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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Chaplin – O Musical


















Não peca pela obviedade

A síntese da vida do atordiretor, produtorhumorista, empresárioescritor, comediantedançarino, roteirista e músico britânico - Charles Chaplin, desde a sua infância até a sua consagração mundial, é brilhantemente levada aos palcos sob a forma de um musical, com base no pragmático texto de Thomas Meehan e Christopher Curtis, sendo deste, a autoria das músicas e letras originais, cuja versão brasileira se deve ao criterioso trabalho de Miguel Falabella.

Da Londres do século XIX até a Hollywood do século XX, a trajetória de Vagabundo Carlitos é delineada com muito requinte e com suporte técnico-artístico que atesta o status da produção de musicais no mercado do “showbiz” nacional, estampando a altíssima qualidade exigida pela direção de Mariano Detry. Pelos traços de Matt Kiley, a base cenográfica permanente remete a platéia ao interior de um estúdio hollywoodiano onde tudo acontece e se transforma com fantástica precisão e cronometria, a partir de fragmentos de painéis, panejamentos, mobiliário e adereços transportados e dispostos em seus devidos lugares pelos próprios atores. Como numa convincente viagem ao passado, a atmosfera cênica é complementada pelo deslumbrante figurino assinado por Fábio Namatame e pelo videografismo por Luciana Ferraz e Otavio Juliano, projetado em diversos planos que compõem o dinâmico cenário, potencializando as cenas antológicas de “O Garoto”, “O Circo”, “Tempos Modernos” e “O Grande Ditador”. Consolidando a máxima de que a arquitetura não existe se não iluminada, a luminotecnia cênica de José Possi Neto e Drika Matheus abusa do seu indissociável vínculo com cada elemento e individuo presentes no palco, como jóias raras lapidadas pela incidência concentrada de fachos de luz. O sentido da audição, por sua vez, é alimentado pelo desenho de som de Mariano Detry que estremece a casa de espetáculos com instrumental – através de uma orquestra oculta pelo cenário e surpreendentemente revelada à platéia em meio a uma das mais emocionantes cenas do espetáculo - e com vocal de qualidade indiscutível.

“Chaplin – O Musical” conta mais sobre o homem Chaplin do que sobre o personagem Vagabundo - a sua essência empreendedora e política, seus muitos amores, sua relação com sua mãe e seu irmão mais velho, as colunas de fofocas e a fundação dos estúdios Keystone. O musical não peca na obviedade e não percorre os sucessos cinematográficos de Chaplin, mas os sugere, inseridos nas passagens concebidas por Curtis e Meelan, com tamanha sutileza capaz de despertar no espectador atento, o sentimento de satisfação ao identificá-los ao longo do espetáculo.

Coestrelando em “Chaplin – O Musical”: Marcello Antony defende dignamente Sidney - o irmão mais velho de Chaplin; Paulo Goulart Filho atua como Mack Sennett, um dos empresários de Chaplin, cujos textos se destacam pela simplicidade com que o ator os engrandece a cada palavra que profere; e grande elenco. Mais que supreendentemente, Jarbas Homem de Mello incorpora o protagonista como uma osmose humanizada, tomando-lhe emprestado seu eterno sorriso e olhar imersos em inigualável ingenuidade e ternura, e presenteando-os ao público - como a flor dada ao Vagabundo pela florista, ao final de Luzes da Cidade, contaminando o coletivo cênico, merecedor da ovação do público por muitos minutos, ao final do espetáculo.

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