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domingo, 13 de setembro de 2015

Guerra Doce


Motivo para reflexão

Tal e qual uma infecção viral que ataca sistema imunológico, os sintomas do espetáculo “Guerra Doce”, num primeiro momento, se manifestam no espectador como se esse tivesse sido submetido, propositalmente, ao processo de uma incubação virótica, pelo diretor William Vita que, por sua vez, presta esclarecimento a todos os presentes, logo em seguida, sobre o mal que se estabelece no romance de André e Gustavo, vividos respectivamente por Edu Porto e William Vita.

Os anti-corpos produzidos por “Guerra Doce” não conseguem sanar o mal-estar contido no denso texto de Porto. O combate corpo a corpo entre as células de defesa e as rápidas mutações de seu oponente comprometem os diálogos já datados, que se perduram durante todo o espetáculo, cuja contaminação vem acompanhada por febre, suores noturnos e emagrecimento repentino. Tudo isso faz com que a história, baseada em fato real, torne-se motivo para reflexão, diante das mentiras, dos desvios de caráter e das injustiças praticadas pelos que não se enxergam doentes – tais como o empresário Gustavo e a personagem assumida por Kel Braga – a amiga de André.

A baixa imunidade - simbolicamente identificada pelo Circuito Geral no desenho de luz de Eder Nascimento – permite o espectador perceber a fraqueza atingir o seu estágio avançado junto ao filósofo artista – André. A trilha sonora assinada por Guto Rodrigues se insere no contexto contemplando sentimentos de tristeza e de depressão, a partir de um som incidental que movimenta as dúvidas correntes de cada personagem – em seguir ou não seguir adiante.

“Guerra Doce” passa, em diversos momentos, por situações de risco, mas demonstra estar no domínio da capacidade de se proteger e, dessa forma, manter-se vivo.


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