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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Deadpool


Uma instigante, maliciosa e, anarquicamente, deliciosa metalinguagem

A quem interessar possa: conselhos para os cinéfilos que se dignem a assistir “Deadpool”: deixar de lado preconceitos, moral ilibada, mau humor e se permitir sair da área de conforto, certo de que se esteja assistindo, simplesmente, a mais um filme de super-herói. A direção de Tim Miller permeia a falta de seriedade do personagem pela mente do espectador ouvinte, em meio às cenas de extrema violência, palavras de baixo calão e sexo, tudo mastigado e cuspido aleatoriamente por Wade Wilson, que encarna no corpo de Ryan Reynolds, após tê-lo feito em “X-Men Origens – Wolverine”. 

"Com grande poder vem grande irresponsabilidade” – frase que estampa o trailer do filme – radiografa o enquadramento do roteiro, assinado pela dupla Rhett Reese e Paul Wernick, no rol das comédias ácidas e cheias de referências que só irão despertar graça naqueles que conhecem, intimamente, o mundo Marvel dos quadrinhos e do cinema. O longa se desenrola em uma única sequencia, mas em quarta parede – conforme nos HQs de Pool – que mantém o espectador em condição passiva, mas de suma importância para o personagem, pois mantém uma história fictícia dentro da realidade fora da tela, definindo uma agilidade nada linear, mas que no conjunto da obra torna-se uma instigante, maliciosa e, anarquicamente, deliciosa metalinguagem.

Conta a história do assassino de aluguel Wade Wilson que, após descobrir o amor ao lado da prostituta Vanessa Carlysle – interpretada por Morena Baccarin, se descobre com câncer e, para não morrer e deixar o seu amor na solidão, ele aceita uma proposta de cura alternativa, que o desfigura e o deixa com grandes poderes. A partir daí, tudo giram em torno do desejo de vingança contra Ajax – por Ed Skrein, responsável pela transformação de sua vida num experimento.

A mesma certeza de que “Deadpool” se trata de uma obra de ficção – expondo ao espectador às falhas do roteiro, criticando a arte no qual ele faz parte e a avacalhando a filosofia de super-herói – só contribui para que a franquia consolide e que este sirva de ponto de partida para que a estratégia não vista calça marrom pois, segundo Pool, a cor só ajuda a disfarçar os fundilhos das calças borradas quando se passa por estado de grande tensão – o que não ocorre em “Deadpool”.


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