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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

E Foram Quase Felizes Para Sempre


Reinicia quando todos acham que o espetáculo chegou ao seu fim

O difícil relacionamento entre um homem e uma mulher se encontra, mais uma vez, na mira dos holofotes – nesta última semana da atual temporada no palco do Teatro Clara Nunes – Rio de Janeiro, sob a quase dramática exposição verbal de Heloísa Périssé, que também assina a autoria de “E Foram Quase Felizes Para Sempre”. O espetáculo não se sustenta pelo texto que, mais do que banalizado nos diversos veículos de comunicação, é tão incolor, inodoro e insípido quanto água. Porém, o empenho da excelente equipe de produção, atuando como agente fomentador de credibilidade e de admiração da humorista pelo público habilita o espetáculo a saciar os espectadores sedentos por momentos de descontração.

O sucesso do monólogo não se deve ao que é dito, mas à maneira como o assunto é transmitido. Isso se deve, não só ao talento de Périssé, mas à eficiente direção de Susana Garcia - descompromissada, porém, técnica. A iluminação cênica que acompanha as oscilações emocionais da personagem, num ritmo quase que dançante, tem como “coreógrafo” o  desenhista de luz Maneco Quinderé. Em meio ao jogo de luz e sombra, a personagem de Périssé transita por uma composição de pórticos, cuja concepção cenográfica de Miguel Pinto Guimarães, foi interpretada pelo Circuito Geral, como uma alusão a molduras cujos espelhos inexistentes, não respondem ao desespero da personagem em despertar do pesadelo com um amor frustrado, tampouco à sua ânsia em busca de um amor que a faça feliz, configurando-se em passagens que se abrem ou que já estiveram sempre abertas. O figurino de Rita Murtinho, sem compromisso com a temática, veste  Périssé com elegância a cada espetáculo, enquanto que a atriz se desnuda da real Périssé, se exibindo ao público, simplesmente, em seu papel e permitindo que a trilha musical de Alexandre Elias, informe aos espectadores bem mais sobre a personagem do que a Périssé em seu figurino.

 

Na direção contrária da mulher moderna, decidida e livre da fantasia do “foram felizes para sempre”, “E Foram Quase Felizes Para Sempre” reinicia quando todos acham que o espetáculo chegou ao seu fim, como um vinil que se apresenta arranhado na última faixa.


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