Counter

quinta-feira, 7 de maio de 2015

S’imbora, o musical – A História de Wilson Simonal


Cumpre, com louvor, seu papel frente à sólida produção de espetáculos biográficos de celebridades brasileiras.

O ano é 1971 - o local, uma delegacia. Simonal – Ícaro Silva tenta se desvincular da acusação de ter sequestrado e torturado o seu ex-contador.

Dá-se início ao show. Carlos Imperial – Thelmo Fernandes, surge em cena apresentando o seu programa. A partir de então, “S’imbora, o musical – A História de Wilson Simonal” diz para o que veio: fazer o espectador conhecer o artista - sua infância pobre, sua primeira vez no Beco da Garrafa junto com Miele – Gabriel Staufer, seu estilo apregoado pela “Pilantragem” da qual Imperial acabou se autodeclarando “Rei”, suas apresentações nos programas de televisão dos anos 60, seu show do Maracanãzinho lotado por mais de 40 mil pessoas, sua evidência e popularidade junto à seleção brasileira de futebol na copa do mundo no México em 1970, seu contrato como garoto propaganda da Shell, seu nome envolvido com o regime militar, sutilmente endossado a partir da sua regravação de “País Tropical”, de Jorge Ben, nos anos 70.

“S’imbora” condensa todo esse acervo de informações em três horas de espetáculo que transcorrem de forma imperceptível graças à qualidade da produção desse emocionante trabalho, dando vida ao dinâmico, objetivo e esclarecedor texto escrito a quatro mãos, por Nelson Motta e Patrícia Andrade. Como um caleidoscópio psicodélico, o cenário, cujo projeto é assinado por Hélio Eichbauer, emerge de um obscuro buraco da ditadura e vem à tona num auditório de programa de televisão para que, logo em seguida, se transforme no lar de Simonal e Terezinha – Gabriela Carneiro da Cunha, sua primeira esposa – e por aí, vai. Tomas Ribas de Farias potencializa o visual das cenas com focos e difusão das luzes a partir de cromatismo, brilho e contraste técnicos impecáveis, como um alquimista que transporta as cenas através do tempo e do espaço, fazendo do cenário e dos surpreendentes recursos de projeção, ingredientes de uma poção capaz de levar o espectador a um transe segundo o espírito alucinógeno dos anos 60. Para completar a festa, o figurino de Marília Carneiro, fruto de minuciosa pesquisa, resgata a moda e estilos dos anos rebeldes e dos anos de chumbo no Brasil. Não se pode deixar de lado a marcante e singela campanha do boneco de pano preto, de forma arredondada, de olhos esbugalhados, cabelo vermelho e calça xadrez, vendido como amuleto da sorte para o ano de 1967 – que inspirou Simonal a compor o “Samba do Mug”. Tudo isso representa pontos a favor da impecabilidade e grandiosidade do musical dirigido por Pedro Brício – profissional participante da seleta galeria de diretores que têm qualificado o Brasil como país altamente capacitado com vistas à montagem de musicais.

No presente momento, “S’imbora” cumpre, com louvor, seu papel frente à sólida produção de espetáculos biográficos de celebridades brasileiras, homenageando um ídolo que serviu de bode expiatório de ações revolucionárias e que, por vinte anos, foi apagado da história da música popular brasileira, em função de um erro cometido e que nunca foi anistiado – conforme transmitido pelo texto. Fazendo do ditado clichê, suas palavras – “só se dá valor a algo quando se o perde” – o Circuito Geral lamenta o tempo durante o qual foi deixado de veicular os sucessos que tanto fizeram parte da vida de gerações. Em tempo, extensivamente a “S’imbora, o musical – A História de Wilson Simonal”, sugerimos a todos que possam se interessar pelo estilo do espetáculo discorrido por esta resenha, que não o percam, para que depois, não se arrependam de não tê-lo assistido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário