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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Um Milagre de Natal



Uma plateia madura, repleta de genuíno e inocente sentimento infantil


Radiografando a celebração do Natal, tomando como objeto as relações familiares, de um modo geral, indissociadas das classes sociais e do número de membros que compõem esses núcleos: seus altos e baixos recorrentes da vida cotidiana, as reuniões temperadas por sentimentos embasados por guerras frias pessoais, o vazio causado pela falta de um familiar ou de um amigo próximo, ou simplesmente a perda do seu real significado como data comemorativa, seja pela sua essência religiosa ou deturpada pelo capitalismo selvagem – ambos, sempre à espera de um milagre.

A partir desse enfoque, a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, sob a produção geral de Carlos Alberto Serpa, tematiza o seu tradicional chá da tarde musical, com o espetáculo dirigido por Bruno Torquato – “Um Milagre de Natal”, em cartaz até o dia 7 de janeiro de 2017.

A direção musical de Guilherme Borges alinha a história que tem início em uma véspera de Natal e que se encerra, após a meia noite, segundo um cenário onde rupturas se consolidam, sofrimentos são amenizados e as separações se configuram em, simplesmente, uma triste página virada. Um conto embalado por melodias natalinas consagradas nacional e internacionalmente, transforma a degustação de um chá e a expectação de um musical em momento singular de emocionante confraternização. A permanente troca do requintado e lúdico figurino promove um desfile de uma variedade de vestes temáticas assinadas Beth Serpa. A coreografia de Átila Amaral magnetiza o público de tal forma a promover um involuntário, mas genuíno acompanhamento dos movimentos dançantes dos atores pelo sutil ritmar de suas cabeças e membros. A iluminação de Diego Araujo, mesmo com recursos limitados pela própria configuração arquitetônica da sala de chá, é bem sucedida ao dramatizar, surpreender e apoteotizar as mais diversas cenas ao longo do espetáculo. O polivalente e integrado elenco, integrante da Companhia de Teatro Julieta de Serpa – igualmente dirigida por Carlos Alberto – é composto por Dean Moreira, Denis Pinheiro, Julia Nogueira, Lidiane Rodrigues, Lucia Bianchini, Luiz Gofman, Rafael Siano, Roberta Spindel, Santiago Villalba, Tatty Caldeira e Vitor Martinez, que compartilham o palco com os músicos Ayres D’Athayde, na bateria; Francisco Nilson, no baixo; Bruno Marque, no sax e flauta; Anderson Medeiros, no trompete e Ciro Magnani, no piano, trazendo para a realidade, a essência natalina, junto a uma plateia madura, repleta de genuíno e inocente sentimento infantil, responsável pela transformação do fim de um espetáculo em uma fantasia tão real, quanto a expectativa da realização de um milagre.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sully – O Herói do Rio Hudson


Provoca a vontade de se aprofundar no fator humano que se torna o verdadeiro protagonista do drama

“Sully – O Herói do Rio Hudson” conta a história do Capitão Chesley Sullenberger que, imbuído do compromisso que tem para com a sua profissão, lança mão de toda a sua expertise como piloto de aeronaves comerciais, quando se vê obrigado a proceder um arriscado pouso de emergência em pleno rio Hudson, em Nova York, devido a problemas técnicos, salvando a vida de todos os cento e cinquenta e cinco passageiros. Apesar dessa aparente sinopse soar como spoiler, trata-se apenas de um prólogo de um roteiro baseado em fatos reais, de uma produção cinematográfica que conta com a concisa direção de Clint Eastwood. Tom Hanks, eloquentemente, desenha a essência humana de Sully  e seu co-piloto Jeff Skiles, interpretado por Aaron Eckhart durante a investigação do voo que assume a tendência de transformar o herói em um grande vilão.

O sentimento de indignação é inevitável, imediato e crescente durante os noventa e seis minutos de projeção, submersos em requintes de injustiça relatada ao longo de toda a investigação – sentimentos potencializados pelo roteiro de Todd Komarnicki, baseado no livro “Highest Duty”, que faz de “Sully – O Herói do Rio Hudson” um filme que provoca a vontade de se aprofundar no fator humano que se torna o verdadeiro protagonista do drama.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Rogue One: Uma História Star Wars


Irretocável em efeitos especiais e repleto de eletrizante ação contínua

“Rogue One: Uma História Star Wars” – sétima superprodução derivada da franquia lançada por George Lucas em 1977. Cronologicamente, “Rogue One” se posiciona entre o episódio III – “A Vingança dos Sith”, e o episódio IV – “Uma Nova Esperança”, esclarecendo a forma pela qual os planos de construção da estação espacial bélica criada pelo Império Galáctico, denominada Estrela da Morte, foram parar nas mãos do grupo de resistência civil que planejava restabelecer a paz na Galáxia – a Aliança Rebelde.

Mads Mikkelsen dá vida ao renomado cientista Galen Erson, responsável pela construção da estação espacial bélica. Felicity Jones protagoniza sua filha, Jyn Erson. Orson Krennic assume o papel de Ben Medelsohn - ambicioso militar do Império, que sequestra Gales após ter assassinado sua esposa Lyra Erson, interpretada por Valene Kane.

A direção avassaladora de Gareth Edwards impõe as principais referências dos clássicos personagens embrionários da sequência dos episódios IV ao VI – “O Retorno de Jedy” e abusa da tecnologia digital, ao trazer de volta o ator Peter Cushing no papel de um dos vilões mais formidáveis na história de Star Wars – o General Tarkin, dentre outros.

Para aqueles que, porventura, se candidatarem a calouros, como espectadores de primeira viagem em Star Wars, ou mesmo aqueles que não foram muito assíduos no acompanhamento da saga, a atual produção, irretocável em efeitos especiais e repleto de eletrizante ação contínua, é capaz de fomentar o desejo de contemplação dos seis sucessos de bilheteria anteriores. Para os veteranos fãs de Star Wars, em especial, aqueles que tiveram o privilégio de acompanhar a saga desde o lançamento do primeiro filme, o exercício de reconstrução da história como um todo é parte indissociável dos 133 minutos de projeção – superando, em muito, qualquer expectativa – onde os elos se conectam de forma surpreendente, mesmo sem sinais de sabres de luz.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Natal Mágico


Um sonho que não tem fim

Nove de dezembro de 2016 - sob a realização da Black & Red Produções, Opus Promoções e Ministério da Cultura, o Teatro Bradesco Rio abre, extraoficialmente, no coração de centenas de espectadores, o Natal 2016 na Cidade Maravilhosa, com um espetáculo musical para toda a família – “Natal Mágico”.

A curta temporada da megaprodução, que traz a marca da inigualável expertise de Billy Bond na criação do gênero termina no dia 17 de dezembro de 2016, garante encantamento, emoção e diversão através da encenação de um conto cantado ao vivo, contemplando inúmeros efeitos especiais, diversidade de cenários videográficos e de dezenas de figurinos que provocam a percepção sensorial visual, auditiva, olfativa e táctil – tudo isso em um só espetáculo.

O prólogo fica por conta da entrada do Papai Noel, em carne e osso, na sala de espetáculos, para o encantamento de todos. Chegando ao palco – cuja cenografia remete os espectadores a uma paisagem da região da Lapônia – em seu trenó conduzido por um grupo de renas e sob o efeito de ventania, uma nevasca toma conta da plateia, Noel parte rumo à Cidade do Rio de Janeiro, ao encontro de duas crianças – os irmãos Maria e José.  Compondo a família, o avô com limitações auditivas, a mãe apaixonada pelo filme “Cantando na Chuva”, o pai muito ocupado com seus afazeres e uma tia frustrada e ranheta, que se faz de feia e que não acredita em Papai Noel. Empenhados em resgatar o que ainda resta da inocência infantil no coração de sua tia, os irmãos Maria e José assumem a missão de lhe provar a existência do Papai Noel. Com base nesse argumento, a magia toma conta da plateia explorando a essência natalina – a busca pela realização de sonhos e fantasias, através de um mix de diversos personagens de clássicos infantis materializados no palco através de musicais idealizados por Bond e outros, tais como Alice, Encantada, Cinderela, Branca de Neve, Peter Pan e Pinóquio. Bond também resgata para o palco, heróis como Batman, Superman, Homem Aranha e Capitão América, além do vilão Coringa – ao som dos sucessos consagrados “Strawberry Fields Forever” – The Beatles e “Every Little Thing She Does Is Magic” – The Police, com tradução livre exclusiva para o espetáculo. A espontânea interação da plateia com os personagens é um registro da capacidade do diretor Billy Bond em cativar o público, que se encanta com a coreografia de “Cantando na Chuva”, sob a aspersão de gotículas de água que tomam conta da sala de espetáculos. Tudo isso como parte da realização de sonhos e de desejos de Maria, João e de seus pais que, agraciados pela realização dos mesmos, se recolhem em família para a ceia natalina – incluindo a tia rabugenta já, naquele momento, convencida da existência do Papai Noel.


O zelo de Bond para com a fantasia temática do Natal, iconizada pela figura de Noel não negligencia o que há de mais verdadeiro no espírito natalino – o nascimento de Jesus Cristo. Marcando o fim do espetáculo, sob os efeitos da iluminação cênica e do videografismo, engenhosamente dosados durante todo o espetáculo, um presépio, em verdadeira grandeza, é montado sobre o palco, diante dos olhares emocionados da plateia, consagrando, de forma apoteótica, um sonho que não tem fim.   

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AquaRio


AquaRio


Uma multiplicidade de tanques saltam aos olhos nos corredores escuros como janelas que se abrem para o mundo submarino

Após o sucesso de sua revitalização, a Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro ganha mais uma nova atração – o “AquaRio”, o maior aquário da América do Sul, com 26 mil m² de área construída para 3 mil animais em mais de 4,5 milhões de litros de água. Em princípio, o aquário já conta com 350 espécies marinhas nativas do Brasil e de outras partes do mundo, totalizando um circuito de 28 tanques.

Recepcionando os visitantes, uma monumental ossada de uma baleia jubarte, suspensa em cabos de aço, define a monumentalidade do acesso ao aquário – acesso este aberto sem qualquer ônus para o público em geral.

Imprimindo o caráter acessível a todos os espaços, elevadores conduzem os visitantes o marco zero do percurso localizado no terceiro andar, onde uma multiplicidade de tanques saltam aos olhos nos corredores escuros como janelas que se abrem para o mundo submarino, evidenciando os astros desse belo espetáculo, dentre corais, anêmonas e uma diversidade de anilais marinhos para o deleite dos visitantes de todas as gerações. As grutas virtuais dão a oportunidade ao público de se sentirem rodeados por cardumes de diversas espécies – experiência potencializada quando do acesso ao túnel de acrílico submerso onde arrais e tubarões dão um show à parte.

Ao final do percurso, lojas de conveniência oferecem lanches e suvenires, possibilitando momentos de descontração e convívio e lembranças que estampam o “AquaRio” como um programa obrigatório para todos os cariocas e turistas.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Demônios


Nos corpos de todos os indivíduos, habitam

Conflitos conjugais e perversões sexuais represadas são habilidosamente extraídos das entranhas do subconsciente de quatro personagens pela direção de “Demônios”, por Bruce Gomlevsky – espetáculo baseado no texto do dramaturgo sueco Lars Norén, que disseca um hostil relacionamento de dois casais e dos casais entre si.  A noite regada de humilhações, revelações e repressão sexual estremada é compartilhada com uma plateia atônita, identificada e, por que não dizer, silenciosamente participativa, pelos casais Frank e Catarina – incorporado por Gomlevsky e Luiza Maldonado; e Tomas e Jenna – defendido por Gustavo Damasceno e Thalita Godoi.

Como um comboio que a pluralidade de talentos lhe confere, Gomlevsky, em parceria com Bel Lobo, assinam o perscrutante projeto cenográfico que retrata certo nível de sofisticação trash, a partir de móveis com design contemporâneo que compõem ambientes distintos, porém conjugados, palco de roupas íntimas espalhadas e que retratam o total desprezo e falta de zelo pela vida à dois. O figurino de Andrea Fleury transparece a tortura de ser o que terceiros esperam do comportamento dos indivíduos, mesmo quando a nudez deixa de ser um balsamo para a alma, mas uma vestimenta imposta a si mesmo por possíveis carência afetiva e falta de amor próprio. O desenho de luz de Elisa Tandeta alimenta as ligações hostis dos personagens de maneira sóbria e implacavelmente dramática.

Posto isso, espectadores passam a ser testemunhos passíveis de identificação com os personagens e suas neuras, a partir de um espetáculo que não esconde a prostração do cotidiano mesquinho e o torpe dos relacionamentos doentios, e que descreve vidas à dois com a força do rancor, comparada somente com a impotência humana diante dos “Demônios” que, nos corpos de todos os indivíduos, habitam.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Serve-se


Ao sabor do vento potencializado pelas vozes de poetas e declamadores

Dia 10 de novembro de 2016: segundo e último dia da apresentação de “Serve-se” – espetáculo da série de seis apresentações que contemplam a ocupação do Teatro Serrador pelo “Grupo Nós do Morro”, em comemoração aos seus 30 anos – o Circuito Geral confere o projeto do ator, diretor, poeta e músico Marcello Melo, moldado em formato de show, de encontro, de sarau, quiçá, um musical poético, segundo ele mesmo. Na plateia, junto ao palco, folhas de papel impresso com poemas, como partes de uma árvore que se deixa desmanchar ao sabor do vento potencializado pelas vozes de poetas e declamadores genuínos.

A descontração em meio a uma comunidade, até mesmo a amizade de anos que a vida separa mas as afinidades  mantém antigos parceiros unidos, toma a atmosfera lírica da casa de espetáculos, como casuais encontros durante os quais são verbalizadas as experiências que a vida concede a cada um. Em meio a um de seus desempenhos, Melo aborda a letra de “Haiti” de Caetano Veloso e Gilberto Gil, sob o aspecto social da discriminação racial contemporânea. O momento de descontração fica por conta de Bruno Barbosa que, parodiando Marília Gabriela, promove ímpetos de gargalhadas espontâneas por parte do público presente. O cantor Arthur Maia conta como foi o seu primeiro contato quando criança com Elis Regina e dá seguimento à sua apresentação, presenteando o público com sua interpretação de “Meu Romance”, de Orlando Silva. Reassumindo os moldes do sarau declamado, Melo profere “A Poesia Fode Comigo”. Manoel Herculano entoa “Rio Maranhão”, presta sua homenagem a Ariano Suassuna, com “Simples Imortal”, e fecha sua participação ovacionado pela plateia após proferir a letra de “De Tanto Amor” de Roberto e Erasmo Carlos, seguida por “Com a Palavra”. João Gurgel Filho, filho de Sérgio Ricardo, presta uma homenagem ao pai com a música “Emília”, que fez parte da trilha sonora do Sítio do Pica-Pau Amarelo de 1977. Arievo, em uma performance avassaladora e acompanhado pela competência instrumental de Netho Rodrigues – na bateria; de Antônio Dal Bó – na guitarra e no teclado; e de Giordano Bruno Gasperin – no baixo, componentes da banda TriJAZZ, combina uma química explosiva de som, imagem e cor, para a música “Oya” do grupo Metá Metá.

Final do espetáculo, como uma grande família, o elenco reunido brinca com duas músicas que fizeram grande sucesso na voz de Gil – “Eu Só Quero Um Xodó” e “Tenho Sede” – despedida de peso da ocupação da noite.

domingo, 20 de novembro de 2016

Air Supply 40th Anniversary Tour


Alta carga emotiva

Noite de quarta-feira, 16 de setembro de 2016, Espaço das Américas, São Paulo capital – a exatas 22h30min, dá-se início a uma noite repleta de romantismo. Em continuidade à comemoração dos seus mais de 40 anos de sucesso, desde a sua criação em 1975, o duo australiano Air Supply, retorna ao Brasil em uma única apresentação na Cidade de São Paulo e presenteia os seus fãs com “Air Supply 40th Anniversary Tour”.

As vozes e o instrumental marcantes, as eternas melodias e a vibe da banda – composta por Jonni Lightfoot – baixo, Aaron Mclain – guitarra, Aviv Cohen – bateria e Amir Efrat – teclado, jovens músicos que se entregam ao êxtase ao harmonizarem os acordes dos inesquecíveis sucessos dos anos 1970 e 1980 – fazem da noite uma intensa imersão no que há de mais genuíno em todos os seres humanos – a capacidade de amar. Russell Hitchcock – a inconfundível a voz de “Air Supply” – e Graham Russell – o senhor dos estonteantes acordes a partir de sua guitarra – dão início a uma viagem no tempo com “Sweet Dreams” e “Even The Nights Are Better”, potencializando os ânimos com “Just As I Am”, saudando a noite com “Every Woman In The World” e levando o público ao delírio com “Goodbye”.

Estrategicamente, a dupla ameniza a alta carga emotiva que toma conta da casa de espetáculos com uma canção mais recente – “I Adore You”, lançada em 2015, para então fazer com que o mapa de localização do público perca a sua configuração, sendo substituído por uma multidão que se desloca dos extremos do palco em direção à plateia e de volta ao palco, para acompanhar a quebra de protocolo de Hitchcock e Russel quando, ao percorrer um trajeto pré-definido em meio ao público, se entregam aos apertos de mão, abraços, beijos, selfies, lágrimas e ao compartilhamento dos microfones com seus fãs, promovendo uma manifestação raramente vista anteriormente em uma sala de espetáculos, ao som de “The One That You Love” – sem sombra de dúvida, o momento mais emocionante da noite e a consagração de um duo que ainda tem muito a oferecer a uma numerosa legião de gerações.

“Making Love - Out Of Nothing At All” é o prenúncio do fim do espetáculo, dando espaço para um bis, com gosto de “quero mais”, com “All Out Of Love” – acompanhados por um coro composto por uma lotação esgotada do Espaço das Américas.

Produção do show: Poladian
Parceiro Circuito Geral: Hotel Panamby São Paulo http://www.circuitogeral.com/hotel-panamby-sao-paulo

Bar do Adão - Leblon


Excelência em atendimento e preços justos

Dia 20 de novembro, domingo – último dia para a degustação dos pratos principais de dezenas de restaurantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, participantes do “Restorando Fest” 2016, com 50% de desconto.

No feriado de 15 de novembro, o Circuito Geral confere a arte culinária do “Bar do Adão” – Leblon, localizado na galeria mais cultural da zona sul carioca – onde se encontram as salas de espetáculos Fernanda Montenegro e Marília Pêra, que compõem o Teatro do Leblon – em meio a um dos polos gastronômicos mais badalados da região. A proposta conceitual do “Bar do Adão” – Leblon é oferecer à sua clientela um espaço despojado e descontraidamente charmoso, nos moldes dos botequins cariocas, contemplando, a maioria de suas mesas, dispostas no corredor da galeria. Para quem optar por um cantinho mais reservado e intimista, a casa oferece algumas mesas no interior da loja – espaço climatizado contíguo ao balcão do bar propriamente dito – preferido pelos enamorados, segundo Ana e Aldo – dois dos quatro novos dirigentes do estabelecimento requalificado desde o início do segundo semestre do ano em curso.

Desfrutando do atendimento da zelosa equipe de funcionários, compartilhado com sua clientela habitué que lota as mesas localizadas no espaço externo, ao Circuito Geral é servida a entrada consagrada pelo “Bar do Adão” – seus pastéis exclusivos, com destaque para o pastel “Dos Deuses” – cujo recheio é composto por brie, muçarela de búfala, gorgonzola e parmesão – e o pastel “Francês” – recheado com camarão, alho-poró e catupiry. A degustação tem sequência com a sugestão do prato principal pelos anfitriões – uma dobradinha de escondidinhos: de “Carne Seca” e de “Camarão”. Se por um lado, a cozinha é comandada pelo carioquíssimo chef Márcio, no bar, o mixologista do dia, Alexandre, alquimiza “Aperol” com Espumante e Sprite e o “Sex On The Beach” – uma combinação de Grenadine, suco de laranja, vodka e licor de pêssego – que, segundo ele, seriam os drinks que mais combinam com os pratos servidos. Fechando a noite, a sobremesa carro chefe da casa – “Petit gâteau” com sorvete de creme.

Esteja sozinho, em dupla ou em grupo, difícil dispensar os rituais de degustação do “Bar do Adão” – seja a simples combinação de pastéis e chopp ou a experiência gastronômica, contemplando início, meio e fim, com demanda por um tempo de permanência incompatível com a modalidade fast food, muito em função da atmosfera promovida pela casa e que envolve toda uma clientela em busca de despojamento, excelência em atendimento e preços justos.

Para os que, por ventura, não tiveram a oportunidade de comparecer ao “Bar do Adão” pelo “Restorando Fest” 2016, ainda poderão fazê-lo pelo “Black Friday Restorando”, do dia 21 a 27 de novembro, com 30% de desconto, exceto nas bebidas, na taxa de serviço e nos pratos com camarão. Conferir condições gerais em: https://rio-de-janeiro.restorando.com.br/restaurante/bar-do-adao-leblon


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Casa Cor 2016 - Part.03


Espaço Deca - Márcia Muller e Manu Muller

A estrutura em ferro, madeira e vidro (com revestimentos Ekko como porcelanato e massa tipo cimento da Diore) abriga um confortável quarto e um banheiro. No quarto, cama automatizada (Collectania), mobiliário contemporâneo Finish contrastando com peças do antiquário Arnaldo Danemberg, coleção de palha da Orlean e tecidos Muki, além de uma lareira desenhada pela dupla e executada pela Construflama, aquecendo o ambiente.

Cabanas - Duda Porto

A casa é feita em estrutura metálica com revestimento termoacústico, madeira tipo OSB, manta hidrofugante e, por fim, uma placa cimentícia. Por dentro, madeira. A sustentabilidade está do início ao fim: uma construção seca que não provoca resíduo e tem desperdício zero; a madeira é toda de reaproveitamento; a ventilação é cruzada, provocando conforto térmico no interior; há captação de água da chuva para reutilização e a energia é solar.

Mercearia da Casa - Paula Neder e Luiza Pedral

A Mercearia fica em uma edícula original (e anexa) ao casarão.

Jardim Sensorial - Raphael Costa Bastos

Com grande influência oriental, o jardim vai despertar quatro sentidos humanos: o tato, através das diferentes texturas de plantas; a audição, com o relaxante som das águas de um pequeno lago e de um repuxo; a visão, pelas cores exuberantes das flores e folhagens; e o olfato, com o aroma das ervas (camomila, erva doce e erva-cidreira, entre outras) e temperos como alecrim, hortelã, manjericão, salsinha, cebolinha, gengibre e coentro.


Casa Cor 2106 Part.02


Sala de Receber - Erick Figueira de Melo

Sem divisão de ambientes, a sala comporta um espaço de estar com o enorme sofá Square - Arquivo Contemporâneo, com 4,80m de comprimento e poltronas confortáveis; um canto para mesa de jogos; e uma ilha gourmet, com uma cozinha-bar para preparar quitutes.

Quarto do Neto - Tatiana Lopes e Tatiana Mendes

Um quarto que acompanha o filho da infância à adolescência, apenas mudando acessórios e adornos. E bem realista: com cerca de 10 m², está de acordo com o tamanho médio de um quarto de apartamento.

Design de Ninar - Leila Dionizio

Quarto de bebê confortável, aconchegante e com direito a mistura de soluções modernas com um clima vintage meio escandinavo, meio brasileiro.

Family Room - Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge

O ambiente segue a tendência de se ter "vazios", com mobiliário na medida do conforto e mais espaço para mobilidade.

Sala de Banho - Marta Guimarães e Daniele Faraco

A dupla trouxe para o ambiente as cores da natureza: o verde dos jardins de Burle Marx; o azul remetendo ao céu e ao mar; e cinza claro fazendo alusão à areia da praia. Os elementos deslocáveis são a banheira, da Sabbia, com tecnologia do material Duramat, resistente à oxidação, de fácil limpeza e sem porosidade; o espelho de corpo inteiro, recostado à parede, da Emporium Beraldin; a bancada, em estrutura em metal da Lacca, normalmente utilizada em cozinhas; a parede de seixos do box; e um grande banco de madeira de reflorestamento da RugHold, para relaxar ou aparar objetos.

Espaço OMINI - Rodrigo Barbosa

Muito além de um closet: é também um refúgio para um homem que tem uma vida agitada – de trabalho, de esporte e de lazer.

Quarto do Casal - Adriana Valle e Patricia Carvalho

Tons naturais (branco, cinza, cru e fendi), com pinceladas de azul e amarelo servem de moldura para uma coleção de lançamentos desenvolvidos para o ambiente: a cama Olho Interni, da designer Isabelle Demari; a customização das estantes Code e Elle, de Jader Almeida, realizada junto com o designer, unindo as duas e criando um produto novo; e em parceria com o Atelier Monica Carvalho e o Atelier Watson, o desenvolvimento de objetos exclusivos em couro e semente. A iluminação é em trilho semiembutido, desenvolvimento de Adriana e Patricia com suporte técnico da Lumini.

Terraço do casal - Bruno Carvalho e Camila Avelar

Simplicidade das formas, sofisticação do mobiliário e a poesia das artes visuais.


Casa Cor 2016. Part.01


Em sua 26ª edição, A CASA COR Rio ocupa a “casa rosa”, como é conhecida na Gávea. Uma construção de 1938 em estilo eclético, com terreno de 5.000 m² e 1.000 m² de área construída, pertencente à família Rocha Miranda, que durante quase 40 anos viveu ali recebendo amigos em grandes comemorações.

Lab Café - Carolina Escada, Patrícia Landau, Carolina Lerner, Gabriella Mello e Sabina Kalaoun

Dividido em vários ambientes, o Lab Café – do Armazém do Café – tem um confortável living com sofá Loft (Finish), poltronas Lisboa de Amelia Tarozzo, mesas de centro e laterais de Luia Mantelli e Lattoog, e luminárias de Ronald Sasson (Vessie, K2 e Mini Ray). O piso elevado (a escadinha que leva a ele tem, entre os degraus, sacas de café iluminadas!) banqueta Soft de Luia Mantelli e mesa Carretel, da Ovo Design, além de pufes em formato de bolsas desenvolvidos em parceria com a Nannacay e a Cortinaria. No imenso sofá, para degustação, almofadas com estampas étnicas também da Cortinaria. Na área externa, lançamentos Tidelli: banco, poltrona concha, cadeira e balanço Painho, mesa Pirâmide e sofá Marina.

Loja da Casa - Marina Breves

Mistura de elementos originalmente opostos de forma natural e equilibrada. Assim, o novo está lado a lado com o antigo; o contemporâneo convive em sintonia com o clássico.
Em tons neutros e toques de azul, a Loja da Casa tem móveis e objetos de Lalla Bortolini. A estante Trama, em ferro e banhada em ouro envelhecido, foi desenvolvida pela arquiteta para a mostra. A iluminação, também da Breves Arquitetura, tem um tom intimista. O porcelanato da Portinari no piso – ainda recebe o tapete Domdaqui, em fibras naturais e fabricado à mão –, paredes em tom neutro (da Coral) e em papel de parede (Cortinaria).

Livraria - Alexandre Cardim

O lugar remete ao universo lúdico dos livros, em tons de fendi, areia e verde, e com projeto de luz que propicia aconchego. Nas estantes, livros da Unisaber sobre arte, design, arquitetura, decoração. A estante Giorno em laca chocolate – projeto do arquiteto feito especialmente pela Lacca – com nichos iluminados. Sofá Akans II, poltrona Belgravia, mesa de centro Parker, escrivaninha Enzo e cadeira Brielle giratória – Móveis da Artefacto.
Entre as tendências, porcelanatos de grande formato aplicados no teto e nas paredes. Perfis em LED Fit Tokyo -Vigolucci Design, possibilitam qualquer formato e adequação. Em destaque a luminária Flap Flap, de Constantin Wortmann (também Vigolucci Design).

Empório Orgânico - Tiana Meggiolaro  e Bia Mayrinck

O toque de cor está no mix de almofadas floridas assinadas por Nunuca. No mobiliário, o clima também é rústico – quer na marcenaria, desenhada pelo escritório e executada pela Mallc Móveis, quer em peças assinadas, como o Buffet Teca, de Jader Almeida - Arquivo Contemporâneo.
 Seguindo o clima orgânico dos produtos do Spa Lapinha, todo o material usado é sustentável: o revestimento que parece pedra é da Linha Rocca, da Covering, fabricado à base de cimento); o piso, em lajotão rústico da Santa Alda (Emporium Frei Caneca), é 100% artesanal; os tecidos dos futons do banco são com tecidos Eco Simple - Trama Casa, que utilizam garrafas pet recicladas junto ao tecido; as almofadas são em fibra natural; e os painéis da Berneck são de madeira 100% de cultivo florestal.

Garagem de Estar Renault - Caco Borges

As cores cruas do ambiente ressaltam as gravuras assinadas pelo artista húngaro Victor Vazarely, considerado o pai da Op-art e que, em 1972, redesenhou a logomarca da Renault. Nos móveis, a nova linha AWA da Florense, que une design, novos materiais e inovações tecnológicas.
A iluminação é feita com faróis de automóveis desenhadas pelo arquiteto Maurício Arruda e desenvolvidas com a light designer Fernanda Vasconcellos.


Casa de Vidro - Gabriela Eloy e Carolina Freitas

Natureza e modernismo. Burle Marx, Mies Van Der Rohe e Lina Bo Bardi.
A Casa de Vidro incorpora tecnologia de ponta: a começar por um incrível par de óculos com que o visitante pode se “teletransportar” e visualizar a arquitetura em um cenário de praia ou serra. Além disso, o ar-condicionado, da Consult, capta o calor da área externa e o transforma em ar frio, com consumo de energia quase nulo. E o sistema de som, da High End. A essa união natureza-tecnologia se junta design e arte: o designer Fernando Pinto, primo de Sergio Rodrigues, mostra a cadeira Gaia, projeto inédito do arquiteto. O sofá Boxer – Decameron em linho preto e poltrona Fat - Estúdio Bola, em lona preta, e bancos Viki, dos designers Maurício Lamosa e Flávio Borsato. Tudo da Way Design.
Uma escultura de Raul Mourão e uma fotografia de Gabriel Wickbold recebem o visitante. A iluminação, assinada por Maneco Quinderé

Sala de Almoço - Marise Marini

Design vintage, paredes revestidas em tijolo aparente, piso vinílico com aparência de madeira e o uso do tom azul Haia, mais escuro, tornam o lugar acolhedor. O mobiliário mistura a poltrona Scapinelli - Giuseppe Scapinelli; luminária Mush de Jader de Almeida; e banco Jecker e estante Jatobá assinados por Etel Carmona com móveis do antiquário Arnaldo Danemberg. Almofadas levam tecidos da designer Ana Sanchez, com imagens orgânicas. A iluminação, assinada por Giani Faccini, da RBF.

Cozinha - Bianca da Hora

Os armários lançamento da Florense, têm acabamento que parece metal oxidado; uma adega climatizada; bancada, com cuba esculpida , mesa de jantar, de carvalho e 2m40 de comprimento - Jader Almeida, que também assina a mesa de centro Drey, na área de estar – poltrona Petit Sotille, em aço e couro envelhecido, do Studio Bola -LZ Studio.

Escritório e Sala de Leitura - Mário Santos

São dois ambientes – um para trabalhar e receber, outro para se isolar com um bom livro.
Tons amadeirados amendoados convivem com cinzas claros e com metalizados em cobre polido nos detalhes. A iluminação, projeto do arquiteto com luminárias Dimlux. Completando o mobiliário, poltrona Zefa de Zanini de Zanine - Way Design, poltrona Pelicano, do arquiteto urbanista Jorge Elmor - Novo Ambiente, sofá, poltronas com pufes, mesinhas laterais e cadeiras da Ovoo. Nas paredes, fotos de Kitty Paranaguá e Francisco Baccaro, além de obras de coleção de art déco e peças da época do auge e glamour da Panair do Brasil.


Maresia


Uma delicadeza enigmática 


Uma obra literária, cujo conteúdo pulsante e conturbado, convida à reflexão – o romance “Barco a Seco”, de Rubens Figueiredo, conta a história de um órfão, criado por uma família pobre e, pela qual, acaba sendo abandonado. Mesmo assim, superando todas as dificuldades que a vida lhe impunha e fascinado pelo mar, torna-se um perito de arte, com especialidade em um pintor, cujo histórico de vida, culminado em seu desaparecimento, é tão obscuro quanto a obsessão pelo mar retratada em suas obras, executadas sobre pedaços de barcos e de caixas de charuto. Diante desse panorama e da procura do perito por um desconhecido que declara o seu interesse pela autenticação de um quadro cuja autoria imputa ao pintor desaparecido há cinquenta anos, o fascínio pelo mar e as sombras do passado traçam um sutil paralelo entre a imagem do pintor e a do perito, entre tempo passado e tempo presente, entre o que é fictício e o que é realidade.

Uma obra literária, com base na qual, o diretor Marcos Guttmann decide lançar o seu primeiro longa-metragem “Maresia”, cuja autoria de roteiro, Guttmann compartilha com Melaine Dimantes e Rafael Cardoso – uma delicadeza enigmática digna de veteranos na produção da sétima arte. A partir de um elenco seleto, composto por Julio Andrade, Pietro Bogianchini, Vera Holtz, Mariana Nunes, Cristina Flores, Álamo Facó, Roberto Birindelli, Bruce Gomlevsky, Jonas Bloch, Pablo Sanábio e Tamara Taxman, a arte de “Maresia” é marcada pelas exímias tomadas fotográficas de Alexandre Ramos, pelo realismo presente no figurino de Gabriela Campos, pela naturalidade e autenticidade transmitida pela maquiagem de Lucila Robirosa e pela qualidade musical de Stefano Lentini e de Edson Secco.

Uma obra literária transformada em cinema arte, que discorre sobre conflitos definidos em tempos distintos, que induz ao desvendamento de uma história que chega ao seu final, conferindo, ao espectador, a incerteza de que esteja pisando em terra firme.


domingo, 13 de novembro de 2016

Antes do Café


Um espetáculo em um ato, sob dois pontos de observação

Um espetáculo em um ato, sob dois pontos de observação – de uma plateia em direção ao palco e de um palco em direção a uma plateia.
Sistematizada a partir da conjugação dos olhares, de forma indissociável, de seus redatores artístico e técnico, Paulo Sales e Mauro Senna, respectivamente, a série de resenhas publicadas pelo Circuito Geral se permitirá, pela primeira vez, apresentar, de forma individualizada, o ponto de vista de Sales – em meio aos acontecimentos no palco, juntamente com outros quatorze espectadores; e o de Senna – na plateia, lançando o seu olhar, em sua maior parte, através do visor ótico de sua câmera digital, como na grande maioria dos espetáculos cobertos fotograficamente.

Por Paulo Sales – em meio a um espaço conjugado, composto por uma grande sala mobiliada com duas mesas, sendo uma ladeada por uma cadeira e um outro assento sem encosto, posta para o café da manhã, e outra como apoio a utensílios de toucador, sobre a qual destaca-se um abajur; e por uma pequena cozinha equipada com uma bancada que serve de apoio a um diminuto fogão e uma pia cuja torneira de parede recebe a alimentação de água por intermédio de um reservatório fixado na parede, entre os quais, uma prateleira de madeira serve como descanso para toda sorte de produtos de cozinha e de acessórios culinários. Adjacente à cozinha, um hall íntimo, cuja parede sustenta um diploma emoldurado e uma pequena estante com livros, conduz ao quarto do casal Rowland.  Dado momento, supostamente ao alvorecer, a Sra. Rowland surge de sua alcova e inicia um percurso, pelo visto, rotineiro diário, através daquele espaço conjugado, pondo-se a refletir e a choramingar enquanto prepara o dejejum com o pouco disponível em sua improvisada dispensa, durante duros minutos de privação de qualquer verbalização por parte da personagem. No máximo, a emissão de sons que podem ser tomados por sussurros e gemidos de amargura – mas repletos de ruídos promovidos por seus passos, pela água que flui pela torneira e pelos objetos manuseados que cortam o silêncio ensurdecedor, que certamente comove, que perturba e que intervém no emocional dos espectadores sentados naquele aposento, compartilhando, inevitavelmente, daqueles aparentes infindáveis momentos que amarguram aquela mulher sofrida e totalmente desesperançada. Quebrando a sua auto imposição ao silêncio, durante os primeiros minutos da manhã, a Sra. Rowland clama por Alfred, seu marido, sem com isso receber qualquer resposta daquele que, aparentemente, ainda se dá o direito ao sono, vitimado pelas ofensas de sua esposa, que o faz lembrar ser um estorvo  desempregado e por não mais levar dinheiro para casa, há muito – e que, possivelmente, jamais mais será capaz de fazê-lo, mesmo que assim, o quisesse. Fontes de luz ofuscantemente desnudas e que parcamente iluminam a cena que se desenrola naquele palco, transforma a plateia em fundo infinito escurecido e opalescente, dando a nítida impressão de que os privilegiados quatorze eleitos para subir ao palco fossem os únicos presentes, invisíveis aos olhos da Sra. Rowland.

Por Mauro Senna – a partir de um semi breu sustentado pela ausência de uma iluminação teatral sistematizada, enquanto espectadores adentram a sala de espetáculos, plateias acomodadas, eis que se materializa uma boca de cena sob um desenho de luz composto por lâmpadas de filamento, expostas sem qualquer proteção de dispositivos que justifique denominá-las luminárias. Algumas delas, responsáveis por uma triste emissão luminosa comparável à luz de candeeiro, em sua maioria, ofuscando a percepção da infinidade de elementos cenográficos e complementos distribuídos em meio aquele espaço, contemplando funções de estar, de refeições, de lavanderia, de vestir, de pentear e de maquiar. Compondo o interior, de forma casual e involuntária, e retratando o estado de degradação do amor pela vida – uma poltrona no meio da sala se torna berço de restos daquilo que um dia poderia ser chamado de boneca / uma mesa de refeições aguarda a presença de duas pessoas, aparentemente, jamais presentes, visando ao compartilhando de momentos de prazer e de diálogo / outra mesa, em primeiro plano, acolhe sob si um baú de madeira, que somente Deus é capaz de conceber o que há em seu conteúdo, e sobre a qual um abajur, quando aceso, torna aquele conjunto, um dos melhores elementos de composição da cena / extrema esquerda, uma diminuta bancada engastada na parede, em parceria com uma prateleira suspensa e, em primeiro plano, uma mesinha de apoio em madeira torneada, compartilham suas superfícies  com objetos, utensílios, dispositivos de alimentação de água e de iluminação, definindo aquele espaço como cozinha, sob intenso contraste lumínico que define claros e escuros comparáveis a pinturas renascentistas “Rembrandtianas” / extrema direita, ao fundo, um varal de roupas improvisado, ocupado por peças íntimas e outros panos, se impõe como instalação mesclada ao que resta da estamparia, aparentemente floral, do revestimento das paredes, e sobre as quais, um quadro clama pela proteção divina daquela casa, outro quadro se perde em meio à desproporcionalidade entre seu tamanho e o da parede onde se encontra pendurado e marcas de outros tantos que não mais existentes, desafiam a intenção de, um dia, terem se tornado elementos decorativos / centralizados, ao fundo, um espelho de parede emoldurado por madeira escura, ladeado por um cabide de pé, sustentando roupas que, possivelmente, são usadas repetidamente, dia após dia, em decorrência de uma voluntária falta de opção / no limite extremo direito da boca de cena, não merecedor de resquícios de penumbra, sequer, se oculta um depósito, não necessariamente sob a forma de mobiliário, que parece abrigar utensílios de limpeza da casa / meio do caminho entre a cozinha e o cabide sentinela, a entrada do que pode supostamente se tratar do quarto de uma mulher e de um homem que, simplesmente, habitam sob o mesmo teto. Dá-se início ao espetáculo sob a demanda do estímulo aos sentidos da visão, da audição e do olfato, sob uma regência capaz de transportar os espectadores mais sensíveis, como em um passe de mágica, através do tempo, a situações há muito arquivadas em seu subconsciente. A passiva plateia no palco, transmite a formação de uma assembleia de fantasmas atônitos frente ao desespero da Sra. Rowland por uma luz no fim do túnel, possivelmente inatingível por opção, diante de uma acomodação involuntariamente desejada, ao longo da história de sua vida, e escrita, quem sabe, de seu próprio punho.

Tudo isso, “Antes do Café”, espetáculo cujo texto, de autoria de Eugene O'Neill – dramaturgo anarquista e socialista estadunidense, merecedor agraciado pelo Nobel de Literatura de 1936 e Prêmio Pulitzer, por várias vezes – é regido pela genial direção de Jorge Farjalla.  Camadas de injúrias, indignação, luto e traição faz da estrela Nadia Bambirra uma Sra. Rowland desagradavelmente real. A cenografia inconformista imaginativa e realista de Camila Rodrigues arquiteta o espaço necessário ao texto, impregnado de melancolia, conforme concebido pelo diretor, que também assina a direção de arte, o desenho de luz e o figurino que nos remete a miséria caótica e que consagram o conjunto da obra, sem escapismo e sem inspiração romântica – apenas uma encarnação de tudo que pode fazer parte de nossas vidas, que não são privilegiadas pelo zelo preciosista de Farjalla.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Pequeno Segredo


A indução do espectador ao modo estático temporal

Um grande segredo por detrás da intrínseca direção de David Schurmann – a construção de uma história sobre um elemento estruturado por quatro pilares - em alguns momentos, confusa, mas engenhosamente articulada, com traços de delicadeza e de forte sensibilidade; a indução do espectador ao modo estático temporal e à reflexão sobre a vida, sobre os imprevistos e sobre  a morte; o desenrolar dos acontecimentos sem a prévia definição de um tempo passado, de um tempo futuro e de um tempo presente, mas marcadas por uma existência plena e que passam por uma mixagem processada pelo roteiro de Schürmann, Marcos Bernstein e Victor Atherino.

O apelo abusivo pela emoção só não torna o longa “Pequeno Segredo” algo piegas, muito em função da capacidade de interpretação dos protagonistas ao contar a história de Jeanne (Maria Flor) – que contrai o vírus HIV em uma transfusão de sangue; de Robert (Errol Shand), que também se torna soropositivo por intermédio de sua futura esposa, Jeanne; e de Kat (Mariana Goulart), filha do casal – concebida antes que seus pais tomassem conhecimento de sua soropositividade – que já nasce portadora do HIV. Após a morte de Jeanne e prevendo seu próximo estado terminal, Robert entrega sua filha para o casal Schurmann (Marcello Antony e Júlia Lemmertz) para adoção.

Um fato a ser constatado e processado à livre escolha ou sob o impacto sentimental de cada um – ponto final.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Clarice Falcão - “Problema Meu”


Mergulhada nas melhores boas vindas pela plateia

Noite de 1º de novembro de 2016, em plena terça-feira, véspera de feriado nacional, a Rua Álvaro Alvim, no Centro do Rio de Janeiro, se encontra repleta de uma mistura tribal de frequentadores da boemia carioca. No entorno da bilheteria e do acesso ao Teatro Rival, mesas e cadeiras se espraiam pelas ruas e calçadas, atendidas por uma diversidade de bares e restaurantes, de onde tulipas de chopp saciam a sede daqueles que parecem ladear o acesso dos fãs de Clarice Falcão à casa de maior representatividade da resistência cultural da cidade que, naquela noite e na seguinte, abriga o show “Problema Meu”.

A trupe do “Cabaré on Nice” mostra um pouco do teatro de revista, do burlesco e do cabaret praticados na casa noturna “Buraco da Lacraia” pelos humoristas performáticos Sidnei Oliveira, Letícia Guimarães, Luis Lobianco e Éber Inácio. A homenagem à transformista Laura de Vison, musa do underground carioca dos anos de 1990 do bar “Boêmio” no Centro do Rio, é prestada por Lobianco dublando “Vaca Profana”, na voz de Gal Costa, levando ao público, maciçamente jovem naquela noite, ao delírio. Leticia canta “Porto Solidão”, imortalizada na voz de Jessé e, para finalizar o pocket show, a trupe soterra o politicamente correto com a paródia da música gospel “Faz Um Milagre Em Mim”, de Regis Danese, entoando o seguinte refrão: “Entra no meu buraco/ Entra que tem bebida/ Eu recebo minhas entidades/ Minha pomba gira, gira” – lacrando, assim, a abertura do show de Clarice.

Ao som de “Irônico”, a jovem cantora e atriz surge saltitante no palco do Rival, cuja vibe é assimilada e replicada pela plateia, seguida de “Eu Escolhi Você” e “Eu Esqueci Você” potencializados pelo público como parceiro uníssono. Mergulhada nas melhores boas vindas pela plateia, Clarice lhe dá boa noite com “Deve Ter Sido Eu”, sentando-se, em seguida, para entoar “Se Esse Bar” – finalizando a canção sendo retirada à força daquele boteco imaginário, estabelecendo o momento cômico da apresentação, retratando, fidedignamente, a história que acaba de cantar. Luzes do palco se acalmam quando a versão de Clarice para  “L’Amour Toujour” de Gigi D'Agostino se mistura a “Talvéz”, aplacando os ânimos dos seus admiradores e permitindo a recuperação do seu fôlego para “Marta” e para – a própria Clarice, o “lixo” do álbum “Problema Meu”, garantindo dessa forma, um pouco mais de tempo de show, com “Robespierre”. Recordando sucessos do passado, manda com “Eu Sou Stefhany” de Stephany Cross fox  - uma adaptação da "A Thousand Miles" de Vanessa Carlton. No palco, com Clarice, sua banda composta por: Kassin, no baixo; Danilo Andrade – no teclado; João Erbeta, na guitarra; e Pedro Garcia, na bateria.  Retomando o seu próprio repertório, “Eu Me Lembro” conta com a participação vocal do guitarrista João Erbeta, seguido pelo bolero derivado do brega “Banho de Piscina”, composta por João Falcão. Quase que, finalmente, Clarice lança mão da ironia para anunciar a derradeira canção de seu play list antes do bis e canta “Como É Que Eu Vou Dizer Que Acabou?” – momento em que o palco é invadido por meia dúzia de indivíduos da plateia, possivelmente, sob convite em off da produção, se debelando em uma dança frenética juntamente com Clarice. Sob ovação pelos fãs, retorna ao placo com “Monomania”, “Survivor” e uma sequência de pagode do grupo “Só Pra Contrariar” – “Essa Tal Liberdade” e “Mineirinho”. 

Fecha a noite, alto estilo, com “Vagabunda”.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Curumim


Compreende todo o sofrimento imposto ao homem não mais pedante e sem o ar de superioridade diante da morte

O brasileiro Marco Archer, fuzilado na Indonésia em janeiro de 2015 após ser condenado por tráfico de drogas, tem os seus últimos dias de vida transportados para as telonas pelo diretor Marcos Prado – em respeito ao pedido de Archer de ser tomado como exemplo para outros jovens que possam vir a ter suas vidas envolvidas com o narcotráfico.

O documentário “Curumim” reproduz as cartas escritas de dentro do presídio e filmagens realizadas pelo próprio Archer, enquanto aguardava a sua hora no corredor da morte – uma narrativa repleta de flashes de sua infância, juventude e de sua vida em família. Curumim, nome pelo qual Archer era conhecido pelos amigos na época que era jovem rico e esportista, compreende todo o sofrimento imposto ao homem não mais pedante e sem o ar de superioridade diante da morte.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Historinhas


Resgata empenho, persistência, paciência, tolerância, civilidade e respeito

O conteúdo moral descrito no espetáculo infantil “Historinhas” transmite valores educativos através da imaginativa direção de Sura Berditchevsky que resgata empenho, persistência, paciência, tolerância, civilidade e respeito, durante cinquenta singelos minutos inspirados nas seguintes fábulas: “Pequeno Herói da Holanda”, de Etta Austin Blaisdell e Mary Frances Blaisdel; “A Tartaruga e a Lebre”, de Esopo; “A Boneca”, de Olavo Bilac; e lendas e folclores, como o “A Galinha Ruiva”, “Por Favor” e “As Estrelas do Céu”.

O grande elenco composto pelos atores mirins – Anna Clara Rimes, Barbara Brandão, Christianne Rebello, Emanuelle Pícoli, Gabriel Puga, João Gabriel Bolshaw, João Pedro Chaseliov, Julia Brykman, Julia Sawyer, Lara Knoff, Lucas Francelino, Luisa Sabença, Luiz Galli, Luna Taubman, Maria Eduarda Cozac, Maria Francisca Bolshaw, Maria Nabuco, Marina Louro, Maitê Haical, Mateus Ribeiro, Norah Iglesias, Paloma Far, Pedro Campello, Raphaela Miguel, Rafaela Paredes e Theo Iglesias – asperge gotas de sabedoria nos adultos que acompanham seus rebentos, agregados infantis, sugerindo caminhos alternativos com vistas à formação moral dos pequeninos. Renato e Ricardo Vilarouca assinam os desenhos cenográficos projetados que tornam o espetáculo tão dinâmico quanto o folhear das páginas de um livro de literatura infantil ilustrado. Os figurinos e adereços de Chris Chevriet, Vera Raiser e Leo Brazas definem equilíbrio singular entre a contemporaneidade das vestimentas e respectivos acessórios, e a ingenuidade pueril. Rodrigo Belchior, responsável pela direção musical, é certeiro ao familiarizar as canções dos “Beatles” por jovens estudantes de música do antigo projeto Villa Lobinhos. A Iluminação cênica de Sura Berditchevsky e Rebeca Tolmasquim interage com o videografismo, de modo a inserir os personagens, da melhor forma possível, nas cenas projetadas.

“Historinhas” faz com que, tanto crianças quanto adultos, olhem para um mundo onde, ser o melhor não requer, necessariamente, ser o mais rápido, o mais forte, o mais abastado – defende o respeito ao próximo e por uma sociedade que não tenha como máxima "quem pode mais chora menos".


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Vanessa da Mata - “Delicadeza”


Simpatia, amor à arte e respeito ao seu público

Dia 21 de outubro de 2016, o Teatro Bradesco Rio acolhe, em seu palco, toda a graça de Vanessa da Mata, em única apresentação de “Delicadeza” – show intimista, acompanhado pelo piano de Danilo Andrade e pelo violão de Maurício Pacheco. 

“Viagem” abre a noite daquela sexta-feira sob uma atmosfera escarlate pontuada pela translucidez do figurino da cantora, compositora e escritora, que dá seguimento ao espetáculo com “Samba a Dois”, de Marcelo Camelo, ainda em pleno aquecimento junto à plateia. Ratificando a sua generosidade e adesão às parcerias que vem colecionando com tanto sucesso ao longo de sua brilhante carreira, Vanessa induz seus fãs, sem maiores esforços, a se manifestarem como segunda voz coletiva em “Espere Por Mim Morena”, de Gozaguinha. Tagarelice e descontração também fazem parte do perfil carismático de Vanessa que não poupa tempo de espetáculo com sua prosa que a qualifica como eximia contadora de histórias, transformando as apresentações de “Te Amo”, “Ainda Bem” e “Amado” em deliciosa viagem em meio a seletos sucessos de sua discografia, consagrados pela crítica e pelo público.

Na eminência da finalização do espetáculo, o aclamado bis acontece com a emissão dos primeiros acordes vocais de “Segue o Som” provenientes de um ponto inusitado – as últimas poltronas da plateia se tornam o palco a partir de onde Vanessa se entrega ao público, de corpo e alma, com direito a apertos de mãos, abraços e selfies. Cercada pelos seus fãs, Vanessa, sem qualquer intenção de acelerar aquele momento, se deixa ser vagarosamente conduzida ao palco oficial, enquanto se entrega à interpretação de “Nossa Canção”, transformando aquele momento em uma demonstração de simpatia, amor à arte e respeito ao seu público. A generosidade do bis reflete a essência da cantora que se despede do público com mais quatro canções, contemplando: “Nada Mais” – uma versão de Ronaldo Bastos para a música “Lately” de Stevie Wonder; “It’s Too Late” de Carole King; e fechando, brilhantemente com “Love Will Tear Us Apart” de Joy Division.

A turnê “Delicadeza” continua, no mês de novembro de 2016 – no dia 11, no Teatro Guarany, em Pelotas, RS e no dia 12, no Campus URI/FW, em Frederico Westphalen, SC.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O Capote


Denuncia, de forma exponencial, a futilidade, a prepotência e o preconceito latentes no texto de Gógol

“O Capote” – novela lançada em 1842, que conta a história de Akaki Akakiévitch – um funcionário público pertencente a uma classe menos favorecida financeiramente, relativamente aos seus colegas de repartição, apesar de pautar sua vida exclusivamente em função do seu ofício. Sua rotina diária se resume em, simplesmente – acordar; sair de casa para ir ao trabalho; no trabalho, fazer cópias de documentos; sair do trabalho de volta para casa, levando, consigo, alguns documentos  para adiantar o trabalho em casa. A ação começa quando Akaki se dá conta de que está precisando de um casaco novo – uma vez que, devido ao estado avançado de desgaste de seu traje, os colegas de repartição, jocosamente, passam a não mais se referirem à vestimenta de Akaki como casaco, mas pelo desdenhoso termo “capote”.

Com base no texto do proeminente escritor russo/ucraniano, estilo realista, Nikolai Gógol – cuja obra produzida na primeira metade do século XIX já apresentava traços do que viria a ser o surrealismo – a Companhia “Os Betessetes” apresenta, no Teatro dos Quatro na Gávea – Rio de Janeiro, o espetáculo “O Capote”. A adaptação elaborada a seis mãos – por Anna Paula Borges, Eduardo Vaccari e Leonardo da Selva – é atualíssima ao retratar a prática do bullying por parte dos colegas de repartição contra o protagonista. A direção de Eduardo Vaccari denuncia, de forma exponencial, a futilidade, a prepotência e o preconceito latentes no texto de Gógol, ao extrapolar a funcionalidade do traje simbolicamente a uma máscara, que não se basta como um agasalho, mas algo que carece de admiração por outrem. A direção musical de Charles Kahn fomenta o subterfúgio das máscaras individuais de cada um dos personagens – não necessariamente configuradas a partir de suas vestimentas – tornando-se um recurso essencial à degustação do espetáculo pelo público ao longo do desenvolvimento da trama. A direção vocal por Rose Gonçalves e a de movimento por Sueli Guerra se equilibram diante da faceta bufonesca e pantomímica dada ao espetáculo, com especial atenção à caricatura e aos exageros com que o protagonista Akaki é desenhado. A iluminação de Wilson Reiz define a frieza reinante no âmago dos personagens, colorindo o palco como uma doença que vai se agravando ao alucinar com a chegada da morte – alternando dinamismo e congelamento das cenas e definindo, através da atmosfera cerúlea, os momentos eminentemente surrealistas. O cenário e o figurino assinados por Nívea Faso são funcionais ao atender, dinamicamente, a transformação das cenas ocorridas em uma repartição, em cenas que transportam os espectadores às ruas de São Petersburgo, sempre marcadas por uma multiplicidade de capotes pendurados no palco em um fundo infinito.

Vinte e um atores em cena formam o grande elenco de “O Capote” – Aline Guioli, Anna Paula Borges, Aryela Reis, Bruno Barros, Camilla Malaquias, Chris Mello, Desirée Della Volpe, Flavia Bittencourt, Gabriella Busich, Henrique Lott, Ícaro Salek, Juliana Rolim, Leonardo da Selva, Luana Leal, Patrícia Caliari, Pedro Queiroz, Raphaella Vallone, Tássia Leite, Tayane Cully, Vitória Beatriz e Yndara Barbosa sintetizam a existência de Akaki Akakiévitch – o homem que copiava e consolidam um entusiasmante documento teatral sobre o que se repete e copia, no que tange ao essencial na vida, sem dar, na maioria das vezes, os devidos créditos aos seus verdadeiros autores.