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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O Pequeno Príncipe


















A diária magia do alvorecer das manhãs e com a eterna dúvida sobre se, de fato, o sol brilhará ou estará encoberto pelas nuvens. 


Sob uma apaixonada direção de “O Pequeno Príncipe”, Mark Osborne faz uma releitura do romance de autoria do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry e insere a essência do menino que habita um pequeno asteróide - juntamente com uma rosa e três vulcões - em duas vidas: a de uma mãe e a de uma filha - a primeira, encarando a sua existência como uma ciência exata e a outra, seguindo a exatidão da sua jornada inexata, cujos fatos lhes são paciente e didaticamente revelados por seu vizinho – um idoso e sonhador aviador.

A animação de Osborne nos mostra o pequeno asteróide como o espaço ocupado por cada um de nós em nossas próprias vidas, com nossas rosas, nossos vulcões – alguns deles extintos e outros em plena atividade, com a diária magia do alvorecer das manhãs e com a eterna dúvida sobre se, de fato, o sol brilhará ou estará encoberto pelas nuvens. Da mesma forma que no conto do menino príncipe, nosso mundo também contempla personagens reais ou inventados - representados pelas nossas rosas, jiboias, elefantes, carneiros e raposas - e normas de sucesso que muitas vezes são consideradas bênçãos, golpes de sorte ou, simplesmente, obra do destino – por sua vez, ilustradas pelas provas as quais nos submetemos e pela carreira e ascensão social as quais almejamos.

A versão de Osborne dá margem para que as “pessoas grandes” se tornem personagens ativos, proporcionalmente às responsabilidades que assumem junto aos seus pequeninos, ao contrário dos adultos passivos da obra original de Saint-Exupéry, que vivem, essencialmente, a sua vaidade, o seu poder, o seu conhecimento, a sua ganância e a sua rotina - tão efêmeros quanto a própria vida.

Osborne explora os equívocos de avaliação pessoal e de auto aceitação, a partir da falta de consciência dos reais valores do Pequeno Príncipe adolescente, por si mesmo e pelos adultos com quem lida.  Como num sonho, a pequena menina, co-protagonista da versão do diretor, o ajuda a se conscientizar de tais valores. Pelas mãos de mãe e filha, presenciamos as crianças que fomos, as que somos, e as que ainda seremos, pois, “O Pequeno Príncipe” é enigmático, porém dotado de profundos sentimentos que provocam inevitáveis lágrimas quando nos deixamos cativar.


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