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sexta-feira, 11 de março de 2016

Meu Passado me Condena – A Peça



Um espetáculo para todos os casados, os descasados e os nunca dantes conjugados

Um seriado, um longa metragem, um espetáculo teatral – marcam a evolução da comédia “Meu Passado me Condena” que, no palco, endossa o sucesso conquistado na TV e nos cinemas, lotando as salas de espetáculo em todas as apresentações. A química, decorrente da ironia estampada nas expressões e gestual de Fábio Porchat e da autenticidade cômica presente no sorriso e na espontaneidade de Miá Mello, é reagente pela alquimia de Inez Viana que conduz a direção do espetáculo, retratando, em alta resolução, os relacionamentos dos casais contemporâneos.

O texto assinado por Tati Bernardo parece lançar os holofotes nas ações e reações masculinas dos relacionamentos – talvez pelo fato de Porchat se apresentar como o gangster do humor e um franco atirador empunhando a metralhadora do improviso.

Assim mesmo, sem ofuscar a força feminina presente no desempenho de Mello, que defende a classe, simultaneamente, com o adocicado de sua meiguice e com a acidez com que encara o mundo masculino.

O enredo do espetáculo tem início com a chegada do casal em casa, depois da festa de seu casamento, ao se prepararem para a viagem de lua de mel – ele economicamente mediano e ela intelectualmente preparada. A partir de então, a ação da dupla é colorida pelo desenho de luz de Tomás Ribas, que evidencia os conflitos pessoais e as cobranças sociais de forma suave, descontraída e hilária. Lotando os vazios de um palco sugestivamente transformado em uma quitinete, caixas e mais caixas de papelão contendo as lembranças do passado individual e comum dos recém-casados, se misturam aos presentes recebidos pela data, compondo o projeto cenográfico concebido por Aurora dos Campos, contrariando a máxima minimalista com nuances de modernidade dos anos 1920 que define o menos como sendo mais.

Seguindo essa linha, “Meu Passado me Condena – A Peça” é um espetáculo para todos os casados, os descasados e os nunca dantes conjugados, concebido com simplicidade do despojamento intencional e com a expertise nata e involuntária de todos os envolvidos.



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