Counter

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Angela Ro Ro - Todas as Maneiras


Abrindo o livro de sua vida, de forma muito bem humorada

Dia 12 de junho de 2015 - o Teatro Rival presenteia seu público, em especial, os enamorados, com o show “Todas as Maneiras”, de Angela Ro Ro.

Dando início ao espetáculo e estampando a informalidade na sua apresentação, Angela agradece a todos os seus amigos de Botafogo que se encontram na plateia e informa, generosamente, que não cantará somente para os casais, mas também para quem estivesse sozinho naquela noite, tratando todos, por “manés” – como forma através da qual, carinhosamente, chama todos os seus amigos.
Acompanhada de seu parceiro de longa data, Ricardo Mac Cord, no teclado, Angela interpreta “Eu sei que vou te amar”, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim; e “Fica Comigo Esta Noite”, de Nelson Gonçalves, prometendo uma noite muito romântica, mas não menos divertida - ao final de cada música, os apartes descontraídos acentuam o clima de informalidade do Rival onde, até mesmo garçons e garçonetes não escapam da mira dos comentários da cantora.

Abrindo o livro de sua vida, de forma muito bem humorada, Angela retruca o final de um relacionamento que tivera com uma jovem trinta anos mais jovem, com “Tola foi você”, de sua autoria. Mantendo as rédeas do senso de suas hilárias confidências , Angela menciona um encontro seu com um “anjo” de dezoito anos , nos anos noventa, que cursava faculdade de letras, a qual frequentou, somente, até a letra “G” – causando uma convulsão de risos, por parte de todos, à qual responde com a interpretação de “Ne me quitte pas”, de Jacques Brel. Dando sequência ao compartilhamento de sua intimidade entre amigos, Angela se declara casada e presta homenagem ao atual relacionamento, cantando “Todas as Maneiras de Amar”, de Chico Buarque. Traçando um auto retrato - como se em desnecessária busca por elogios - se descreve como “compositora mediana”, “pianista medíocre” e “cantora popular” e, de forma contrastante e incongruente com tais declarações, leva a plateia ao delírio, como num tributo a Sarah Vaughan, interpretando “Misty”. A artista não esconde o fato de ter perdido o respeito da própria morte, após as frustradas cinco tentativas suicídio e demonstra que, atualmente, encara a vida sob a ótica de “Night and Day”, de autoria de Cole Porter – entoando a canção, sempre e primorosamente acompanhada por Mac Cord. Aproveitando a última homenagem prestada à Maria Bethânia na 26ª edição do Prêmio da Música Brasileira, Angela acende os corações de seus espectadores com sucesso seu, imortalizado pela voz daquela cantora – “Fogueira”. Hoje em dia, Angela se assume como membro da população idosa pertencente à classe média de Copacabana, endossando sua felicidade em viver a vida, cantando “Feliz da Vida”, de Paulinho Moska. Finalizando suas intervenções entre os hiatos musicais, durante os quais expõe algumas passagens de sua vida e pontos de vista, e como genuína Carioca bem informada, menciona o fato de quem hoje visita  a Cidade Maravilhosa, sempre leva consigo, uma lembrança marcante – como, por exemplo, uma facada.  

Com muito pesar e sob o uníssono lamento por parte de seus fãs, “Todas as Maneiras” chega ao seu fim, com “Amor Meu Grande Amor” – com tom de reconhecimento de Ro Ro pela atual interpretação de seu sucesso por Lucas Santtana - que faz parte da trilha sonora da novela Babilônia. Mas antes mesmo da demanda pelo bis, Ro Ro e Mac Cord, contrariando o óbvio, sem se ausentarem do palco, vão direto ao ponto com a canção “Compasso” – após a qual, de despedem, permitindo o lamentável cerramento das cortinas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário