflito se passa num claustrofóbico bunker, cujo modus operandi político administrativo, guardadas as devidas proporções, se assemelha, em muito, à realidade do mundo exterior em que vivemos.  

A cenografia e o desenho de luz encabeçados por Raphael Vianna fazem parte de um único projeto, refletindo com a simplicidade da geometria dos elementos cenográficos e de cores promovidas pelas diferentes fontes de luz, numa sintonia sequencial de teatro de sombras a cada alternância entre “front light” e “back light”. Mesmo os espectadores não tão familiarizados com a linguagem estética das graphic novels, são hipnotizados pelo dinamismo das cenas, nas quais o deboche, a burocracia e as incoerências sociais são os focos de interesse da história que libera seus narradores para desempenhares papéis de meros portadores de seus males. O figurino, assinado por Thiago Ortiz e Denis Leandro,  é bem concebido e promove uma excelente paginação aos personagens.

A estética de “Isto Não é Uma Guerra” é ousada e seu conteúdo provoca reflexões que são levadas por cada um dos espectadores ao final do espetáculo - não pelo conteúdo da história, mas pelo que toda aquela ideologia representa: um bunker repleto de nada, prestes a ser detonado por aqueles que estão do lado de fora.


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