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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A 5ª Onda


Meros mortais da atualidade

“A 5ª Onda”, sob a direção de J. Blakeson, revela a desaceleração das séries de livros do gênero direcionado aos adolescentes.

O livro, de autoria de Ricky Yancey, conta a história de uma jovem norte-americana, no momento em que o planeta Terra é submetido ao ataque de seres alienígenas, arquitetado em cinco ondas de ataques, visando a extinção de toda a raça humana. Blakeson abusa dos clichês e das caras e bocas incomuns em um filme de ficção científica digno de ser levado à sério.

Chloe Grace Moretz assume a incumbência de colocar veracidade na protagonista Cassie Sullivan, agindo, instintivamente, como a jovem que se torna órfã durante as sequências iniciais da película e que perde o ônibus que o exército disponibiliza para que todos os jovens sobreviventes daquele ataque inicial sejam levados para um lugar “mais seguro” – dentre eles, seu irmãozinho caçula – deflagrando uma obsessiva busca da protagonista pelo pequeno Sammy Sullivan, interpretado por Zackary Arthur. “A 5ª Onda” se mostra ainda mais superficial quando aposta no triângulo amoroso composto por Ben Parish e Evan Walker, interpretados por Nick Robinson e Alex Roe.

O roteiro, embora realizado a seis mãos, é incapaz de se aprofundar em uma história amadurecida sobre o ecossistema, a sociedade e o poder, preferindo apostar na falta de discernimento de alguns jovens, que não deixarão de curtir as madeixas de Chloe, o corpo sarado de Roe, a carinha bonitinha de Walker e a espera pela sequência de uma possível franquia – reações típicas de uma significante fração de jovens meros mortais da atualidade.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Joy: O Nome do Sucesso


Película prazerosa de se assistir – apesar da medianidade

Norteado pelo roteiro e sob a direção de David O. Russel, “Joy: O Nome do Sucesso” se baseia na vida da novaiorquina Joy Mangano, inventora do Miracle Mop – uma espécie de esfregão composto por uma haste com um pano em sua extremidade, por sua vez conectada a um dispositivo naquela haste que faz com que o pano seja enxuto sem que haja necessidade de tocá-lo com as mãos – que, em função de sua obstinação, se tornou uma das mais conhecidas empresária norte-americana.

O elenco conta com a versatilidade de Jennifer Lawrence no papel da protagonista, conferindo-lhe uma intensa carga de sensibilidade e de perseverança. Coestrelando, Robert De Niro e Bradley Cooper contribuem, em muito, para que o filme se torne, sem qualquer esforço, numa película prazerosa de se assistir – apesar da medianidade do roteiro que retrata o costume nacional estadunidense do sonho americano com ranço de auto ajuda, com um pé no drama e outro na comédia.

Sem qualquer pretensão de se destacar em meio ao rol da produção cinematográfica baseada em fatos reais, “Joy: O Nome do Sucesso” contempla uma temática que pré-define grande parte de seu público alvo, que facilmente garantirá, na pior das hipóteses, a bilheteria almejada pelos seus produtores.


domingo, 24 de janeiro de 2016

Assim Como Nós


Acaba por definir, involuntariamente, uma seleção natural de seu público

Cenas do cotidiano – a prosa entre a caixa de um supermercado de qualidade duvidosa e uma de suas clientes, até que ambas se dão conta que não são tão diferentes quanto parece, ainda mais quando se trata de economia nas compras; a exposição da visão antropológica de um taxista, por ele mesmo, ao receber uma chamada de corrida por uma mulher totalmente influenciável; o excesso de zelo de uma desatenta profissional da saúde ao informar à sua paciente sobre o seu estado terminal; a avaliação pejorativa de duas mulheres sobre os traidores na esfera dos relacionamentos, enquanto traição é tomada pelo mundo masculino como parte integrante da natureza do homem; a busca pelas medidas ideais por um corpo perfeito contada por uma viciada na matemática das calorias e que, ao final das contas, acredita não ter ingerido qualquer valor calórico após ter se alimentado; a manifestação de um surto de TPM comparado a um acometimento de transtorno dissociativo de identidade – vulgo dupla personalidade; a vida de uma fashionista influenciada por uma vendedora de moda feminina; o smartphone vendido como acarajé no tabuleiro de uma baiana; a lei da oferta e da procura aplicada por uma vendedora de canivetes suíços; o espiritismo apresentado como algo perturbador e como uma carga adicional para aqueles que permanecem encarnados; a vida à dois quando só o ódio floresce em meio ao conformismo; o desejo de não mais pensar em alguém que não se dá conta de sua existência, mas que insiste em ser lembrado por terceiros; uma entrevista durante a qual à entrevistada não é permitido proferir qualquer palavra que possa influenciar negativamente o  público, o patrocinador, o governo, as religiões e tudo o mais que possa ser levado em consideração pelo espectador do programa que faz parte da grade da emissora; o medo e o pânico colocados lado a lado; a revelação do amor de uma “secretária do lar” por sua patroa, e vice-versa – compõem os esquetes do espetáculo “Assim Com Nós”.

Sexta-feira, dia 22 de janeiro de 2016, o Circuito Geral se faz presente na sala Fernanda Monte Negro do Teatro Leblon – Rio de Janeiro, em meio a uma plateia atenta ao desempenho do trio de humoristas formado por Sandra Pêra, Bia Guedes e Claudio Torres Gonzaga – este, assinando a direção do espetáculo, lhe concedendo um dinamismo atual e uma incomparável transição entre os esquetes. Com isso, Gonzaga expõe as neuroses e desvios de caráter daqueles que vivem em uma metrópole estressante, desgastante, consumista, hipócrita e defasada de amor, como um quebra cabeças que culmina em um final digno de emolduramento. Em função disso, o espetáculo assume, aparentemente, um viés limítrofe a uma crítica sociológico comportamental, debruçada na banalização da neurose urbana, fazendo com que o espectador reflita, a cada um dos esquetes, de imediato e de forma realística, se permitindo deixar de lado a sua manifestação pela comédia, dando preferência à assimilação do conteúdo do texto – fruto de um trabalho coletivo de diversos autores, dentre eles: Adriana Falcão, Bruno Motta, Marcos Caruso, Tatá Werneck e Paulinho Serra – que define o formato no qual a civilização humana vem se transmutando.

O criativo e inusitado figurino de Flávio Mothé – além de atender à praticidade que o timing do espetáculo demanda, cumpre cem por cento a função de definir cada um dos personagens a cada esquete, muito mais do demonstrar o que estão vestindo – é concebido a partir de técnica que remete às brincadeiras com recortes de bonecos de papel, muito presentes em revistas dos anos 60-70, fazendo com que esse toque de ingenuidade se torne uma grata surpresa aos olhos do espectador. O projeto cenográfico é minimalista, porém dinâmico, em função dos acessórios multifuncionais cuja engenharia é capaz de torná-los objeto de desejo de qualquer apreciador pela excelência de design. As neutralidade cromática das superfícies poligonais sobrepostas, em muito, auxiliam no desenho de luz concebido com toque de dramaticidade que segue a linha da máxima “seria cômico se não fosse trágico”.

“Assim Como Nós” acaba por definir, involuntariamente, uma seleção natural de seu público, muito pelo fato de seu texto ser de autoria de expoentes de uma tipologia de humor crítico, fazendo com que os espectadores, em busca de humor de fácil assimilação, saiam da sala de espetáculos sem a tal saciedade capaz de levá-los à morte de tanto rir, mas carregando consigo uma incógnita sobre o que mais poderia ter sido oferecido para que pudessem ter achado graça do rosário de distúrbios sociais que acabaram de assistir, travestido num genuíno empenho de produção do gênero comédia.  


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Deus e o Diabo na Terra do Sol


A miséria e o fanatismo religioso fincados na sociedade nordestina

A miséria e o fanatismo religioso fincados na sociedade nordestina entre 1963 e 1964 são transportados para os palcos, na versão de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, pela Definitiva Cia. de Teatro, com base no texto que carrega toda a complexidade da visão de Glauber Rocha e Paulo Gil Soares sobre o tema. Conta a saga de um jovem casal incorporado por Guga Almeida – como o vaqueiro Manuel e por Tamires Nascimento – como sua esposa Rosa, que fogem para o Sertão após o assassinato de um coronel – interpretado por João Vitor Novaes – pelas mãos do vaqueiro, em decorrência de um desentendimento entre ambos, por conta de uma partilha de cabeças de gado. Coestrelando – Betho Guedes, Davi Palmeira, Guga Almeida, Hector Gomes, Jefferson Almeida, Paula Sholl, Raphael Marins e Marcelo de Paula.

A direção de Jefferson Almeida, também responsável pela adaptação do texto com a parceria de Tamires Nascimento, conduz a narrativa quase didática e com dinamismo escasso, combinando a miséria e o abandono de um povo na tentativa de induzir o público a uma reflexão social contemporânea – guardadas as devidas proporções que o tempo lhe faculta. A direção musical e sonoridade de Renato Frazão, integrante do trio de músicos que se apresenta em primeiro plano, juntamente com Michel Nascimento e Marcelo de Paula, reconstrói o coronelismo e o banditismo de uma época em que o latifúndio se confunde com a exploração da mão-de-obra escrava. A simplicidade estética e construtiva do cenário de Lia Farah e Rodrigo Norões, árida em sua essência, estampa um demasiado simbolismo temático e afasta os personagens do nordeste desenhado pelos mesmos, privando o espectador da paisagem que retrata a desesperança impregnada na obra de Glauber Rocha. O figurino e adereços de Arlete Rua e Thaís Boulanger consegue distinguir, com eficiência pragmática, a estratificação social do povo sertanejo retratada pelos coronéis, pelos bandidos e pelo povo sofredor. O desenho de luz assinado por Yuri Cherenm e Lívia Ataíde é responsável por toda a variação da atmosfera cênica, contrastando entre a ofuscante luminosidade característica da aridez nordestina e a dramaticidade presente nas cenas que incitam a violência e nas que transportam para o palco, as divindades do bem e do mal da tradição cristã.

Presente em uma das apresentações da temporada no Teatro João Caetano, no centro do Rio de Janeiro, o Circuito Geral se permite à leitura da grandiosidade da boca de cena daquela sala de espetáculos e toma a liberdade de externar a sua percepção de que a produção se enquadraria melhor em um palco de menores proporções, de forma tal que pudesse ser melhor preenchido pelas muitas vezes escassa presença de personagens em cena e pela escala cenográfica limitada a um grafismo simbólico como pano de fundo.

Tanto através da linguagem cinematográfica quanto através da teatral, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” não se encerra em uma obra conclusiva, mas suas denúncias destacam e se sobrepõem a um enredo cujo final nos permite questionar se Manuel e Rosa, finalmente, alcançam o mar, ou se simplesmente, um dia, o desfrutarão em decorrência do cumprimento da profecia que anuncia que, um dia, o mar vai virar Sertão.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme


Uma revigorante aventura repleta de ensinamentos e alto astral

Charlie Brown – anti-herói com suas crises existenciais e melancolia; Snoopy – o descolado, extrovertido e sonhador cão da raça beagle que pertence a Charlie Brown; Woodstock - pássaro temperamental, o melhor amigo de Snoopy;  Sally Brown – a teimosa, crítica e séria irmã mais nova de Charlie Brown, apaixonada por Linus van Pelt, filósofo observador e erudito, o melhor amigo de Charlie Brown, sempre agarrado ao seu cobertor;  Lucy van Pelt – a mandona, sarcástica, egoísta e ranzinza irmã mais velha de Linus e Rerun; Schroeder – o talentoso pianista, amante da música clássica e de Beethoven; Patty Pimentinha – a ativista e sempre bem humorada má aluna que costuma dormir nas aulas e só tira conceito D; Chiqueirinho – menino sem nome próprio que está sempre sujo e que não consegue se limpar; Marcie – a tímida, míope e nerd, melhor amiga de Patty Pimentinha, a quem só chama de “meu” ou “senhor”, e que também nutre uma paixão secreta por Charlie Brown. Todos personagens de autoria do cartunista americano Charles M. Schultzpor, transportados para a ingênua, porém enriquecedora produção cinematográfica, “Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme”.

Materializada no formato 3D, a produção dirigida por Steve Martino chega às telas dos cinemas para contar uma deliciosa história valorizada pelo roteiro aguçado e minucioso dos Craig Schulz, Bryan Schulz e Cornelius Uliano, em total respeito à essência original da série Peanuts, eternizadas pelo seu criador. Conta a história do nato perdedor Charles Brown, dotado de uma persistência incomum, que se depara com a chegada de uma menina ruiva em sua vizinhança, o que transforma a sua latente baixa estima em uma revigorante aventura repleta de ensinamentos e alto astral.

“Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme” é um filme no qual cada personagem reflete características passíveis de serem identificadas no cotidiano do seio familiar, do grupo de amigos, no núcleo escolar, tal e qual ele deve ser vivido por cada um de nós, ao longo de nossa jornada – uma singela forma de fazer com que crianças, adolescentes e adultos, cada um a seu modo, filosofem sobre a vida, mesmo que em silêncio, no escurinho do cinema.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Era Pra Ser Um Stand Up


Vai além de uma história sobre jovens que se apaixonam no primeiro encontro

A controversa discussão sobre o fato de uma “Comédia Em Pé” ser ou não ser considerado um gênero teatral é levada ao palco em “Era Pra Ser Um Stand Up”. A direção de Wendell Bendelack se esforça na tentativa de envolver a plateia com a justificativa lançada como título do espetáculo e com a história do casal protagonista. Contudo, tal intenção parece passar despercebida ou até mesmo ignorada pelo espectador, possivelmente em função da acanhada atuação de Vitor Lamogliaque, sob o ponto de vista do Circuito Geral, não reage quimicamente, o suficiente, para que a veia cônica de Thati Lopes possa fluir com a habilidade pela qual a atriz já é reconhecida e consagrada pelo canal “Porta dos Fundos”.

O texto de Pedro Henrique Vasconcellos denuncia a sua prévia posição sobre o fio condutor do espetáculo, direcionando-o como teatro de comédia convencional e não como uma “Comédia Em Pé”, desde o momento de sua concepção – fazendo com que o título da obra perca a razão de ser, de forma genuína. Já no início da apresentação, a tentativa de se fazer rir através do proferimento de palavras chulas alusivas aos órgãos genitais e a partes externas do corpo adjacentes ao sistema excretor esbarra no resgate de um recurso ultrapassado visando à conquista de “riso fácil”, muito utilizado nos anos sessenta, quando tais termos, além de tabu, ainda eram, historicamente, objetos de censura pela própria sociedade e perseguidas, com afinco, pela ditadura. Tudo isso, agravado pelo fato do espetáculo levado ao palco não funcionar sem o conjunto dos recursos técnicos composto por desenho de luz, cenário e trilha sonora, dispensável nas “Comédias Em Pé” – endossando o fato de que poderia ter sido algo que se metamorfoseou em “Comédia Romântica”.

Apesar do esforço em se impingir um estilo romântico ao espetáculo, o Circuito Geral percebe que, nas entrelinhas, “Era Pra Ser Um Stand Up” vai além de uma história sobre jovens que se apaixonam no primeiro encontro, lançando uma luz na polêmica legitimidade das “Comédias Em Pé” como gênero teatral.  


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Criolo - Convoque o Seu Buda



Uma demonstração de adoração digna de um culto religioso


Dia 8 de janeiro de 2016, como se ainda através de explosivas boas vindas ao ano que se inicia, uma apresentação sem resquícios de pompa e ostentação na Fundição Progresso, durante a qual Criolo – com o seu show homônimo do CD “Convoque o Seu Buda”- lota uma das mais badaladas casas de entretenimento da Lapa, na Cidade do Rio de Janeiro, com seus seguidores cognominados fãs – e porque não dizer, “fiéis”.

À meia-noite, o palco se descortina para que Karol Conka inicie a festa com “Gueto ao Luxo”, sob os aplausos e gritos de uma plateia “all stand up”, sedenta pelo gênero musical que representa um dos pilares essenciais da cultura Hip Hop – o Rap. Dando seguimento ao grito de ordem de “Fodam-se os Padrões”, Karol leva o público ao delírio com “Bate a Poeira” e com o seu cover de Rihanna – “Bitch Better Have My Money”, na qual evidencia a sua admiração pela cantora, atriz, modelo e compositora barbadiana. A canção “Tombei”- que lhe rendeu o Prêmio Multishow na categoria “Melhor Canção”- é recebida pelo público jovem que estremece os alicerces da Fundição Progresso. Ao final dos quarenta e cinco minutos de sua apresentação, Karol fecha, com a constatação “É o Poder” e abre espaço para que Criolo complemente a noite, cujo aquecimento se fez mais do que eficiente pela contagiante rapper.

A partir de uma hora da madrugada do dia 9 de janeiro, os primeiros acordes de “Convoque Seu Buda” fazem com que os “fiéis” de Criolo assumam a condição de transe de tal forma a configurar no palco uma total demonstração de capacitação profissional e de competência técnica de uma equipe que, por diversas vezes, é intitulada “uma família” pelo rapper brasileiro, cantor de MPB paulistano e criador da Rinha dos MC’s. Artista engajado com o social, em muitos momentos, profere palavras discursivas demostrando indignação contra o sistema político administrativo dos diversos patamares governamentais e roga para que os professores brasileiros sejam abençoados, entoando “Casa de Papelão”, sem deixar de se demonstrar a sua perplexidade com a possibilidade do fechamento de escolas no Estado de São Paulo.

À despeito da sua adoração pelos seus seguidores, como um mestre que proclama palavras de amor e de esperança, Criolo externa a sua admiração pelo imortal cantorguitarrista e compositor jamaicano – Bob Marley – e o endeusa ao desdobrar uma kanga, considerada pelo rapper como “sagrada”,  estampada com a face do mais conhecido músico de reggae de todos os tempos.  Movimentos e palavras do rapper que se repetem – como reflexos do próprio artista provocados por seus seguidores – dão continuidade a “ Duas de Cinco”. Bradando o seu nome como se tratasse de um mantra desenfreado, a plateia faz de tudo um pouco para aumentar o nível de ruído através de palmas, gritos e urros, endossando cada palavra que sai da boca de Criolo, dando-lhe total representatividade frente aos seus seguidores e abrindo espaço para a introdução da belíssima canção “Não Existe Amor em SP”. Com a música “Linha de Frente”, o ovacionado cantor incita o público à demonstrar, juntamente consigo, carinho pleno por sua competentíssima banda – o que é prontamente atendido pela plateia a cada nominação dos músicos.

“Bogotá” sinaliza o fim do show, após a qual Criolo se retira do palco, juntamente com seus parceiros. Inconformados e ao mesmo tempo sabedores que Criolo lhes deve o tradicional bis, a multidão se impõe em riste na pistas e nas arquibancadas da Fundição Progresso e demandam o retorno de seu ídolo, em uma demonstração de adoração digna de um culto religioso.

Aplacando o estado de transe de todos os presentes, Criolo dá seguimento às derradeiras músicas do play list que conduzem a sua apresentação, incluindo “Tô Pra Vê” – da mesma forma que o Circuito Geral ainda está para ver uma manifestação pública tão visceral naquela descolada e carioquíssima casa de espetáculos.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Os Oito Odiados



Diálogos com vertente histórica

Quentin Tarantino retoma o gênero faroeste em seu oitavo filme – “Os Oito Odiados”.

São mais de 160 minutos de histórias trincadas e contadas através de diálogos com vertente histórica, envolvendo o pós guerra civil norte-americana quando, atendendo aos interesses dos estados do norte, foi decretada a abolição da escravatura, mas sem nenhum programa governamental que garantisse os direitos sociais dos negros – dessa forma, marginalizados pela sociedade. A trilha sonora de Ennio Morricone permeia todo o desenrolar da trama de maneira soberana, potencializando a frieza de caráter dos personagens, a atmosfera gélida da nevasca invernal que acomete o Wyoming e dá suporte ao desempenho dos personagens naquela primeira e extensa cena preparatória para o desenrolar  do roteiro: a condução de uma diligência até a cidade de Red Rock, sob o comando do caçador de recompensas John Ruth – intensificado por Kurt Russel, que conduz o seu “prêmio” materializado pela criminosa Daisy Domergue – por sua vez, deflagrada por Jennifer Jason Leigh; o misterioso ex-soldado negro do exército que se tornou um infame caçador de recompensas – Marquis Warren – incorporado por Samuel L. Jackson; e Chris Mannix – sulista renegado que procura ter como meta chegar à sua cidade para assumir o posto de xerife – personificado por Walton Goggins.  

A partir da chegada da diligência a um abrigo previamente definido por Warren, denominado “Armarinho da Minnie”, a marca de Tarantino aglutina, de forma sangrenta, a violência e o suspense com requintes de inteligência e faz com que “Os Oito Odiados” tome corpo, de forma surpreendente e instigante.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Spotlight: Segredos Revelados


O estupro contra a fé

A enunciação de uma eventual conspiração contra o Vaticano por parte de uma vertente fanática de católicos e a preservação da Igreja dos casos pedofilia dentro da própria instituição são peças de um roteiro através do qual, “Spotlight: Segredos Revelados” coloca em cheque todo um perfil teológico traçado com base em rígidos princípios morais e na condenação da criminalidade como pecado mortal. Assinando a direção do longa, Tom McCarthy denuncia a cumplicidade entre Igreja, imprensa, justiça, política e fé no crime de pedofilia praticado por padres, baseado em fatos reais e revelados por uma equipe de jornalistas personificados por Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams e Liev Schreiber.

Sem sombra de dúvida, o ousado e atual roteiro de Josh Singer, em parceria com McCarthy, induz o espectador à analise dos fatos e à reflexão sobre a indústria da fé. Sob tal enfoque, “Spotlight: Segredos Revelados” descortina os mistérios que envolvem os atos de violência praticados contra crianças por homens que se dizem representantes de Deus sobre a face da Terra, como também imputa aos mesmos, o estupro contra a fé cristã – transgressões essas que somente a magnânima complacência do Todo Poderoso tem a capacidade e o poder de perdoar.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Réveillon do Morro 2016


Virada do ano 2015-2016 – o Circuito Geral se faz presente na vigésima edição do Réveillon do Morro da Urca.

A abertura das catracas, precisamente às 21:00, dá boas vindas ao público que, conduzidos pelo Bondinho do Pão de Açúcar - cerca de 200 metros do nível do mar, até o Morro da Urca - é recepcionado à base de Chandon Réserve Brut, ao mesmo tempo em que George Israel se apresenta no anfiteatro, com seu show – “Sax Live”.  Sob a chefia e organização do Cota 200 Restaurante, dá-se início ao momento de degustação de um farto e diversificado cardápio tipicamente brasileiro, distribuído em três ilhas de buffets e bares, cercados por generosas mesas devidamente decoradas com temática alusiva ao Réveillon  –  o início das horas finais de 2015, durante as quais muito ainda estava por acontecer.

A partir das 22:30, o Bondinho transporta os devidamente credenciados a 396 metros, até o Pão de Açúcar onde – sob o som do DJ Janot – a pista de dança os recepciona com taças exclusivas de Champagne Veuve Clicquot Brut e com outro buffet montado com sanduíches, frios, frutas frescas, frutas secas e oleaginosas. Diversos mirantes, localizados em planos diferenciados, comportam confortavelmente o público durante a contagem regressiva para o término de 2015, promovendo a espetacular e inigualável visão da queima dos fogos de Copacabana.

A 01:30, é anunciado o retorno compulsório ao Morro da Urca, onde um novo buffet de sobremesas adoça o paladar do público, ao som do show disco da “Banda Soul Quem Quiser”, seguido da contagiante batida funk e do som pop, por conta do DJ João Rodrigo. Às 03:00, o anfiteatro é tomado pela Bateria da Escola de Samba Unidos da Tijuca, dando boas vindas ao ano que acaba de nascer, até às 04:00.


Razões não faltam para que o Réveillon no Morro da Urca seja considerado um dos melhores lugares – quiçá, o local com vista panorâmica mais privilegiada dentre os cartões postais da Cidade do Rio de Janeiro – para se passar a virada do ano novo, sob a realização de uma eficientíssima equipe de produção, capacitada para atender toda a sorte do público que se faz presente, composta por nativos e por turistas nacionais e internacionais – conforme constatado pela nossa equipe de redatores do Circuito Geral.