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domingo, 5 de julho de 2015

Alice no País das Maravilhas – O Musical


Com a precisão de um relógio suíço

O espetáculo “Alice no País das Maravilhas – O Musical”, cuja direção geral é assinada pelo italiano Billy Bond, teve a sua temporada encerrada no Teatro Bradesco Rio de Janeiro no dia 28 de junho de 2015. Naquela ocasião, o Circuito Geral conferiu o estilo dramatúrgico e a adaptação da história de autoria de Lewis Carol, para os quais Bond conta com Andrew Mettine e Lilio Alonso, respectivamente.

A atual leitura do clássico – cujo lançamento do livro comemora 150 anos, em 2015 – apresenta a curiosa menina Alice em dois momentos etários. Dessa forma, Bond reserva a Alice - ainda menina, porém um pouco mais velha - a aventura na qual é conduzida ao surreal e fantástico País das Maravilhas, repleto de estranhos personagens. Com a precisão de um relógio suíço, as sequencias clássicas de “Alice no País das Maravilhas” se misturam ao linguajar pop e ao aparato tecnológico jamais introduzido num espetáculo voltado ao público infantil no Brasil – mas uma consequente evolução do trabalho do próprio Billy Bond, com suas versões, igualmente bem sucedidas de “Cinderela”, “Branca de Neve” e “A Magia das Fadas , Príncipes e Princesas” que, além das apresentações no Rio de Janeiro, brilharam nos palcos de São Paulo.

Cenários virtuais projetados em telões de altíssima definição e efeitos especiais que simulam levitações, interagem com a percepção auditiva, olfativa e visual dos espectadores, transportando toda a plateia para o País das Maravilhas, juntamente com a protagonista. O desenho de luz de Kuka Batista funciona como recurso tridimensional, acentuando o cromatismo das cenas, contrastando com o brilho dos painéis de led e interagindo com o cenário 4D. O figurino “bellepoqueano” de Carlos Gardin é trabalhado a partir de uma gama de materiais têxteis de modo a promover o volume, estrutura e brilho desejados às cento e oitenta peças que vestem os trinta atores, em perfeita sintonia com os objetos cênicos e grandes bonecos concebidos por Silvio Galvão e Inês Sacay. As trinta e duas músicas inéditas – compostas por Bond em parceria com Villa, especialmente para o espetáculo – conta a história com clareza e muito bom humor pelos diversos personagens, cada um ao seu modo, a partir de coreografias e estilos musicais diversificados.


Tudo em “Alice no País das Maravilhas – O Musical” é grandioso, generoso, respeitoso e surpreendente, potencializado pelo carisma de seus personagens circulando em meio à plateia e se comunicando diretamente com crianças e pelas chuvas de fragmentos de papel coloridos e cintilantes e de bolhas de sabão, em meio a fragrâncias e a nuvens de fumaça que tomam conta de toda a grandiosidade da sala de espetáculos. Tomados pela emoção, os espectadores sentem seu tamanho tão reduzido - como se tivessem bebido do conteúdo do frasco misterioso, que possibilitou a curiosa menina atravessar a menor porta que ela já viu - e, com Alice, viverem as incríveis aventuras no País das Maravilhas.

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