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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Rita Benneditto - Encanto
















Ideal, para quem sabe “com viver”.


Teatro SESC Ginástico, Rio de Janeiro, dia 23 de junho de 2015 - o Circuito Geral presencia a apresentação única, no palco daquele teatro, do show de Rita Benneditto - “Encanto”.

Através desse trabalho, Benneditto demonstra a sua devoção aos macumbeiros – esclarecido, pela mesma, se tratarem de tocadores de macumba, antigo instrumento de percussão.

Simbioticamente respaldada pela banda “Os Encantados”- composta por Fred Ferreira, na guitarra; Pedro Dantas, no contrabaixo; Ronaldo Silva, na percussão e Lúcio Vieira, na bateria - Benneditto dá início à apresentação do espetáculo sob cores e adereços alusivos a Inhasã – segundo um figurino concebido por Victor Dzenk, como marca de “Encanto”, que lhe permite total autonomia dos seus passos e passes – apresentando a sua adaptação, em parceria com Felipe Pinaud, de “Centro da Mata”, ainda em meio ao breu que toma a sala de espetáculos. Gradativamente, o palco se ilumina ao som da belíssima “De Mina”, de autoria de Josias Sobrinho. A partir de então, a plateia se entrega à competência musical da banda, assimila entusiasticamente cada acorde emitido e faz com que o show tome proporções de um espetáculo dançante, sob o mágico cromatismo e a pulsante cadência do desenho de luz de Daniela Sanchez e das ricas projeções que preenchem o fundo cenográfico.

O domínio do palco por Rita Benneditto denuncia a sua densa veia artística mixada com seu estilo de vida, lhe assegurando a confiança que somente uma artista, generosamente cercada de profissionais de ponta e trabalhando em conjunto com os mesmos, sabe que possui, mas não ostenta – naturalmente demonstra. Em resposta a tudo isso, muitos da plateia saem de suas poltronas e embarcam num crescente frenesi coletivo – quando de sua interpretação da adaptação de “Santa Clara Clareou” - de Jorge Ben Jor, de “É D’Oxum” - de Gerônimo e Vevê Calazans, e de “Banho de Manjericão”, de João Nogueira. A sua indagação sobre quem é Jorge é seguida pela oração de Jorge da Capadócia, induzindo ainda maior número de espectadores ao saudável transe musical e à rogação por toda a proteção possível e imaginável ao poderoso Santo Soldado Romano, depositário da confiança de tantos fiéis.

Um breve intervalo, na sequência de sucessos com teor sincrético religioso, dá vez à consagrada “Babalú” - de Margarita Lecuona, redefinida por uma roupagem eletrônica, potencializando o delírio dançante coletivo acometido por boa parte dos espectadores.

Retomando a temática de “Encanto”, Benneditto impulsiona “Jurema” mixada com um ponto cantado de Oxossi. O refrão de “Batmacumba” - de Gilberto Gil, eternizada pelos Mutantes, é entoado como uma introdução ao discurso em torno do caos, da tolerância e da energia cósmica, frente a uma plateia silenciosa e assimilativa, e dá seguimento a “Fé”, de autoria de Roberto Carlos, endossando o conteúdo de sua enunciação como um ser que acredita no planeta encanto, como ela mesma define - o lugar ideal, para quem sabe “com viver”.

O momento político e ideológico é introduzido com “Extra” - de Gilberto Gil, em estilo rasta, anunciando o fim do espetáculo que, uma vez percebido pelos espectadores, é combatido com o clamor antecipado por bis, prontamente atendido com “O Que é dela é Meu”- de Arlindo Cruz, por uma artista totalmente dominada pela energia do público.  Em retribuição a toda essa alegria, Rita Benneditto distribui uma fartura de rosas vermelhas, tão generosa quanto a qualidade de seu espetáculo, dentre os presentes na plateia - dando por finalizado, mas não quebrando o encanto de uma noite inesquecível. 


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