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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sambra – O Musical, 100 anos de Samba


Mais do que um simples espetáculo para entretenimento dos admiradores do estilo.

As raízes que arborizaram a estrada que atravessa a Bossa Nova, o Partido Alto, o Pagode e os Enredos Carnavalescos são reverenciadas através de muita ovação, palmas, batidas de pés e gingados, no palco e na plateia, ao longo do espetáculo “Sambra - O Musical, 100 anos de Samba” – a partir do texto e sob a da direção, ambos assinados por Gustavo Gasparini – que discorre sobre tais referências musicais responsáveis pelo nascimento do samba.

A direção de movimento e coreografia assinada por Renato Vieira é impregnada pela tradição das rodas de samba e exalta a importância da cultura negra, com sua dança e sapateado de cadência rítmica – uma trajetória facilitada à compreensão do espectador muito em função da ambientação gerada pela direção de arte cenográfica por Hélio Eichbauer, transformado a boca de cena numa janela, hora com vista para um terreirão, hora para um banco no contexto de uma praça sob um céu enluarado, hora nos bastidores de um teatro dentro de outro teatro. O figurino, sob os cuidados de Marília Carneiro e Reinaldo Elias, define uma rica trajetória dos costumes de época juntamente com a evolução da musical dos bambas do samba, complementado pelo visagismo de Graça Torres que colore os atores com sua paleta, de forma nos festiva, conforme a demanda do gênero musical. Carlos Esteves assume o compromisso de invadir cada um dos espectadores com seu desenho de som de forma contagiante, crescente e retumbante em uníssono com o desenho de luz de Paulo Cesar Medeiros que, simbolicamente e de forma mágica, é capaz de transformar a atmosfera de cunho religioso ou uma localidade qualquer em uma festa pagã com endereço certo, onde a contagiante celebração promove intensa luz para todos. Ilustrando visualmente todo o estímulo auditivo provocado pelos números musicais, o videografismo de Thiago Stauffer consolida o roteiro quase didático do espetáculo, garantindo-lhe identidade e sinergia entre palco e plateia, apelando, positivamente para a emoção, ao projetar diante da cortina de fundo, dentre diversas imagens, as de consagrados e  inesquecíveis ícones do samba. A preparação e arranjos vocais de Maurício Detoni formata a exposição dos artistas cantores sem criar hiatos temporais entre uma coreografia e outra, o que demanda fôlego e energia por parte do corpo de baile. “Sambra” conta com um elenco grandioso e de primeira linha, do qual, mencionar qualquer nome em destaque, seria incorrer em uma enorme injustiça.

Mais do que um simples espetáculo para entretenimento dos admiradores do estilo, “Sambra – O Musical, 100 anos de Samba” enriquece o cenário teatral que confere ao Brasil o título de terceiro maior produtor de musicais do mundo.

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