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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Raia 30 - O Musical


A trajetória artística de Raia, respaldada pela sua impecável regência multidisciplinar

“A Chorus Line” e  “Viva O Gordo” – as primeiras produções, cujos elencos tiveram Claudia Raia como integrante, são apenas algumas dentre as saudosas recordações constantes do roteiro do espetáculo “Raia 30 – O Musical”.

Assinado pelo carismático ator, dramaturgo, diretor, dublador, cineasta, escritor e apresentador de televisão - Miguel Falabella, o texto de “Raia 30 – O Musical”, por conta de uma voluntária falta de compromisso de seu autor com a cronologia, pode parecer um tanto quanto confuso para os espectadores que não acompanham assiduamente a carreira da atriz. Contudo, tal fato não induz a plateia a uma equivocada compreensão da história, muito porque não o seria permitido, tendo em vista a brilhante direção de José Possi Neto que delineia, primorosamente, a trajetória artística de Raia, respaldada pela sua impecável regência multidisciplinar do espetáculo.

Como se na intimidade de seu lar e totalmente à vontade no palco, Raia proseia e interage com os espectadores como se amigos de infância e os presenteia com números musicais e coreográficos selecionados de “Sweet Charity”, “Cabaret”, “Não fuja da Raia”, “Nas Raias da Loucura” e “Caia na Raia”, ratificando que seus trinta anos de carreira só lhe acrescentaram, positivamente, como a atriz que canta e que dança, além de se mostrar capaz de responder a qualquer demanda por um necessário improviso. Seu denso currículo na TV é ilustrado pela personagem Tancinha da novela “Cambalacho” e pelo personagem do programa humorístico “TV Pirata”, carinhosamente reconhecido como Tonhão.

A direção musical de Marconi Araújo é precisa e uniforme, acolhendo a voz de Raia na dose exata pretendida pelo espetáculo e que, por sua vez, se conjuga à coreografia de Tania Nardini,  leve e simultaneamente vigorosa, permitindo que Raia demonstre seu potencial performático como uma exímia contadora de histórias em franco movimento corporal. O projeto cenográfico de Gringo Cardia é requintado, grandioso e concebido de tal forma a se adequar às cenas de forma dinâmica e contínua, em uníssono com o exuberante figurino de Fábio Namatame e o vigoroso visagismo da equipe composta por Dicko Lorenzo, Henrique Mello e Robin Garcia. Abrilhantando os concretos recursos cênicos no palco, o abstrato desenho luminotécnico de Drika Matheus Garcia transforma “Raia 30 – O Musical” em um espetáculo apoteótico, refletindo todo um anseio por uma carreira a partir de uma jovem - hoje, em plena maturidade artística - que, há trinta anos, vem realizando o seu sonho junto aos seus admiradores.

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