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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Inquietos


“Cartoonesco” 

Existir – olhos abertos focados em um destino traçado, que fora elaborado com base em conceitos e sistemas de escolhas focando ideais sob autenticidade do, simplesmente, se fazer presente.

O espetáculo “Inquietos” – um dos últimos trabalhos estruturados pelo ator e diretor gaúcho, falecido em janeiro de 2011, Marcos Barreto, que destruiu os grilhões travestidos em verdades pessoais e exaltou o medo de existir em um mundo repleto de emoções insólitas – em sua atual produção, conta com a supervisão de Leonardo Talarico que estabelece um horizonte de significados no mundo “cartoonesco” dos protagonistas da história. O texto de Daniel Freitas assenta-se em um rápido panorama da comunicação dos personagens caracterizados por meio dos diversos conceitos: clínico, filosófico e estrutural. No elenco, Francine Thomas, Daniel Freitas e Fabiano Bernardelli dão vida a subjetivas, objetivas, filosóficas e inquietantes manifestações do cotidiano. De forma surpreendente, a sonorização toma a sala de espetáculos com qualidade ímpar, pulsando uma trilha sonora de Marcelo Lehmann que expressa toda a reciprocidade que provém da captação transcendental e que consegue se misturar com os sentidos, os pensamentos, e a divagação em meio  ao conceito definido pelo roteiro. Sérgio Pascolato, além de ser co-responsável pela trilha sonora, também assina o projeto cenográfico que remete a platéia a uma rua deserta, caracterizada por elementos gráficos que estilizam equipamentos urbanos, e que também se desdobra em um consultório médico. Tornando o teatro soturno e sem nenhuma vibração cômica, incumbência que fica a cargo exclusivamente dos atores, o projeto luminotécnico cênico, assinado por Wagner Pinto, também recebe especial atenção com foco nas situações limites que são marcadas pelo desespero e pela angústia. O figurino de Allan Kardec é adequado aos fatos e aos acontecimentos em situações originais e ilimitadas ao tratar a tendência absoluta ao incondicional modo de vida de cada personagem. Impossível deixar de mencionar a direção de movimento que torna “Inquietos” um espetáculo conceitual e atento ao porquê e  aos questionamentos sobre a existência do ser.




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