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domingo, 30 de agosto de 2015

A Gangue


O silêncio reina plena, pomposa e furiosamente

Sem diálogos verbais e sem legendas capazes de traduzir a linguagem dos sinais, o diretor Ucraniano Myroslav Slaboshpytskiy surpreende o espectador com o seu filme “A Gangue” – estrelado por um elenco composto, em sua totalidade, por atores surdos-mudos – ao logo do qual, o silêncio reina plena, pomposa e furiosamente, durante os cento e trinta e dois minutos de projeção. A genialidade da obra de Myroslav é comprovada a partir de suas imagens perturbadoras e atitudes introduzidas no contexto do roteiro que induz à reflexão sobre a fúria intrínseca na essência humana.

Ao ingressar num internato voltado para alunos deficientes, um garoto surdo-mudo, percebendo o comportamento hostil dos colegas, decide participar das ações do grupo - praticando furtos, agenciando prostituição e cometendo atos contemplando muita violência, com vistas à garantia de sua integridade física.

“A Gangue” se destaca por sua proposta inovadora, sugerindo que tudo o que é apresentado, faz parte da realidade e não deve ser varrido para debaixo do tapete. Por se tratar de portadores de limitações físicas, tais indivíduos acabam sendo considerados por muitos, como passíveis de piedade e, em função de suas deficiências, seriam isentos de uma característica que faz parte da essência de todos os seres humanos - a perversidade.

“A Gangue” é desprovido de qualquer trilha musical, contemplando somente sons que fazem parte da paisagem sonora, permitindo que o espectador mergulhe em seu próprio silêncio durante a projeção e, após o término do filme, encare suas próprias deficiências como normalidades congênitas e originais de fábrica. 

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