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domingo, 7 de junho de 2015

Por Dentro da Música


Se basta como entretenimento e eficaz agente de um tributo a canções que fazem parte da história de tantas gerações.

“Por Dentro da Música” é uma produção concebida por Ilka Villardo, Maria Ceiça, Nivia Helen e Osmar Milito - os dois últimos, responsáveis pelo roteiro e direção e pela direção musical e arranjos, respectivamente. Embora trabalhado a oito mãos, o espetáculo não assume a condição pela a qual vem ao público – se de um musical, intercalando texto e interpretações de grandes sucessos da música ou se de um show contemplando aqueles sucessos enxertados por apartes. O espetáculo é brilhantemente instrumentado por Osmar Milito ao piano, por Alex Rocha no baixo e por Pascoal Meirelles na bateria. Complementando o quinteto, a atriz Ceiça, no papel de Encantada e a cantora Villardo, num primeiro momento, aparentam dar partida a um roteiro que promete saciar a curiosidade da plateia sobre o histórico das canções inicialmente apresentadas no contexto da história da protagonista.

O cenário, projetado por Adriano Farias, dedica uma fração da boca de cena à ambientação do aposento de uma residência onde, Encantada - uma aparentemente solitária dona de casa que, ao ouvir as músicas de sua predileção reproduzidas por uma eletrola portátil, se transporta, como se para diante do microfone de uma emissora radiofônica - dá vazão aos seus sentimentos através da interpretação de um seleto play list. O restante da boca de cena é dedicado aos instrumentos – com destaque para o piano de caldas e, permanecendo velados por detrás de uma superfície translúcida que também assume a função de tela para a projeção de vídeos, o baixo e a bateria. Juntamente com a banda, a cantora desempenhada por Villardo se integra aos sonhos de Encantada, através dos quais apresentam seus números musicais, tanto em solo quanto em duo. O projeto de luz de Francisco Rocha é bem intencionado, mas lhe falta potência para vencer a atmosfera esfumaçada que toma o palco, em alguns momentos, de modo a promover o devido destaque aos componentes do quinteto, mesmo que seletivamente, resultando na falta de contraste que determinadas cenas demandam. O figurino de Margo Margot transforma as talentosas interpretes em verdadeiras divas que emocionam toda a plateia sua interpretação dos sucessos, tais como: “Sangrando” - de Gozaguinha, “Rosa” - de Pixinguinha, “Greatest Love of All” - de Linda Creed; e o imortalizado, na voz de Whitney Houston, “Ebony and Ivory” - de Paul MacCartney.

Levando-se em conta o show, no qual o espetáculo, em dado momento, se metamorfoseou, “Por Dentro da Música” se basta como entretenimento e eficaz agente de um tributo a canções que fazem parte da história de tantas gerações. Contudo, da mesma forma que os espectadores degustam “Por Dentro da Música” como o foram os programas de rádio - dos quais os ouvintes, de forma frustrante, se desconectavam ao final da programação, a história de Esperança, inicialmente proposta, se desconecta sem aviso prévio, deixando a impressão de que à dona de casa sonhadora - que faz das músicas do rádio, a trilha sonora de sua vida - simplesmente, não resta mais do que passar a vida a cantar, e cantar, e cantar a beleza de ser uma eterna aprendiz.

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