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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Mondo Machete


"Imagens que colam na retina"

Uma espiã em Cuba, ex-namorada de Elvis Presley, foi escrava sexual, traficou, passou por Alcatraz e passeou muito pelas ruas parisienses – um pequeno resumo do tresloucado musical “Mondo Machete”. 

Silvia Gabriela é o nome de batismo da protagonista que tomou para si o amor por sua pombinha – Paloma, que um dia voou para não mais voltar. Embora isso possa nos remeter à um dramalhão lacrimejante, o espetáculo “Mondo Machete” é uma grande diversão, durante o qual, com sua voz e personalidade marcantes, Silvia interpreta sucessos como “My Favorite Things” – do musical Noviça Rebelde; “Bang Bang (My Baby Shot Me Down) – flexionada na versão de Skylar Grey; Back to Black - de Amy Winehouse e de forma “subverSílvia”, desempenha como acrobata, dança bambolê enquanto aperta um cigarrinho “orgânico”, sapateia inspirada em Ginger Rogers e se denomina “Machete” - a partir da sua admiração pela artista.

Em “Mondo Machete”, a veia artística de Silvia pode ser traduzida enquanto passada à limpo – pelo criativo texto de Felipe Miguez; pela mosaica direção de Cesar Augusto; pela afinadíssima direção musical de Fabiano Krieger; no contexto de um cenário tropicalista assinado por Beli Araújo; ornamentada pelo transitório figurino de Marcelo Olinto; pincelada pela – hora espatulada, hora aquarelada – iluminação de Cesar de Ramires que transita entre a dramaticidade e a folia carnavalesca; pelo diversificado desenho de som de Fabiano França; e pelo inspirado e acentuado visagismo de Márcio Mello.

“Mondo Machete” é um espetáculo naturalmente teatral e uma excelente vitrine através da qual Sílvia nos apresenta sua discografia: “Bomb of Love - Música Safada para Corações Românticos”; “Eu Não Sou Nenhuma Santa”; “Extravaganza”; e “Souvenir” – disponibilizando seu CDs e DVDs à venda, subliminar e previamente avisado em meio à platéia, num dos momentos mais irreverentes e hilários desse seu musical.

Valendo-se de suas próprias palavras, ao se referir a eventuais “imagens que colam na retina”, Silvia ratifica a máxima que define que “a última impressão é a que fica”, interpretando “Trapézio” – fechando o espetáculo, ao mesmo tempo em que desempenha suas habilidades circenses no aparelho que deu origem ao nome da música - ciente da possibilidade de um dia falhar, e voar ao encontro das mãos que, da mesma forma, a aplaudirão e das vozes que a ovacionarão e pedirão bis.


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