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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

2500 Por Hora


Cronometra o amor e o respeito à arte

Sessenta minutos - tempo em que os carismáticos, envolventes e talentosos atores – Claudio Gabriel, Henrique Juliano, Joelson Medeiros, Júlia Marini e Monica Biel – dispõem para percorrer 2.500 anos de teatro, através da apresentação de cenas de peças escritas por diversos autores, como Pirandello, Tcheckov, Molière, Feydeau, Eurípides, Shakespeare, Brecht, Beckett e Goethe, além de levar aos espectadores, a lembrança de diretores, movimentos teatrais, atores, grupos de teatro, pesquisadores e críticos. Monica Biel, como tradutora do texto de autoria de Jacques Livchine e Hervé de Lafond, reverencia o teatro brasileiro e toma a liberdade de adaptar o texto, incluindo trechos de trabalhos de Nelson Rodrigues e Martins Penna, assim como referências específicas da história do nosso teatro.

De forma randômica, menções e fragmentos são apresentados sem a menor intenção de promover uma exibição erudita ou pernóstica como forma de impressionar e impactar o público que, por sua vez, busca o teatro como fonte de lazer e de entretenimento, com qualidade. Dessa forma, o quinteto faz de “2.500 por Hora” – espetáculo dirigido, de maneira peculiar, por Moacir Chaves – acima de tudo, uma declaração de amor ao ofício.

A preparação do estado de espírito dos espectadores para com a descontraída atmosfera proposta, tem início no foyer do teatro, antes mesmo da abertura da sala de espetáculos, como um aquecimento para assimilarem a Fórmula 1 cultural porém, sem bandeira de cruzamento de linha de chegada, sem pódio e, tampouco, beijos da pessoa amada. Nessa arquibancada, os antenados na arte da dramaturgia ganham em velocidade de assimilação e identificação das obras encenadas e dos homenageados pela trupe. No entanto, mesmo os não tão familiarizados com o tema, acabam identificando um padrão lógico para o “patch work” costurado pelos atores, contribuindo para com o enriquecimento de sua bagagem cultural.

“2500 por Hora” não é contemplado com riqueza cenográfica, mas com um projeto que conta com a engenhosidade de Sergio Marimba, conferindo ao palco uma simplicidade de elementos cênicos e neutralidade cromática que contracenam e permitem a evidência dos atores e a alternância do elegante figurino concebido por Inês Salgado – elemento que muito contribui para a identificação dos textos e personagens que explodem quadro a quadro durante o espetáculo. Tomás Brandão e Miguel Mendes, além de assinarem a direção musical, limitam sutilmente os extremos laterais da boca de cena e executam a trilha sonora em uníssono com a agilidade com que o texto é declamado. Apesar da cadência acelerada impingida ao espetáculo, percebem-se momentos de plácida beleza, como durante a apresentação de Julia Marini, interpretando “Preciso Me Encontrar”, de autoria do mestre Cartola, no fragmento da peça “A Gaivota”, de Tchekhov.

“2500 Por Hora”, com sua simplicidade, cronometra o amor e o respeito à arte, enquanto os homens, escravizados pelo relógio, deixam de homenagear a hors concours dentre as obras de arte – a própria vida. Tomando as palavras de Jacques Livchine -  autor e diretor do Théâtre de l’Unité –  o Circuito Geral compartilha o descobrimento da “riqueza do teatro e seus dois segredos:  ele dança sobre a infelicidade dos homens e, em 2.500 anos, não fez nenhum progresso.”

 


2 comentários:

  1. Não conhecia esta coluna. Realmente, foi um prazer conhecê-la.

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  2. Ida, consideramos um privilégio tê-la como leitora do Circuito Geral Blog. Sugerimos qu visite o nosso site www.circuitogeral.com e a nossa fanpage https://goo.gl/56i3VV.
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