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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Sorria, Você Está Sendo Filmado – O Filme


Cabe sob medida nos palcos e, quem sabe, um dia poderá se tornar
 “A Peça” 

Prólogo - as luzes da sala de espetáculo se apagam, e dá-se início à história: um homem, supostamente solitário, em frente ao seu computador ajeita a webcam e, chorando, dá um tiro na cabeça - cena apenas sugerida, não exibida - diante do equipamento  que faz o registro de todos os momentos durante e após o suicídio.

Primeiro e único plano - ouvem-se as vozes dos vizinhos e, em seguida, a porta é aberta por quem parece ser a diarista e, com ela, entram o porteiro, a vizinha e o síndico, trazendo com eles toda uma carga de vaidade explícita e doses de hipocrisia latente, prestes a serem detonadas no momento oportuno. Em cena, a síntese dualista do ser somente quem se pode ser - egocêntrico, mas somente se pode ser altruísta; ambicioso, mas somente se pode ser abnegado; pilantra, mas somente se pode ser honesto; medíocre, mas somente se pode ser virtuoso; agressivo, mas somente se pode ser educado; sofrido, mas somente se pode ser indene; prepotente, mas somente se pode ser humilde; amoral, mas somente se pode ser moralista.

Imersa em tantos predicados, a história se desenrola num único ambiente – a sala do morto – composta por cenas hilariantes e fortemente pontuadas na dualidade de seus personagens: o síndico dipsomaníaco e sua mulher – uma fracassada ex-atriz da Rede Globo; o porteiro – indivíduo cujo objeto de desejo, no momento, se resume uma furadeira que o morto, supostamente havia prometido, um dia, lhe dar; a esposa do porteiro - a diarista que procura o envelope com o dinheiro de sua diária; a vizinha – a fofoqueira abalada pela recente ocorrência, mas que não deixa de fazer uma selfie junto ao defunto; o “papa defuntos” – profissional medíocre que chega antes mesmo da ambulância e da polícia, ávido pela venda de um enxoval completo de primeira para os que partem dessa – “para melhor?”; o corretor de imóveis – especulador que, à despeito da cena presente, apresenta o apartamento a uma improvável compradora; paramédicos – funcionários públicos frios e alheios às suas obrigações, mas atentos aos seus interesses particulares; policias – autoridades tomadas pela arrogância, agressividade e que não inspiram confiança; o entregador de pizza – “pau mandado” que não abandona o recinto até que lhe seja pago o valor da encomenda; o auxiliar de portaria - aproveitador que faz a vez de recepcionista na porta do apartamento do suicida; e, por fim, o técnico de TI – pragmático como desfecho da história, que dispensa qualquer vestígio de trilha sonora.

Elenco estelar escalado: Lázaro Ramos, Suzana Vieira, Otávio Augusto, Lucio Mauro Filho, Deborah Secco, Roberta Rodrigues, Marcos Caruso, Juliano Cazarré, Aramis Trindade, Thiago Martins, Thiago Rodrigues, Bruce Gromlevsky, Thereza Amayo, Luiz Guilherme Favati, Gustavo Pereira, Cris D’Amato, Kika Freire e Pedro Nercessian – dirigido pela genialidade de Daniel Filho.

“Sorria, Você Está Sendo Filmado – O Filme”, pode ser compreendido como uma sequência de esquetes temperados à base de humor acidamente bem sacado – uma crítica ao comportamento social sob o ponto de vista da hierarquia e da, ainda sobrevivente, “carteirada”.  “Sorria, Você Está Sendo Filmado” também cabe sob medida nos palcos e, quem sabe, um dia poderá se tornar “A Peça”, graças à flexibilidade e despojamento do roteiro de Fernando Ceylão, semi pronto para tal adaptação, com grande potencial para se tornar um grande sucesso teatral, da mesma forma que deverá ocorrer nas diversas telas programadas para a sua exibição 



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