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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Que Horas Ela Volta?


Atropela, desinibidamente, o comportamento da burguesia brasileira


Bom humor e ironia definem a linha mestra da surpreendente direção do filme “Que Horas Ela Volta?”, por Anna Muylaert.

A película atropela, desinibidamente, o comportamento da burguesia brasileira, até transformá-la em pista de asfalto para que, Regina Casé, sutilmente, a atravesse, sob os olhares de superioridade daqueles que acreditam na capacidade do dinheiro comprar, até mesmo, a essência humana – ledo engano. Tal premissa é jogada ladeira à baixo, a partir da introdução de uma personagem, em caráter temporário, no núcleo de uma família pertencente à classe A, para a qual, a pernambucana Val, interpretada por Regina Casé, trabalha há mais de 12 anos – inicialmente como babá, que passou a empregada doméstica que dorme no emprego. O devastador elemento estranho à família é Jéssica, filha de Val - personificada por Camila Márdila. Mesmo tendo vivido longe da mãe, Jéssica pede a Val para que a receba, em São Paulo, para prestar vestibular para arquitetura, coincidentemente, como também o fará, Fabinho, filho dos patrões de Val – interpretado por Michel Joelsas.

Camila Márdila, com sua Jéssica, rouba, engenhosamente, o filme para si. Confere dignidade a Jessica, por sua vez, sujeita ao mesmo dilema pelo qual passou sua mãe, ao deixá-la para que fosse criada pela tia – um endosso à máxima que afirma que “tudo é feito em prol de seu rebento” – mesmo que, para isso, fosse obrigada a desconhecer totalmente a infância de sua cria.

“Que Horas Ela Volta?” termina como se consumado por um final feliz. Contudo, a veracidade dos personagens não deixa seus espectadores muito seguros dessa tal felicidade.


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