Counter

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Beatles num Céu de Diamantes


Deleite imaginativo

“Beatles num Céu de Diamantes” é um show musical comandado por onze cantores – dentre os quais, quatro acumulam a função de instrumentistas, responsáveis pela percussão, pelo violoncelo, pelo ukulete, pelos violões e pelo piano – promovendo uma deliciosa releitura de mais de cinquenta sucessos do grupo de Liverpool.

A precisa direção assinada a quatro mãos por Charles Möeller e Claudio Botelho define uma sequência musical contemplando abertura, sete capítulos e finale – contudo, sem compromisso com uma história ou enredo – como se isso devesse ficar por conta das lembranças daqueles que viveram a obra do grupo ou da fértil imaginação das gerações subsequentes que, com o seu conhecimento da língua inglesa, possam montar, cada um, o seu patchwork musical, de acordo com suas experiências de vida.

O Circuito Geral radiografa o show segundo um cenário propositalmente insípido, conjugado ao desenho de luz de Paulo Cesar Medeiros, sombriamente dramático – binômio esse que fomenta a imaginação dos espectadores, fazendo com que se enxerguem nos artistas Cássia Raquel, Estrela Blanco, Felipe Tavolaro, Jonas Hammar, Jules Vandystadt, Lui Coimbra, Marya Bravo, Pedro Sol, Rodrigo Cirne, Rodrigo de Marsillac e Tatih Köhler, cada um a seu modo – como personagens de um espetáculo teatral conduzido por uma trilha sonora personalizada. O figurino de Carol Lobato sugere uma viagem aos anos 60 – sob o efeito de uma droga tão forte quanto “Lucy in the Sky with Diamonds” – durante a qual, o espectador se transporta durante noventa minutos, voltando a si num estalar de dedos.

“Beatles num Céu de Diamantes” guarnece os elementos cênicos para os personagens que se encontram na platéia, com suas malas, guarda-chuvas, papeis picados e bolhas de sabão mesclados com lirismo – puro deleite imaginativo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário