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terça-feira, 21 de julho de 2015

Toda Donzela tem um Pai que é uma Fera



Muita vontade de acertar

Em homenagem ao ator, dramaturgo e apresentador de televisão – Glaucio Gill, o ator, diretor e produtor – André Segatti resgata para o palco, um dos clássicos cinematográficos da comédia da década de 1960  - “Toda Donzela tem um Pai que é uma Fera”.
  
A partir de uma modesta produção, mas com muita vontade de acertar, Segatti dá tudo de si para agradar aqueles que buscam o teatro como uma forma de espairecer, sem a menor intenção de dissecar entrelinhas filosóficas e mensagens subliminares contidas em textos dramatúrgicos. Sem qualquer demérito ao público e à fonte de satisfação de tal busca, “Toda donzela ...” tem tudo para agradar gregos ou troianos.

A adaptação para o palco é bem arquitetada, conseguindo envolver e, até mesmo surpreender, aqueles que não conhecem a história original. Fica muito claro que a direção de Segatti aposta tudo na história, deixando o desempenho dramatúrgico em segundo plano, dessa forma, valorizando a essência e não a embalagem, que conta com um elenco composto por André Segatti, Raquel Nunes, Marcos Holanda, Andréia Segatti, Anderson Carvalho e Louise Nagel, que se deparam com a dificuldade de fazerem críveis os valores morais vigentes na metade do século passado e trazidos à baila durante o espetáculo, em plena segunda década do século XXI.

O cenário de Carlos Machado é pragmático, ilustrativo e atemporal, em desconexão com o contexto do roteiro com raízes na época da ditadura militar, apresentando a quitinete habitada por Porfírio – desempenhado pelo próprio Segatti – onde toda a história se desenrola, com muitas entradas, saídas, encontros e desencontros entre os personagens. O figurino de Iódice e Luidgi Specciale endossa a falta de compromisso temporal dessa adaptação, a não ser pelo uniforme que veste o general, pai da “donzela” Dayse.  O desenho de luz, também assumido por Segatti, atende na medida do necessário à difusidade, ao destaque, à dramaticidade e aos efeitos de ambientação requeridos pelas cenas. A sonoplastia segue a moda ditada pelos programas levados ao ar pelas emissoras de TV aberta, com a participação ativa dos presentes no palco, da plateia convidada e dos telespectadores que estão em casa – um festival de claques e de emissão de ruídos e vinhetas, supostamente engraçados, como se anunciando ao público o momento de detonar suas gargalhadas, denunciando eventual falta de confiança na genuína comicidade do texto.

“Toda Donzela tem um Pai que é uma Fera” é um exercício de palco muito bem vindo pelo qual o Circuito Geral torce, visando ao amadurecimento e aperfeiçoamento da iniciativa.

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