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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O Primeiro Musical a Gente Nunca Esquece


Musicais dentro de um único

Um dos maiores clássicos da propaganda, criado por Washington Olivetto em 1987, serve de inspiração para o nome do espetáculo que está em cartaz no Theatro Net Rio, até o dia 6 de março de 2016 – “O Primeiro Musical a Gente Nunca Esquece”.

A montagem, que conta com a consultoria criativa do publicitário, nada mais é do que uma aprazível viagem no tempo através da qual o espectador é presenteado com gratas lembranças de ícones da propaganda brasileira, tais como: “Banco Bamerindus”, “Cerveja Brahma”, “Cremogema”, “Brinquedos Estrela”, “Guaraná Antarctica”,  “Honda”,  “Supermercados Pão de Açúcar”, “Varig”, “Valisère”, dentre outros, mesclados a sucessos consagrados dos musicais “A Noviça Rebelde”, “O Mágico de Oz” e “Sweet Charity”. 

O despojamento presente no texto e na direção de Rodrigo Nogueira permeia as mentes dos espectadores, preenchendo seus corações com a magia e a alegria transmitida pelos personagens incorporados por um elenco visualmente engajado com a essência do espetáculo, estruturado por Amanda Acosta, Bia Montez, Carol Botelho, Debora Polistchuck, Fabiana Tolentino, Hugo Kerth, Junior Zagotto, Leandro Melo, Leilane Teles, Marcelo Ferrari, Marcelo Varzea, Pedro Arrais e Reiner Tenente. Em meio ao brilho de toda a trupe, o Circuito Geral toma a liberdade de destacar, em especial, o desempenho de Montez, no papel da “coroa moderna” que conquista o público com sua irreverência e com seu carisma. A coreografia de Rodrigo Neri e Priscilla Mota explora os quatro cantos da boca de cena, concedendo ao espetáculo dimensões proporcionais aos sucessos das marcas e dos espetáculos que fazem parte do show. Jackson Tinoco concebe um cenário que dá boas vindas a todos da plateia, em um lar repleto de crises de relacionamento, distribuídas em dois andares onde se desenrolam disputas ente valores sentimentais e ambição profissional. A direção musical de Tony Luchessi define, brilhantemente, uniformidade melódica ao espetáculo costurado por jingles e trilhas sonoras que contam a história do casal e de sua família com tamanha coerência, como se as peças musicais tivessem sido criadas especialmente para o espetáculo. A banda, ora oculta ora visível, abrilhanta os números e tomam parte das cenas, muitas delas, repletas de emoção. Musicais dentro de um único, não poderiam dispensar a qualidade do desenho de luz assinado por Adriana Ortiz, técnica, plástica e engenhosamente concebido. O figurino de Paula Acioly dispensa ostentação e se adéqua, como uma luva, a indivíduos com os quais o público se identifica, diante das imagens e dos sons transmitidos pela sua TV ou pelo seu rádio, sonhando, desejando e viajando em suas verdades inventadas.

Sonho de consumo e sonho por um final em que “felizes para sempre”, muitas vezes, só é real em um anúncio de margarina, travam uma intensa batalha em “O Primeiro Musical a Gente Nunca Esquece”, ao contar a história de um publicitário que respira negócios e de uma dona de casa que passa a vida imersa no mundo da fantasia, através da qual, por meio de linguagem lúdica, Nogueira deixa um legado a ser refletido sobre o que, de fato, é importante na vida de cada um dos presentes, tanto no palco quanto na plateia.


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