Counter

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O Pastor


“Cult” religioso

O Circuito Geral abre um precedente ao publicar uma nova resenha sobre um espetáculo já coberto – “O Pastor” que desponta como um promissor “cult” religioso. Quando de sua primeira apresentação no Solar de Botafogo, com seu roteiro inovador e repleto de interatividade com o público, “O Pastor” surpreende o espectador como se este tivesse sido acometido por uma miopia capaz de lhe turvar a leitura daquilo, que de fato, se apresenta em cena – se mera ficção teatral ou se um exercício da fé através da prática da programação neurolinguistica.

De uma temporada regular em Botafogo para uma participação invasiva relâmpago no OI Casa Grande – no Leblon, “O Pastor” se apresenta em curtíssima temporada em Ipanema e vislumbra galgar patamares cada vez mais próximos ao Altíssimo, levando ao seu distinto público, formado pelos fiéis “irmãos” espectadores, um cultuado espetáculo atemporal, contemporâneo e auto renovável, graças à flexibilidade do engenhoso texto de Daniel Porto. A direção de Carina Casuscelli dá seguimento às possibilidades de efetivas intervenções por parte do espectador e permite que os atores tomem a liberdade de conduzirem o “culto” conforme as oscilações das “condições de temperatura e pressão” da plateia a cada nova “sessão”. Percebe-se que o pastor Antônio, apropriado pelo ator Alexandre Lino, tem se aprimorado no proferimento das palavras que assumem o molde de um ataque verborrágico em nome do cordeiro divino na mente daqueles que as escutam. Kátia Camello, incorporando, quase que literalmente, a irmã Janaína, evidencia, de forma exacerbada – e por incrível que possa parecer, sem ser caricata – a teatralidade da natureza humana diante da tão apregoada temência a Deus. Cesário Candhi, no papel do simplório e humilde praticante Paulo, lança mão de sua habilidade de se tornar invisível aos olhos de todos, se materializando em cena de forma surpreendente. A cenografia e figurinos de Karlla de Luca permanecem dosada e adequadamente imaculados, da mesma forma que o videografismo de Fábio Jardim e a direção musical de Alexandre Elias, ficando o aprimoramento por conta do modo em que o “culto” é desenvolvido.  E quanto a esse compromisso, o Circuito Geral é testemunha que “O Pastor” queima!

Nenhum comentário:

Postar um comentário