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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Guilherme Arantes


Um artista que se perpetua há gerações

Em meio ao breu que domina o palco do Theatro Net Rio, na noite de 1º de fevereiro de 2016, Guilherme Arantes e seus teclados se fazem presentes pela dramática projeção da luz cênica, concentrando toda a atenção da plateia na interpretação de seus sucessos consagrados e de muitas músicas que compõem os lados B de seus discos, como se, para muitos, se tratassem de novos lançamentos.

Com a mesma candura presente em sua voz de 40 anos atrás e com efeitos sonoros sintetizados compatíveis com aqueles emitidos pelos instrumentos das versões originais de suas músicas, Arantes lança “Pérolas de Neon” sobre a plateia, como abertura de uma trilha sonora que embala toda uma legião de fãs, formada, em sua maioria, por integrantes com idade acima de cinquenta anos.

A paixão de Arantes pela Cidade do Rio de Janeiro é externada ao entoar “Oceano de Amor” que fora gravada pelo grupo “Os Cariocas” e, após qualificar o calor do Estado do Rio de Janeiro como ainda mais intenso do que o da Bahia, manda ver com “Sob o Efeito de Um Olhar”.

De forma surpreendente, Arantes se mostra como exímio contador de histórias e interativo com a plateia, de forma contrastante com a timidez pela qual sempre fora reconhecido. E graças ao desabrochar que os anos de vida lhe concedeu, Arantes encanta e domina o espectador durante os quase cento e oitenta minutos de espetáculo, retratando sua carreira através das quarenta e oito canções do playlist.

Ovacionada por vários minutos pela plateia, “Amanhã” – que fez parte da trilha sonora da novela “Dancin’ Days” de Gilberto Braga, por exigência do próprio dramaturgo – segundo Arantes, foi a razão de seu retorno à gravadora Som Livre. Em meio às suas divagações, declara não acreditar na existência de “música lixo”, mas de “música utilitária” – termo este utilizado por ele mesmo nos idos anos noventa – e apresenta “Soon”, do grupo “Yes”, continuada por “Oceano”. A canção “Êxtase” pega o público de surpresa, assim que os primeiros acordes se fazem presentes, provocando uma avalanche de aplausos.

Pouco a pouco, a penumbra presente durante o início do espetáculo, como se em uma tentativa de acalentar a plateia ávida por seus hits mais conhecidos, acaba se transformando em um sol do meio dia com a apresentação de “Brincar de Viver” e de “Pedacinhos” – sob acompanhamento vocal e aplausos da plateia. Sua amizade com Nelson Motta também foi objeto da exposição de sua trajetória como compositor, cantor e instrumentista de teclados e para a explicação da origem de “Coisas do Brasil”, música que Arantes dedica, carinhosamente, ao cantor Emílio Santiago. Fatos que envolvem a letra original da música “Meu Mundo e Nada Mais” também são passados à limpo, quando é explicado à plateia que a versão original começaria com: “Me atirei no mundo, vi tudo mudar...”. Contudo, pelo fato da música ter sido escolhida como integrante da trilha sonora da novela “Anjo Mau” – como tema do personagem interpretado por José Wilker – a canção passou a iniciar com: “Quando eu fui ferido...”. Interpretada de acordo com a versão demandada pela novela, a trilha foi recebida pela plateia de forma saudosista e delirante. Dando sequência às produções novelescas, “Cuide-se Bem”, integrante da trilha sonora de “Duas Vidas”, transforma a plateia em um coro que acompanha o emotivo Arantes em “Um Dia, Um Adeus” da novela “Mandala” e que, em seguida, relata como a sua vida artística mudou drasticamente após Elis Regina gravar “Aprendendo a Jogar”– fato que o fez passar de mero artista de auditório a ícone da história da MPB.


“Cheia de Charme” levanta a plateia que acredita se tratar da música que deveria fechar o show, mas Arantes dá continuidade ao mesmo com “Deixa Chover”. Em seguida, agradece a presença de todos e se retira do palco. Preparando-se para deixar a casa de espetáculos, o público é surpreendido com o retorno de Guilherme Arantes que finaliza seu show com “Fã Número 1” e com a emocionante “Lindo Balão Azul”, resgatando a infância e adolescência da maioria dos espectadores, saciados pelo generoso show de um artista que se perpetua há gerações.



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