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domingo, 17 de janeiro de 2016

Era Pra Ser Um Stand Up


Vai além de uma história sobre jovens que se apaixonam no primeiro encontro

A controversa discussão sobre o fato de uma “Comédia Em Pé” ser ou não ser considerado um gênero teatral é levada ao palco em “Era Pra Ser Um Stand Up”. A direção de Wendell Bendelack se esforça na tentativa de envolver a plateia com a justificativa lançada como título do espetáculo e com a história do casal protagonista. Contudo, tal intenção parece passar despercebida ou até mesmo ignorada pelo espectador, possivelmente em função da acanhada atuação de Vitor Lamogliaque, sob o ponto de vista do Circuito Geral, não reage quimicamente, o suficiente, para que a veia cônica de Thati Lopes possa fluir com a habilidade pela qual a atriz já é reconhecida e consagrada pelo canal “Porta dos Fundos”.

O texto de Pedro Henrique Vasconcellos denuncia a sua prévia posição sobre o fio condutor do espetáculo, direcionando-o como teatro de comédia convencional e não como uma “Comédia Em Pé”, desde o momento de sua concepção – fazendo com que o título da obra perca a razão de ser, de forma genuína. Já no início da apresentação, a tentativa de se fazer rir através do proferimento de palavras chulas alusivas aos órgãos genitais e a partes externas do corpo adjacentes ao sistema excretor esbarra no resgate de um recurso ultrapassado visando à conquista de “riso fácil”, muito utilizado nos anos sessenta, quando tais termos, além de tabu, ainda eram, historicamente, objetos de censura pela própria sociedade e perseguidas, com afinco, pela ditadura. Tudo isso, agravado pelo fato do espetáculo levado ao palco não funcionar sem o conjunto dos recursos técnicos composto por desenho de luz, cenário e trilha sonora, dispensável nas “Comédias Em Pé” – endossando o fato de que poderia ter sido algo que se metamorfoseou em “Comédia Romântica”.

Apesar do esforço em se impingir um estilo romântico ao espetáculo, o Circuito Geral percebe que, nas entrelinhas, “Era Pra Ser Um Stand Up” vai além de uma história sobre jovens que se apaixonam no primeiro encontro, lançando uma luz na polêmica legitimidade das “Comédias Em Pé” como gênero teatral.  


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