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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Criolo - Convoque o Seu Buda



Uma demonstração de adoração digna de um culto religioso


Dia 8 de janeiro de 2016, como se ainda através de explosivas boas vindas ao ano que se inicia, uma apresentação sem resquícios de pompa e ostentação na Fundição Progresso, durante a qual Criolo – com o seu show homônimo do CD “Convoque o Seu Buda”- lota uma das mais badaladas casas de entretenimento da Lapa, na Cidade do Rio de Janeiro, com seus seguidores cognominados fãs – e porque não dizer, “fiéis”.

À meia-noite, o palco se descortina para que Karol Conka inicie a festa com “Gueto ao Luxo”, sob os aplausos e gritos de uma plateia “all stand up”, sedenta pelo gênero musical que representa um dos pilares essenciais da cultura Hip Hop – o Rap. Dando seguimento ao grito de ordem de “Fodam-se os Padrões”, Karol leva o público ao delírio com “Bate a Poeira” e com o seu cover de Rihanna – “Bitch Better Have My Money”, na qual evidencia a sua admiração pela cantora, atriz, modelo e compositora barbadiana. A canção “Tombei”- que lhe rendeu o Prêmio Multishow na categoria “Melhor Canção”- é recebida pelo público jovem que estremece os alicerces da Fundição Progresso. Ao final dos quarenta e cinco minutos de sua apresentação, Karol fecha, com a constatação “É o Poder” e abre espaço para que Criolo complemente a noite, cujo aquecimento se fez mais do que eficiente pela contagiante rapper.

A partir de uma hora da madrugada do dia 9 de janeiro, os primeiros acordes de “Convoque Seu Buda” fazem com que os “fiéis” de Criolo assumam a condição de transe de tal forma a configurar no palco uma total demonstração de capacitação profissional e de competência técnica de uma equipe que, por diversas vezes, é intitulada “uma família” pelo rapper brasileiro, cantor de MPB paulistano e criador da Rinha dos MC’s. Artista engajado com o social, em muitos momentos, profere palavras discursivas demostrando indignação contra o sistema político administrativo dos diversos patamares governamentais e roga para que os professores brasileiros sejam abençoados, entoando “Casa de Papelão”, sem deixar de se demonstrar a sua perplexidade com a possibilidade do fechamento de escolas no Estado de São Paulo.

À despeito da sua adoração pelos seus seguidores, como um mestre que proclama palavras de amor e de esperança, Criolo externa a sua admiração pelo imortal cantorguitarrista e compositor jamaicano – Bob Marley – e o endeusa ao desdobrar uma kanga, considerada pelo rapper como “sagrada”,  estampada com a face do mais conhecido músico de reggae de todos os tempos.  Movimentos e palavras do rapper que se repetem – como reflexos do próprio artista provocados por seus seguidores – dão continuidade a “ Duas de Cinco”. Bradando o seu nome como se tratasse de um mantra desenfreado, a plateia faz de tudo um pouco para aumentar o nível de ruído através de palmas, gritos e urros, endossando cada palavra que sai da boca de Criolo, dando-lhe total representatividade frente aos seus seguidores e abrindo espaço para a introdução da belíssima canção “Não Existe Amor em SP”. Com a música “Linha de Frente”, o ovacionado cantor incita o público à demonstrar, juntamente consigo, carinho pleno por sua competentíssima banda – o que é prontamente atendido pela plateia a cada nominação dos músicos.

“Bogotá” sinaliza o fim do show, após a qual Criolo se retira do palco, juntamente com seus parceiros. Inconformados e ao mesmo tempo sabedores que Criolo lhes deve o tradicional bis, a multidão se impõe em riste na pistas e nas arquibancadas da Fundição Progresso e demandam o retorno de seu ídolo, em uma demonstração de adoração digna de um culto religioso.

Aplacando o estado de transe de todos os presentes, Criolo dá seguimento às derradeiras músicas do play list que conduzem a sua apresentação, incluindo “Tô Pra Vê” – da mesma forma que o Circuito Geral ainda está para ver uma manifestação pública tão visceral naquela descolada e carioquíssima casa de espetáculos.


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