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domingo, 9 de agosto de 2015

Chá da Tarde com Musical - "On Broadway"

















Espetáculo às 5 integrado ao chá das 4

O Programa: um requintado Chá da Tarde com Musical. O local: Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Flamengo - um dos mais nobres bairros da zona sul do município do Rio de Janeiro. O Chá: fugindo da rotina gastronômica carioca, o Chá da Tarde contempla uma seleta variedade de pães, bolos, frios, salgados, doces e bebidas, com apresentação e qualidade ímpares. O Musical: “On Broadway” – um show contemplando um play list com os maiores sucessos dentre os musicais de todos os tempos.

Desde maio de 2015, o Palacete estilo neoclássico francês, construído em 1920, abriga um jovem e sonhador personagem chamado “Broadway da Silva” que parece se alimentar da arte presente em cada um dos suntuosos ambientes, e que faz da Pérgula Lounge – originalmente uma área externa, atualmente coberta e cuja decoração em estilo contemporâneo, convive harmoniosamente com obras de arte neoclássicas – um palco através do qual transporta o seleto público durante o chá vespertino, numa trajetória por vinte e cinco canções inesquecíveis que marcam dezessete produções exibidas nos teatros da famosa e principal avenida cultural nova-iorquina.

Com base no roteiro assinado por Carla Reis, o carismático Thiago Prado – interpretando “Broadway da Silva” – juntamente com Analu Pimenta, Deborah Marins, Raphael Rossatto e Santiago Villabalba, integram a trupe de cinco atores que despontam no segmento do teatro musical, e cujo desempenho é acompanhado pela banda composta por Roberto Lopes – também diretor musical do espetáculo, no piano; Teteu, na bateria; Vaguinho Gonçalves, no baixo e Marcio Carvalho, na guitarra – que executa, brilhantemente, todas as canções ao vivo. A direção geral, também sob a responsabilidade de Reis, promove o espetáculo às 5 integrado ao chá das 4 na dose certa para que se integre ao programa degustativo – por sua vez, servido por uma equipe de garçons cujo padrão de atendimento supera a avaliação do público mais exigente.

O espetáculo tem início sob uma atmosfera gótica com “O Fantasma da Ópera”, cujo clima de romance, horror, mistério e tragédia sofre radical transformação e, em fração de segundos, muda o foco de atenção da plateia para os Alpes austríacos, ao som das músicas que embalam as lembranças da família Von Trapp, em “A Noviça Rebelde”.  Atravessando o Atlântico, o espectador é transportado para um parque em Greenwich Village, na Nova Iorque dos anos 60, para que se junte à tribo roqueira de “Hair”, como um preparatório visando à assimilação de temas que vieram à tona nos anos 80 – desemprego, usuários de drogas, homossexualidade, liberação sexual e a AIDS, retratados em “Rent”. Das bases de uma realidade nua e crua, a plateia é turbilhonada em direção a uma distante e desconhecida terra onde, na companhia de Dotothy, percorrem a estrada de tijolos amarelos, ao som de “O Mágico de Oz”. Como se novamente envolvidos pelo tornado musical, todos são lançados nas cercanias da Casa Rosada, no exato momento em que “Evita” declara ao povo portenho, sua genuína vocação de servir ao seu país. A partir dos poemas de T. S. Eliot transformados em musical, sob a partitura assinada por Andrew Lloyd Webber, “Broadway da Silva” estimula a “memória” do seu público a partir do ronronar dos gatos “Jellicle”, em “Cats”, abrindo caminho para os sucessos apresentados no musical estilo jukebox – “Motown” e daqueles executados pela banda de rock “Four Seasons” - liderada por Frankie Valli - presente no palco através do tributo prestado ao musical “Jersey Boys”. De volta aos anos 80, o espetáculo aterrissa na ilha de Calicos, na Grécia, onde a jovem Sophie vive seu romance com o jovem Sky, ao som das consagradas músicas do grupo de música pop rock, ABBA, em “Mamma Mia!”. O incansável anfitrião e apresentador não mede esforços para animar a plateia para que, mais uma vez, se desloquem no tempo e no espaço e desfrutem da vida noturna no Kit Kat Klub de “Cabaret” e do mundo selvagem da savana africana – habitat do casal soberano de leões  Mufasa e Sarabi, e de seu leal súdito e amigo macaco do velho mundo, Rafiki – durante a cerimônia de anunciação do nascimento do futuro “Rei Leão” – Simba. Partiu norte da África, atravessando o Mar Mediterrâneo através do túnel do tempo, até a França de 1862, o espectador se depara com a emocionante performance à “luz de velas” de um número de uma das principais obras de Victor Hugo - “Os Miseráveis”. Após nova travessia do Atlântico, com ponto de chegada em meio às gangues de rua de Chicago, seguem os sons das origens do rock and roll com “Grease”. Finalmente, “Broadway da Silva” sinaliza o derradeiro número com um tributo a “Hairspray”, contemplando um roteiro coreografado no estilo anos 60.

Não seria justo omitir a valiosa participação de toda uma invisível equipe de operação de luz, som e bastidores, além da indissociável integração da figurinista Beth Serpa e do coreógrafo Carlos Fontinelli, responsáveis, respectivamente, pelo singelo e prático projeto de vestuário e pela concepção e precisa transcrição dos passos desempenhados naquele espaço multiuso.

Findo o espetáculo, os espectadores demonstram satisfação genuína e se despedem da Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa com os sentidos da visão, da audição e do paladar estimulados pelo desejo de um breve retorno.


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