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sábado, 13 de junho de 2015

Borderline


Uma convulsão verborrágica

A total intolerância à frustração desencadeia uma convulsão verborrágica no Galpão das Artes no Espaço Tom Jobim.

A partir da direção extremamente equilibrada de Marcello Gonçalves, o espectador se insere na instabilidade da mente esquizofrênica do inominado personagem marginal, sob total domínio - beirando à psicopatia - de Bruce Brandão. A direção de arte flexionada por Alex Brollo e Rafael Ronconi, em função das ações impulsivas de conteúdo violento, promíscuo, raivoso e imerso em drogas, álcool e sangue, transforma a simplicidade cênica numa apoteótica boca de cena, permitindo que o conjunto da obra seja instantaneamente captado pelo espectador.

Sem qualquer pudor, a psique do perturbado personagem transporta toda a plateia através de uma história sobre transtornos da sexualidade, fantasias sado, onanismo, erotismo perverso e transmissão de HIV - um texto digno dos anais dos transtornos da personalidade sociopata sobre os quais, Junior Dalberto discorre com explosiva desarmonia poética.

A histeria contida no personagem é potencializada pelo igualmente paranoide desenho de luz de Felipe Lourenço, que não somente pincela a disritmia das atitudes do personagem com efeitos de luz e sombra, mas as expõem de forma bucólica, juntamente com os transtornos obsessivos compulsivos os quais, todos aqueles considerados “normais” são passíveis de contrair ou, ocasionalmente, experimentar. A direção de movimento de Márcio Vieira não aceita críticas, pois interage com o perturbado que se torna ainda mais ameaçador, se criticado for – um trabalho que dispensa elogios. Gonçalves também assina a trilha sonora composta por Alfredo Marcucci, Miles Davis, Charles Dutoit, Amália Rodrigues, dentre outros, que enxerta magia a cada discurso explosivo e intermitente do protagonista.

“Borderline” é soma da variação da auto-imagem - em função do que o acometido consegue perceber sobre as pessoas em seu entorno - e do vazio crônico, resultando em abandono do afeto. Mas, até isso é motivo de brinde, pois tal soma é reflexo das “últimas gotas do absoluto absinto”.

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