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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Depois do amor - um encontro com Marilyn Monroe


Todas as nuances comportamentais carregadas de carência, instabilidade emocional e imaturidade


A atriz bailaria e cantora de teatro, de cinema e de televisão – Danielle Winits personifica o ícone da beleza e da fama dos anos 1950 – Marilyn Monroe, com todas as nuances comportamentais carregadas de carência, instabilidade emocional e imaturidade em “Depois do amor - um encontro com Marilyn Monroe”, último espetáculo dirigido por Marília Pêra, carregado por uma equilibrada alquimia composta por melancolia e por comicidade, passando pela extrema agonia do transtorno de personalidade com a qual a atriz e modelo norte-americana conviveu durante toda a sua vida, até sua misteriosa e precoce morte. Maria Eduarda de Carvalho cumpre, com louvor, a tarefa de interpretar Margot Taylor – amiga consagrada e assistente do estilista Jean Louis que tinha como um de seus ofícios, ajustar os figurinos de Monroe. Passado uma década afastadas - após terem se apaixonado pelo mesmo homem, e a algumas semanas antes da morte da mais popular dentre as sex symbols daquela época  -as duas se reencontram num embate, durante o qual trocam experiências pessoais. Apesar de real, o teor do diálogo entre as amigas é concebido tal e qual uma ficção de autoria do dramaturgo Fernando Duarte que, por sua vez, se empenha em radiografar a essência humana e desconhecida de Monroe e Taylor, como as de pessoas comuns.

“Depois do amor - um encontro com Marilyn Monroe” seduz a plateia com o desenho de figurino de Sônia Soares, cheio de personalidade e que define tanto o universo saudável quanto o abismo doentio das protagonistas. Natalia Lana assina o projeto cenográfico, coerente com a vida de Monroe – suas dúvidas, os infindáveis relacionamentos amorosos, a obsessão e o uso abusivo do álcool como meio de lidar com suas frustrações.  O desenho de luz de Vilmar Olos é intimista e dramático e fomenta os momentos de sedução de Monroe, agindo ora como mimada criança, ora como calculista e maquiavélica personificação da sensualidade. O videografismo de Aníbal Diniz ilustra o passado da protagonista e emociona com a homenagem prestada à genial, talentosa, rigorosa e disciplinada diretora – tal e qual Pêra é qualificada por Duarte e, da mesma forma, por sua legião de saudosos fãs.

“Depois do amor - um encontro com Marilyn Monroe” delineia a personalidade exagerada de um mito – desenvolvida a partir de transtornos latentes – na qual pode ser constatada uma capacidade de amar de forma rígida e mal direcionada, comprometendo toda uma existência que, para simples mortais, se resume, simplesmente, em viver antes, durante e depois do amor. 


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