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segunda-feira, 29 de junho de 2015

A Casa dos Budas Ditosos


Puro fluído para que seja degustado, tendo como limites quatro paredes ou nenhuma

A opinião alheia nada significa para a sexagenária a quem Fernanda Torres empresta sua voz flexionada, segundo sutil sotaque baiano e seu charme, dignos de uma personagem nada fictícia, mas uma projeção da essência de João Ubaldo Ribeiro - enquanto um homem dotado de visão que transcende preconceitos, tabus e hipocrisia - em “A Casa dos Budas Ditosos”, no Teatro Oi Casa Grande, em curtíssima temporada, de 26 de junho a 12 de julho de 2015.

A atual temporada de “A Casa dos Budas Ditosos” – monólogo estreado em 2003 e reeditado por diversas vezes, sempre protagonizado por Fernanda Torres – é a primeira após a morte do escritor e acadêmico autor do texto. A dramaturgia e direção despudorada e provocativa de Domingos de Oliveira e Fernanda Torres conseguem, de forma brilhante, acentuar a habilidade conquistada por esta na condução do texto e na incorporação da senhora indulgente, sem qualquer filtro moral, mas, surpreendentemente real.

Apesar dos momentos hilários provocados pelas sacadas do texto original, o Circuito Geral não considera “A Casa dos Budas Ditosos” comédia, tampouco ficção, mas um deslavado e genuíno auto testemunho imbuído de forte teor sociológico, no qual palavras classificadas como de baixo calão e atos marginalizados pela proibição, vergonha e impudícia assumem conotações formalmente anatômicas, fisiológicas e naturais ao serem proferidas por Fernanda Torres.

A produção técnica é tão simples e eficiente quanto basta, mas não menos merecedora de observações capazes de denunciar o cuidado da direção para com as disciplinas técnicas complementares. O cenário se resume num conjunto de três peças de mobiliário composto por mesa de trabalho, cadeira e mesa lateral - cuja esbeltez das estruturas e transparência do tampo de vidro permeiam a figura da inominada personagem, sem ocultar qualquer expressão corporal durante toda a extensa narrativa – sobre um tapete cuja forma e cromatismo são tão contemporâneos quanto o conjunto anteriormente descrito. A concepção de luz cênica por Wagner Pinto é objetivamente dramática, conferindo destaque à personagem, sem dispersão do foco da atenção dos espectadores – vez em outra, lançando cones de luz adicionais contra o assoalho do palco, cujo cromatismo se diferencia dos fachos de luz sobre a atriz, provavelmente, visando dinamizar a necessária e natural estaticidade do desenho de luz. O figurino assinado por Cristina Camargo é deslumbrante e confere à senhora protagonista, a mesma elegância e sensual charme com os quais expõe sua vida à plateia, sem o menor pudor. A trilha sonora por Jonas Rocha e Domingos de Oliveira se faz presente de forma pontual, como se vinhetas introduzidas de modo a promover estímulo sensorial auditivo diferenciado da percepção linear discursiva do espetáculo por parte do público.

Confirmando a intimidade com o texto e sua habilidade no domínio do espetáculo, na noite de estréia dessa temporada, testemunhados pelo Circuito Geral, Fernanda Torres dá um tempo na personagem e dirige um pedido ao operador de som – caco que provoca gargalhadas e aplausos por parte dos espectadores – para que contivesse o volume do som do berimbau e, rindo de si mesma, leva as mãos em direção à face em sinal de intolerância para com o ruído e promove um espetáculo à parte.

Mais do que um produto decorrente da composição entre capacidade literária e potencial interpretativo, “A Casa dos Budas Ditosos” é puro fluído para que seja degustado, tendo como limites quatro paredes ou nenhuma, conforme a capacidade de auto entrega do espectador.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza


Somente os iniciados na trama

Para aqueles que ficavam horas em frente à telinha assistindo Dragon Ball, “Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza”, produzido por Akira Toriyama, é um programa obrigatório.

Mas somente os iniciados na trama - conhecendo à fundo Tagoma, Sorbet, Goku, Esferas do dragão, Gohan, Vegeta e Whis - poderão curtir o longa da série e ainda ficar na expectativa do lançamento de uma nova batalha nas telas dos cinemas.

Agora, aqueles que, por acaso ou mero descuido, caírem numa das sessões de “Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza” e ficarem tão perdidos dentre tantos personagens, suas origens e para o que vieram, pelo menos, poderão viajar na qualidade dos traços, nas sequencias de batalhas e ação e pelo cuidado técnico empregado nessa segunda produção da franquia e parte oficial do enredo do anime japonês.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Belle


Charme, sensualidade e erotismo

Severine - mulher rica, bem casada, mas sexualmente insatisfeita. Leva vida dupla exacerbada tanto enquanto uma dama da sociedade comprometida matrimonialmente, quanto enquanto uma mulher da vida que trabalha num bordel – papel que assume durante suas misteriosas ausências do lar nos períodos vespertinos.

Com base nesse argumento, a Cia de Dança Deborah Colker – respaldada por um currículo que contempla dez espetáculos ao longo de seus vinte e um anos de existência, desde a sua primeira apresentação no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1994 – transporta para os palcos uma coreografia baseada no roteiro da obra do escritor Joseph Kessel, “Belle de Jour”, publicada em 1928. Esse é o segundo trabalho de Colker baseado numa obra literária, depois de sua releitura do romance em versos “Eugênio Oneguin”, de autoria de Alexander Púshkin, a partir do qual passa a investir em enredos que envolvem personagens humanos – o espetáculo “Tatyana”, em 2011.

Concebido e dirigido por Deborah Colker, “Belle” contamina o palco do Teatro João Caetano - Rio de Janeiro, com charme, sensualidade e erotismo, e segue um roteiro que contempla o clássico “início, meio e fim”, característico dos conteúdos teatrais. Nessa condição, os bailarinos de Colker dissecam a vida da burguesinha e expõem sua intimidade e seus medos através de um balé alucinado, simultaneamente delicado e vigoroso, extasiando os espectadores a cada quadro.

O cenário, do também diretor de arte Grinco Cardia, dirige os olhares da plateia como se os espectadores folheassem as páginas de um livro, através da sobreposição de telas translúcidas, ilustradas por elementos arquitetônicos e mobiliário “bauhausianos”, transportando a obra de Kessel para a contemporaneidade de uma coreografia que se atualiza a cada novo espetáculo. Surpreendentemente, a criatividade de Colker digladia com a percepção ótica do espectador, provocando ilusões que permitem a levitação de bailarinos, que os fazem escalar um flamulante plano vertical têxtil que, por sua vez, se moldam aos volumes dos corpos dos bailarinos – acompanhando, de forma precisa, a cadência da trilha sonora sob a direção musical de Bernas Ceppas, e do frio e cortante desenho de luz de Jorginho de Carvalho. A temática erótico-sensual do espetáculo é sofisticamente traduzida através do desempenho, muitas vezes acrobáticos, dos corpos semi desnudos dos bailarinos, em cenas sutilmente provocantes e viris, onde elementos cenográficos – escadas, patamares, sofás, um gigante abajur e cabides de pé que assumem funções desde passarelas até “pole dances” coletivos. Impregnado a tudo isso, o ousado, pulsante e libertador figurino de Samuel Cirnansck se incorpora às coreografias, assumindo o formato dos corpos e acompanhando a amplitude de seus movimentos. Complementando o vestual dos bailarinos e acentuando a dramaturgia dirigida por Deborah Colker e João Elias, o visagismo assinado por Celso Kamura pincela mascaras artísticas e individualizas em suas faces. Destaque para a dramática e pulsante coreografia que rouba a identidade visual dos sete bailarinos masculinos a partir de um figurino unificado e da ocultação de suas faces por máscaras e que lhes concede a liberdade limitada dos movimentos, coordenados a partir de um padrão mecanizado.

Ao som de Venus in Furs, de Rodolphe Burger, o espetáculo chega ao seu ápice, apresentando um balé marcado pela profusão de vibrações sensoriais e pelo autoconhecimento - quando Severine se percebe como um ser meramente sexual e vislumbra sua vida como uma fantasia erótica porém, sem amor, sem donos, sem alianças – mas apenas, “Belle”.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Pulsões


A razão é inexistente e, o afeto, de mãos dadas à loucura, é mero coadjuvante de emoções.

Fragmentos de um passado temporal e espacialmente indefinido contaminam a vida de dois personagens que, em comum, só têm devaneios. O porquê é algo que não se cogita, mas cabe às testemunhas assumirem o papel de espectadores do sentimento ambíguo que une aqueles dois, para os quais a razão é inexistente e, o afeto, de mãos dadas à loucura, é mero coadjuvante de emoções.

A partir de tais condicionantes, o texto de Dib Carneiro Neto é mesclado a um indissociável fundo musical que contamina, de forma doce e relaxante, o subconsciente daqueles que se deixam ser invadidos pelo desenrolar das cenas.

Responsável pela quase hipnótica presença musical, Marco França dirige João Bitencourt, ao piano e, Maria Clara Valle, ao violoncelo que se posicionam no palco sob uma penumbra que oculta a beleza da caracterização e do figurino com os quais são tratados, mas que torna sugestiva, a mágica e compensadora sonoridade em meio ao drama que se apresenta.

A direção de Kika Freire rege a consistente preparação vocal de Ana Frota e assume o comando dos movimentos de Fernanda de Freitas – a bailarina, e de Cadu Fávero - o maestro, como “marionetes” presos a cordões ludicamente travestidos da leveza e do colorido como os dos objetos cinéticos “palatnikianos”, assinado por Cabeção, no contexto de um cenário concebido por Teca Fichinski. As vestes dos insanos protagonistas não podem ser creditadas a outro profissional que não a própria Fichinski, que se permite refletir e reproduzir exponencialmente os elementos cenográficos como estampas - incluindo a mandala que define o centro do palco como um epicentro em torno do qual a loucura estremece. Da mesma forma, as palavras alopradamente proferidas ao longo do espetáculo, são capturadas e impressas nas vestes e paredes como se fossem puçás lançados a esmo, visando à captura de insetos.

A caracterização dos personagens, assinada por Rose Verçosa, apesar de exageradamente pesada, fortalece a credibilidade do processo de mortificação naquele exílio onde os protagonistas oscilam entre o amor e o desamor.

Se por um lado o desenho de luz de Fran Barros poupa, de forma consciente, os músicos dos merecidos “holofotes” durante a apresentação, a criteriosa intensidade dos fachos dos refletores promove o devido contraste de luz e sombra sobre a bailarina e o maestro, acentuando a tensa dramaticidade de “Pulsões” – que  culmina em confissões de atos cometidos por quem os julgaram necessários, por impulso ou por instinto, à despeito da razão.



sábado, 20 de junho de 2015

Neurótica



Obsessivamente no palco e na cabeça de todos os naturalmente neuróticos enrustidos na plateia. 

Alguns exemplos do universo das disfunções psíquicas - segundo suas variações e graus intensidade e interpretados sob a ótica da comédia - definem o mote do espetáculo “Neurótica”, protagonizado pela humorista Flávia Reis que, sob o consistente formato de humor da direção de Márcio Trigo, incorpora onze mulheres à beira de um ataque de nervos – “Vanda da van”, a pseudo hostess que abre o espetáculo e cujo propósito não vai além de escarniar os usuários de seus serviços de traslado; a “terapeuta” acometida por uma inicial e progressiva degeneração da memória, quando da busca de seu carro no estacionamento de um shopping; a “senhorinha” que, transtornada pela síndrome do pânico, anuncia infinitas catástrofes eminentes; “Fernanda”, a cerimonialista histérica e simultaneamente conectada aos dispositivos de comunicação telefônica; a “mulher evoluída”, eternamente preocupada e que sofre com os intermináveis e inevitáveis problemas pertinentes à essência humana; “Susaninha” (27), que se acha e discorre sobre o seu cotidiano social e suas relações enquanto frequentadora de academia de ginástica; “Regina”, a personificada genitália feminina que desabafa, junto ao público, sobre a sua triangular relação de amor e ódio com Armando Pinto e Custódio; a transtornada jovem que, como “animadora de festas infantis”, é uma excelente abatedora de carne bovina – dentre outros personagens, que fazem dos setenta minutos de apresentação, quase solo – não fosse pela participação especial de Anderson Cunha - algo lamentável ao cerrar das cortinas.

O texto, concebido por Henrique Tavares e Flávia Reis, dá o exato tom a todos os sintomas das neuroses contemporâneas abordados, sem perder o foco de levar a plateia a consistentes hilários momentos de descontração e que, de forma competente, chegam a conturbar o espectador, em alguns momentos, com relação ao limite entre a realidade e a ficção.

A direção musical e a trilha sonora original, assinados por Guilherme Miranda, dão ritmo atual ao espetáculo. Mina Quental e Aurélio de Simoni neurotizam o palco através da tridimensionalidade dos anteparos visuais das coxias e do pano de fundo, que se presta como tela de projeção – ambos formatados, estilizadamente, como estruturas de células nervosas, em perfeita simbiose entre projeto cenográfico e desenho de luz, respectivamente, que sofrem alterações cromáticas, conforme o estado de espírito das diversas protagonistas, a cada esquete. O figurino de Flávio Souza dá sentido e veracidade a todas as estressadas mulheres de Flávia Reis e que, mesmo após o espetáculo, permanecem obsessivamente no palco e na cabeça de todos os naturalmente neuróticos enrustidos na plateia. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Divertida Mente


O necessário equilíbrio de todos os demais sentimentos presentes em cada um de nós

A Pixar Animation Studios se supera, mais uma vez, com sua nova produção - “Divertida Mente”. A animação, estrelada por um conjunto de personagens cativantes e divertidos, é um fomento à didatica cognitiva para toda a família e capaz de despertar a infância dentro de cada um, muitas vezes, adormecida com o passar dos anos. O dinâmico roteiro, traduzido por engenhoso texto, resulta numa produção criativa e emocionante, do início ao fim.

A melhor dentre as sinopses não é capaz de traduzir o conteúdo e a carga de apelo sensorial demandada por “Divertida Mente” - cuja versão de seu título original “Inside Out” para o português, é uma das mais criativas sacadas do gênero dos últimos tempos. Diante de tal capricho, é recomendável reservar as surpresas para serem degustadas no escurinho da sala de projeção, local recomendado para que os espectadores deixem a ficha cair e compreendam a verdadeira correlação entre o advérbio de modo e o substantivo adjetivado incorporados pelo título. “Divertida Mente” é uma produção para ser assimilada de forma saudável e vulnerável, em se tratando de uma experiência mágica e contemplando a tão necessária compreensão do que se passa com todos os sentimentos que um ser humano carrega dentro de si – tais como a alegria, a ira, a repulsa, o medo e a tristeza - e das áreas da vida que dependem de equilíbrio para promoverem o seu bem estar.  Em “Divertida Mente”, todos esses sentimentos são animados, beirando a realidade virtual, pela equipe Pixar e, através de seus talentos, comandam a mão que balança o berço e as vidas dos corpos que habitam.

À impecável produção de “Divertida Mente” é incorporada o curta-metragem “Lava”, nos moldes de um vídeo clip, dirigido por James Ford Murphy. A história de um vulcão solitário, detentor de muito amor para dar, merecedor da mesma carga de amor para receber e cheio de esperança de que um dia, essa troca se torne realidade, é mais uma emocionante fábula contada pelos gênios da imaginação e da animação.


Dessa forma, a Pixar promove, generosamente, um pacote de momentos de lazer no estilo “dois em um” – como simultânea forma de estimular o amor e o necessário equilíbrio de todos os demais sentimentos presentes em cada um de nós.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Qualquer Gato Vira-Lata 2


Erro crasso! 

Uma produção cinematográfica sustentada por tantos patrocínios governamentais e pelo marketing privado capazes de escalar um elenco de primeira linha, não poderia ter gerado outro produto tecnicamente tão consistente, como pode ser constatado em “Qualquer Gato Vira-Lata 2”. Porém, de forma lamentável, a essência da produção oferece aos frequentadores das salas de cinema, não mais que um roteiro desinteressante e enxertado por “piadas” sem conteúdo, incapazes de provocar, sequer, uma breve gargalhada genuína.  Dessa forma, uma pergunta latente acompanha cada minuto de projeção: O mundo da cinematografia brasileira não poderia sobreviver sem que “Qualquer Gato Vira-Lata” se tornasse uma franquia?

Com ressalvas aos resultados de bilheteria do primeiro filme, a substituição da direção original sinaliza uma evidente tentativa de ainda melhor sorte com Marcelo Antunes e Roberto Santucci - erro crasso!  A manutenção dos mesmos protagonistas vivenciados por Cléo Pires e por Malvino Salvador e as mesmas abordagens desgastadas sobre o relacionamento entre homem e mulher não admitem sobreviventes nesse naufrágio. A história não se sustenta como algo divertido, mas se posiciona como um chatíssimo dejavú, por conta da incoerência presente ao longo da história, tais como a ascensão de status da interesseira e culturalmente mediana personagem interpretada por Rita Guedes e da “relação comercial” entre os personagens de Dudu Azevedo e da atriz mirim – cujo nome o Circuito Geral resolve eticamente poupar, em função de sua promissora carreira - na pele de uma menininha descolada e super esperta sob as vistas grossas de seus alienados pais. Nem mesmo a introdução de celebridade consagrada pertencente ao mundo artístico, convidada para fazer ponta em “Qualquer Gato Vira-Lata 2”, torna o filme menos desinteressante.

Com pedido de licença à liberdade poética de expressão e parodiando a máxima tão consagrada, O Circuito Geral não se propõe a “chutar gato morto” e recomenda que os interessados em assistir a película, sem maiores compromissos, se apressem antes que o filme seja retirado de cartaz, sem qualquer aviso prévio.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Angela Ro Ro - Todas as Maneiras


Abrindo o livro de sua vida, de forma muito bem humorada

Dia 12 de junho de 2015 - o Teatro Rival presenteia seu público, em especial, os enamorados, com o show “Todas as Maneiras”, de Angela Ro Ro.

Dando início ao espetáculo e estampando a informalidade na sua apresentação, Angela agradece a todos os seus amigos de Botafogo que se encontram na plateia e informa, generosamente, que não cantará somente para os casais, mas também para quem estivesse sozinho naquela noite, tratando todos, por “manés” – como forma através da qual, carinhosamente, chama todos os seus amigos.
Acompanhada de seu parceiro de longa data, Ricardo Mac Cord, no teclado, Angela interpreta “Eu sei que vou te amar”, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim; e “Fica Comigo Esta Noite”, de Nelson Gonçalves, prometendo uma noite muito romântica, mas não menos divertida - ao final de cada música, os apartes descontraídos acentuam o clima de informalidade do Rival onde, até mesmo garçons e garçonetes não escapam da mira dos comentários da cantora.

Abrindo o livro de sua vida, de forma muito bem humorada, Angela retruca o final de um relacionamento que tivera com uma jovem trinta anos mais jovem, com “Tola foi você”, de sua autoria. Mantendo as rédeas do senso de suas hilárias confidências , Angela menciona um encontro seu com um “anjo” de dezoito anos , nos anos noventa, que cursava faculdade de letras, a qual frequentou, somente, até a letra “G” – causando uma convulsão de risos, por parte de todos, à qual responde com a interpretação de “Ne me quitte pas”, de Jacques Brel. Dando sequência ao compartilhamento de sua intimidade entre amigos, Angela se declara casada e presta homenagem ao atual relacionamento, cantando “Todas as Maneiras de Amar”, de Chico Buarque. Traçando um auto retrato - como se em desnecessária busca por elogios - se descreve como “compositora mediana”, “pianista medíocre” e “cantora popular” e, de forma contrastante e incongruente com tais declarações, leva a plateia ao delírio, como num tributo a Sarah Vaughan, interpretando “Misty”. A artista não esconde o fato de ter perdido o respeito da própria morte, após as frustradas cinco tentativas suicídio e demonstra que, atualmente, encara a vida sob a ótica de “Night and Day”, de autoria de Cole Porter – entoando a canção, sempre e primorosamente acompanhada por Mac Cord. Aproveitando a última homenagem prestada à Maria Bethânia na 26ª edição do Prêmio da Música Brasileira, Angela acende os corações de seus espectadores com sucesso seu, imortalizado pela voz daquela cantora – “Fogueira”. Hoje em dia, Angela se assume como membro da população idosa pertencente à classe média de Copacabana, endossando sua felicidade em viver a vida, cantando “Feliz da Vida”, de Paulinho Moska. Finalizando suas intervenções entre os hiatos musicais, durante os quais expõe algumas passagens de sua vida e pontos de vista, e como genuína Carioca bem informada, menciona o fato de quem hoje visita  a Cidade Maravilhosa, sempre leva consigo, uma lembrança marcante – como, por exemplo, uma facada.  

Com muito pesar e sob o uníssono lamento por parte de seus fãs, “Todas as Maneiras” chega ao seu fim, com “Amor Meu Grande Amor” – com tom de reconhecimento de Ro Ro pela atual interpretação de seu sucesso por Lucas Santtana - que faz parte da trilha sonora da novela Babilônia. Mas antes mesmo da demanda pelo bis, Ro Ro e Mac Cord, contrariando o óbvio, sem se ausentarem do palco, vão direto ao ponto com a canção “Compasso” – após a qual, de despedem, permitindo o lamentável cerramento das cortinas.

sábado, 13 de junho de 2015

Borderline


Uma convulsão verborrágica

A total intolerância à frustração desencadeia uma convulsão verborrágica no Galpão das Artes no Espaço Tom Jobim.

A partir da direção extremamente equilibrada de Marcello Gonçalves, o espectador se insere na instabilidade da mente esquizofrênica do inominado personagem marginal, sob total domínio - beirando à psicopatia - de Bruce Brandão. A direção de arte flexionada por Alex Brollo e Rafael Ronconi, em função das ações impulsivas de conteúdo violento, promíscuo, raivoso e imerso em drogas, álcool e sangue, transforma a simplicidade cênica numa apoteótica boca de cena, permitindo que o conjunto da obra seja instantaneamente captado pelo espectador.

Sem qualquer pudor, a psique do perturbado personagem transporta toda a plateia através de uma história sobre transtornos da sexualidade, fantasias sado, onanismo, erotismo perverso e transmissão de HIV - um texto digno dos anais dos transtornos da personalidade sociopata sobre os quais, Junior Dalberto discorre com explosiva desarmonia poética.

A histeria contida no personagem é potencializada pelo igualmente paranoide desenho de luz de Felipe Lourenço, que não somente pincela a disritmia das atitudes do personagem com efeitos de luz e sombra, mas as expõem de forma bucólica, juntamente com os transtornos obsessivos compulsivos os quais, todos aqueles considerados “normais” são passíveis de contrair ou, ocasionalmente, experimentar. A direção de movimento de Márcio Vieira não aceita críticas, pois interage com o perturbado que se torna ainda mais ameaçador, se criticado for – um trabalho que dispensa elogios. Gonçalves também assina a trilha sonora composta por Alfredo Marcucci, Miles Davis, Charles Dutoit, Amália Rodrigues, dentre outros, que enxerta magia a cada discurso explosivo e intermitente do protagonista.

“Borderline” é soma da variação da auto-imagem - em função do que o acometido consegue perceber sobre as pessoas em seu entorno - e do vazio crônico, resultando em abandono do afeto. Mas, até isso é motivo de brinde, pois tal soma é reflexo das “últimas gotas do absoluto absinto”.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Foi Você Quem Pediu Para Eu Contar a Minha História


Um puzzle de angustias, medos, preconceitos, invejas e indiferenças

Caso lhe desperte interesse numa história em nove tempos, contada, ludicamente, em alternância duo, pelo Circuito Geral, continue:

- ”Quatro mulheres emprestam seus corpos para dar vida aos papéis de quatro crianças, as quais não encaram as maldades como algo perverso, mas sim, como a essência da inocência...”
- “... riem, por acharem graça das travessuras infantis e já se demonstram bem familiarizadas com o uso de palavreado cortante...”
- “... se iludem com a promessa de que o futuro se encontra nas crianças, mas têm a certeza que já são o futuro de seu presente insatisfatório para o mundo...”
- “... vivem o positivismo ao zanzarem pela vida, antes que o negativismo, com o ranço da morte, bata em suas caras e as acordem para a vida real...”
- “... desfocam o próximo que não comunga com suas supostas certezas - talvez por vislumbrarem a ética somente em seus delírios...”
- “... questionam sempre, como se a dúvida fosse companheira de brincadeiras...”
- “... defendem a máxima de que se não se sabe brincar, não se deve descer para o play...”
- “... ousam se perderem, pois o que elas acham sobre si mesmas, não tem serventia para o que pretendem encontrar...”
- “... experimentam amar, antes mesmo de aprenderem o valor mercadológico da palavra.”

Na verdade, não se trata de uma história concebida pelo Circuito Geral, mas de um retrato do que aguarda o espectador - que saboreia a arte teatral como alimento da alma – frente à mirabolante adaptação do texto de Sadrine Roche por Thereza Falcão para o espetáculo “Foi Você Quem Pediu Para Eu Contar a Minha História”, sob a encantadora e, ao mesmo tempo, sombria e dramática direção de Guilherme Piva – em cartaz na Sala Fernanda Montenegro, no Teatro Leblon, todas as quartas e quintas-feiras às 21:00, desde o dia 28 de maio de 2015.

“Foi Você...” é um puzzle de angustias, medos, preconceitos, invejas e indiferenças – sentimentos esses que passam de pais para filhos, além da apregoação pelo devido respeito a todos os seres humanos, não incluindo, na maioria das vezes,  o próximo mais próximo de si.

Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Karla Tenório e Talita Castro, abusando de seu potencial artístico, se anulam como mulheres e permeiam, aos olhares do espectador, lindas e, aparentemente, inocentes crianças, que um dia serão o futuro idealizado pelos sonhadores, incautos e cegos de visão periférica, de um mundo que já teve vários futuros, mas que amarga um presente que contrasta com aquele vislumbrado por muitos pais, avós, e demais ascendentes. Crianças – com seus pueris e provocativamente figurinos rodriguianos concebidos por Carol Lobato – conseguem imprimir imagens das estudantes ingênuas, mas figurativamente, ofídicas em suas atitudes. Crianças que revezam seus lugares no balanço e se articulam em meio a um trepa-trepa e a um par de bancos de cimento, como verdadeiras usuárias do lúdico e maquiavélico cenário de Paula Santa Rosa e Rafael Pieri que, por sua vez, geometrizam as personalidades cruéis dessas crianças que afloram como ervas daninhas por toda a boca de cena. Crianças que assumem o lúdico e dramático jogo de luzes e sombras, juntamente com os elementos cenográficos, destacados como obras de arte pelo certeiro desenho de luz de Renato Machado – inserindo a plateia no blackout interior daquelas belas meninas.

“Foi Você Quem Pediu Para Eu Contar a Minha História” é liricamente cruel como uma criança – que, conforme é dito, é sempre sincera mas, que na verdade, mente para crer naquilo que cria. 


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada é Impossível


A Terra da Fantasia é adicionada à Terra do Amanhã, gerando um produto igual à Terra do Nunca


Tomorrowland - Um Lugar Onde Nada é Impossível” apresenta um duelo entre o otimismo e a desilusão, representados, respectivamente pela jovem Casey Newton, interpretada sem muita convicção por Britt Roberston e Frank Walker, em sua fase adulta, cuja perda de esperança é brilhantemente expressada por George Clooney.

 

Apesar dos ternos olhares de Raffey Cassidy, no papel da androide adolescente Athena e de Thomas Robinson, como o inventor mirim Frank Walker, “Tomorowland” não empolga, muito menos convence como referência utópica de um mundo auto sustentável, fundamentado de forma mirabolante, evasiva e entediante, e cuja adrenalina passa por um ultrapassada linguagem de cenas de perseguição e de combates desmotivadores.

 

A quimera desregrada dirigida por Brad Bird faz de “Tomorowland” um somatório no qual a Terra da Fantasia é adicionada à Terra do Amanhã, gerando um produto igual à Terra do Nunca. Bird abusa da ingenuidade criativa e subestima a maturidade infanto-juvenil de tal forma, que “Um Lugar Onde Nada é Impossível” peca pela sua proposta muito próxima à realidade e que, por mera essência da condição humana, transcende à promessa de um futuro melhor, se passando por propaganda enganosa. O uso da narrativa inversa, faz com que “Tomorrowland” não tenha nenhum tipo de surpresa em seu final, mesmo contando com Hung Laurie no elenco que, com o seu David Nix, provoca risos irônicos, por não convencer em seu propósito futurista.

 

Ao final de “Um Lugar Onde Nada é Impossível”, a sensação de se desejar ir para um lugar onde tudo seja possível se equipara aos sonos dos quais despertamos e esquecemos sobre o que sonhamos.  

 

https://www.facebook.com/curtocircuitocultural

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sangue Azul


É sensorial, estimulando o espectador através do apelo visual 

Sob direção de Lírio Fernandes, deságua nas telas dos cinemas, “Sangue Azul” - uma esplendorosa película dividida em cinco capítulos – “Homem Bala”, “Insônia”, “Infância”, “Angustia” e “A Lenda do Pecado”.

A história traz consigo toda uma carga de sentimentos, repressões e um passado que retoma um ciclo intencionalmente interrompido, na paradisíaca ilha de Fernando de Noronha – o medo de uma mãe por um eventual envolvimento incestuoso entre irmãos, fazendo com que a progenitora entregasse a tutela do menino Pedro - interpretado por Daniel Oliveira, ao misterioso ilusionista Kaleb dono do circo, vivido por Paulo César Pereio – para que a criança crescesse fora do arquipélago, longe da irmã – desempenhada por Caroline Abras. A chegada do Circo Netuno e sua trupe à ilha trazem de volta Pedro – que trabalha no circo como homem-bala, que resolve passar à limpo o seu passado e que, como isso, acaba cumprindo a sua sentença de vida.

“Sangue Azul” também conta, em seu elenco com, Lívia Falcão, Matheus Nachtergaele, Milhem Cortaz, Laura Ramos, Rômulo Braga, Sandra Coverloni, Servílio de Holanda e Ruy Guerra que, juntamente com Pereio, retrata o conteúdo pseudo filosofal do roteiro.

“Sangue Azul” é sensorial, estimulando o espectador através do apelo visual – contemplando o cenário natural paradisíaco e a sua fotografia que transita entre o preto e branco da volta de um passado e o colorido do desenrolar da trama; e auditivo – pela sua trilha sonora e riqueza com que as mais diversas formas de sons e ruídos são inseridos como se fizessem parte de uma trilha incidental. Não seria exagero afirmar que a direção de Fernandes consegue inflamar a percepção aromática, palatável e tátil, tamanha dramaticidade e sensualidade presente nas cenas.

“Sangue Azul” mostra a essência do ser humano e seu instinto animal e faz do picadeiro, no qual a trupe circense se apresenta, um porto seguro, para quando “o passado volta para cobrar o fiado”.


domingo, 7 de junho de 2015

Por Dentro da Música


Se basta como entretenimento e eficaz agente de um tributo a canções que fazem parte da história de tantas gerações.

“Por Dentro da Música” é uma produção concebida por Ilka Villardo, Maria Ceiça, Nivia Helen e Osmar Milito - os dois últimos, responsáveis pelo roteiro e direção e pela direção musical e arranjos, respectivamente. Embora trabalhado a oito mãos, o espetáculo não assume a condição pela a qual vem ao público – se de um musical, intercalando texto e interpretações de grandes sucessos da música ou se de um show contemplando aqueles sucessos enxertados por apartes. O espetáculo é brilhantemente instrumentado por Osmar Milito ao piano, por Alex Rocha no baixo e por Pascoal Meirelles na bateria. Complementando o quinteto, a atriz Ceiça, no papel de Encantada e a cantora Villardo, num primeiro momento, aparentam dar partida a um roteiro que promete saciar a curiosidade da plateia sobre o histórico das canções inicialmente apresentadas no contexto da história da protagonista.

O cenário, projetado por Adriano Farias, dedica uma fração da boca de cena à ambientação do aposento de uma residência onde, Encantada - uma aparentemente solitária dona de casa que, ao ouvir as músicas de sua predileção reproduzidas por uma eletrola portátil, se transporta, como se para diante do microfone de uma emissora radiofônica - dá vazão aos seus sentimentos através da interpretação de um seleto play list. O restante da boca de cena é dedicado aos instrumentos – com destaque para o piano de caldas e, permanecendo velados por detrás de uma superfície translúcida que também assume a função de tela para a projeção de vídeos, o baixo e a bateria. Juntamente com a banda, a cantora desempenhada por Villardo se integra aos sonhos de Encantada, através dos quais apresentam seus números musicais, tanto em solo quanto em duo. O projeto de luz de Francisco Rocha é bem intencionado, mas lhe falta potência para vencer a atmosfera esfumaçada que toma o palco, em alguns momentos, de modo a promover o devido destaque aos componentes do quinteto, mesmo que seletivamente, resultando na falta de contraste que determinadas cenas demandam. O figurino de Margo Margot transforma as talentosas interpretes em verdadeiras divas que emocionam toda a plateia sua interpretação dos sucessos, tais como: “Sangrando” - de Gozaguinha, “Rosa” - de Pixinguinha, “Greatest Love of All” - de Linda Creed; e o imortalizado, na voz de Whitney Houston, “Ebony and Ivory” - de Paul MacCartney.

Levando-se em conta o show, no qual o espetáculo, em dado momento, se metamorfoseou, “Por Dentro da Música” se basta como entretenimento e eficaz agente de um tributo a canções que fazem parte da história de tantas gerações. Contudo, da mesma forma que os espectadores degustam “Por Dentro da Música” como o foram os programas de rádio - dos quais os ouvintes, de forma frustrante, se desconectavam ao final da programação, a história de Esperança, inicialmente proposta, se desconecta sem aviso prévio, deixando a impressão de que à dona de casa sonhadora - que faz das músicas do rádio, a trilha sonora de sua vida - simplesmente, não resta mais do que passar a vida a cantar, e cantar, e cantar a beleza de ser uma eterna aprendiz.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Selfie


Assume o papel de um alerta para com o presente, cognominado futuro próximo.

Jantar à dois, que se transforma em grupo interativo no WhatsApp: foto do prato, da bebida, do ambiente, do cardápio e, se duvidar, até do garçom; emojis, que denunciam os sentimentos demostrados a todos os contatos, amigos e seguidores; frases de efeitos que se memetizam instantaneamente e que, além de dissimular o verdadeiro status do autor, também serve para trollar seus desafetos na vida real; trilhas sonoras de gosto duvidoso, compostas por ringtones/MP3,  compartilhadas auditivamente com quem quer que esteja nas proximidades, independente da propiciedade do local; fotos postadas e intensamente filtradas pelo Instagram, depreciando o valor das imagens originais; a alegria fabricada pelo alcance de mais de três dígitos no perfil do Facebook - afinal, são todos “amigos”, diante dos quais a ostentação é mais importante do que ser genuíno. Jantar consumado. À mesa, duas pessoas em plena solidão à dois, uma vez que, até mesmo o sexo é virtual... Mas espere! Apesar de tudo, isso merece uma “Selfie” – “click”, “flash”, “cfgklos”!

 

Apenas uma ressalva: isso não se trata de uma sinopse do espetáculo objeto da presente resenha, mas uma percepção da essência de “Selfie” pelo Circuito Geral – um upload da realidade, sob o comando do perspicaz diretor Marcos Caruso, que executa um download dos arquivos necessários para que o público consiga navegar pela transmutação do real, onde a interação não é permitida, mas apenas a participação, sem buffering, porém, com qualidade ultra HD 4K.

Caruso desenha avatares personificados pela dupla de protagonistas - Mateus Solano e Miguel Thiré – que, com muito empenho e sensibilidade, em suas plataformas, nos entrega o sistema operacional programado através do conjunto de caracteres que compõem o conectado texto de Daniela Ocampo. Ao som de “Also sprach Zarathustra”, dá-se início ao espetáculo, estabelecendo-se um link entre o monolito de Kubrick e Clarke e o smartphone, em seu estado da arte - uma grande sacada de Lincoln Vargas para as cenas iniciais nas quais, a preparação corporal de Arlindo Teixeira já define a sua importância para a comunicação quase pantomímica de “Selfie”, complementada pelas falas escritas por Ocampo. Solano e Thiré desempenham seus papéis como operários do sistema tecnológico – devidamente uniformizados com macacões e calçados adequadamente definidos pelo figurinista Sol Azulay, sobre um cenário rebatido no palco - remetendo ao dispositivo portal da virtualidade animado pelo desenho de luz de Felipe Lourenço com base na tecnologia led, como se filtrado pelas telas dos smartphones. O conjunto complementar técnico do espetáculo transforma a apresentação numa experiência high-tech para o público, mas com o fatores comportamentais humanos intrigantes: o controle minuto a minuto do percentual de carga da bateria do dispositivo - num esforço sobre humano para que chegue ao final da jornada diária; e o medo de se deixar de existir como um simples perfil no mundo virtual, superando o temor da própria morte do mundo real.

 

Indo ao encontro do que profetizara Albert Einstein com “Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse nossa interação humana, e o mundo terá uma geração de idiotas”, “Selfie” assume o papel de um alerta para com o presente, cognominado futuro próximo, com vistas ao saudável equilíbrio entre o desenvolvimento e o uso da tecnologia e a preservação e a evolução da essência humana.

 

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